NOVO pode mudar política brasileira, mas precisa ter coragem

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Por Wilson Oliveira

Desde o fim do Regime Militar, os partidos brasileiros nunca demonstraram uma disposição muito grande para se debater opostos modelos de governança, uma vez que praticamente todos vão para o mesmo lado, só se diferenciando em graus. Isso fica bastante evidenciando quando o PSDB, chamado de "direita neoliberal" pelos partidos de extrema-esquerda que estão fora do radar político, também se assume de esquerda. O que não é uma mentira.

Chamado de "direita neoliberal" por extremistas da
esquerda, PSDB também abraça ideias esquerdistas
Além de carregar "social-democracia" no nome, a legenda tucana já pleiteou participação na Internacional Socialista. Além disso, nunca na história do partido um candidato a presidência se assumiu de direita. FHC varia entre a negação das ideologias e o namoro com a esquerda, José Serra foi militante de esquerda durante os governos militares, Geraldo Alckmin sequer fala de ideologias publicamente e Aécio Neves já jurou em entrevista que "para direita não adianta o empurrarem que ele não irá".

No entanto, desde 2013, a coisa piorou. Conforme as pessoas iam para às ruas reclamarem do volume de dinheiro público gasto em estádios caríssimos - e que muitos sequer são usados com frequência em alguma grande competição - os atores da política nacional (não só os tucanos, mas de todos os partidos) parecem ter ficado sem saber o que fazer. E eles nem tiveram muito tempo para refletir, pois logo surgiu a operação Lava Jato, que está cumprindo a promessa de sacudir a tranquilidade dos nossos políticos.

Paralelo a tudo isso, empresários e profissionais liberais do Rio de Janeiro e de São Paulo se organizavam para lançar uma legenda diferente, com a proposta de renovar o debate político no Brasil. E é exatamente por isso que foi batizada como "NOVO". Embora o partido já exista há cerca de cinco anos, somente em 2015 o Tribunal Superior Eleitor concedeu-lhes o registro. Foi o bastante para o segundo partido brasileiro mais popular no Facebook (só perde para o PT) ser alçado como a esperança de modificações.

E engana-se quem acha que o Partido NOVO só poderá mudar alguma coisa se conquistar um cargo executivo em uma grande cidade, se eleger uma penca de deputados federais ou se conquistar a cadeira da presidência da República. Na verdade, se eles mantiverem o discurso liberal que estão apresentando, principalmente na figura do presidente nacional do partido, João Dionisio Amoedo, e atingirem uma boa quantidade de pessoas fora do Facebook, já estarão no caminho certo para mudar a política partidária brasileira.

Partido Novo tem exibido frases de teóricos liberais nas redes
sociais
Nenhum político dos tradicionais partidos brasileiros tem a coragem de colocar o rosto na televisão para defender a privatização da Petrobras, para falar do sistema de voucher para saúde e educação, para apontar que aumento do "investimento" público não é necessariamente algo positivo (para quem paga imposto, pois para quem recebe imposto isso pode ser uma maravilha...), para apresentar outro ponto de vista sobre salário mínimo e CLT, para dizer que informalidade empregatícia é curativo de machucados de um governo interventor etc.

Se o NOVO tocar nesses temas apresentando o outro lado de uma moeda que sempre teve apenas uma faceta no Brasil, de início causará um espanto. Mas também promoverá um grandioso reboliço. Alguns dizem que já está causando, e que o documento "Uma Ponte Para o Futuro", do PMDB, foi prova disso. O que não é muito apropriado levar como verdade absoluta, pois o maior partido da base de apoio do governo Dilma não é um partido com ideologia definida (muito menos liberal), e nem possui uma união em todos os lugares sobre um enfoque de ideias - o PMDB parece ser um partido diferente em cada Estado da federação.

De resto, todos os partidos que estamos cansados de ver na televisão e ouvir no rádio (e isso inclui o PMDB e o PSDB), sempre nos transmitem a mesmíssima mensagem: vamos levar mais educação pública, mais saúde pública, mais remédio público, mais obra pública, mais transporte público, mais água pública... E quantas vezes você viu alguém da política rebatendo isso com a exclamação "não dá!"? Pois é, eu também nunca vi.

O NOVO tem essa missão. Falar a verdade inconveniente para os brasileiros. Falar que capitalismo é algo que precisa funcionar no Brasil, que distribuição de riqueza é um espantalho para se distribuir a pobreza para quem não faz parte do governo (vide Venezuela), que prometer aumento infinito de serviço público é preguiça de discutir os reais problemas com a necessária seriedade. E que negar que esse outro ângulo de vista num debate político vem da direita no espectro ideológico, é apenas mais uma forma de emburrecer o eleitor.


Partido NOVO promove ações de rua para levar suas ideias ao público fora do Facebook

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