O planeta hipocrisia de Freixo e o plano que destruirá o RJ



Por Pedro Augusto

Grande parte do eleitorado de Marcelo Freixo, como já mostraram as pesquisas, são de pessoas de renda mais elevada, além dele ser amplamente bem visto no meio universitário: a suposta elite intelectual da cidade do Rio de Janeiro.

Porém, embora este público tenha mais acesso à informação, não conseguem enxergar diversas contradições, iludidos pelo discurso à lá Imagine, da promessa de uma cidade quase perfeita ou de vivenciar o primeiro socialismo que dará certo.

No debate da TV Globo, o patético Pedro Paulo (PMDB-RJ) surpreendeu-me por dizer algumas verdades ao psolista, que obviamente foge do assunto, que é do apoio a violenta tática black bloc, que matou o cinegrafista Santiago Andrade. Essa tática sempre foi condenada pela população, além de diversos analistas da política brasileira alertarem sobre os perigos por causa da violência.

O jornalista da Veja, Felipe Moura Brasil fez um vídeo em que mostra bem o cinismo do candidato. Nele, Marcelo Freixo expõe sua visão ao ser perguntado sobre qual era sua opinião a respeito da tática. Ele respondeu:

"Ai são eles... Eu acho que é um movimento, assim como são... Vários movimentos têm vários métodos distintos. Eu não sou juiz para ficar avaliando os métodos em si. Eu estou em uma militância de muitos e muitos anos , muito antes do parlamento. São mais de 25 anos de militância. Tem uns métodos que são mais eficientes, tem outros métodos que eu acho que são menos, mas eu não sou juiz pra dizer que movimento é um movimento correto ou não é. Eu acho que qualquer movimento que visa a construção de uma sociedade mais justa é válido. E os métodos representam um outro debate". 

Ou seja, ele não condenou a prática e ainda relativizou os atos. Se o objetivo fosse "a construção de uma sociedade mais justa"... Parece o que o revolucionário comunista Leon Trótski disse em A Nossa Moral e a Deles. No dia 13 de outubro, um membro executivo do partido publicou um artigo no site defendendo diálogo com a tática. Após o texto gerar polêmica foi apagado. No dia 3 de setembro de 2013, Freixo colocou um vídeo em seu canal de um discurso na Alerj criticando o projeto de lei que proibia o uso de máscaras nas manifestações. A medida visava evitar o começo de violência nas manifestações.

Como você pode ver na imagem a seguir, quando o cerco apertou Freixo mudou logo de opinião sobre os black blocs.


Outro caso de contradição do candidato é sobre o recebimento de doações por parte de empreiteiras. A imagem a seguir mostra uma parte do estatuto do PSOL.


Você pode ver que o estatuto do partido condena as doações feitas por empreiteiras, apesar do seu principal nome já ter recebido dinheiro de mesma origem. Nas eleições de 2012, ele recebeu R$ 120 mil da Victor Hugo Demolições, a mesma empreiteira responsável por demolir residências populares na Vila Autódromo para obras das Olimpíadas.

Como o próprio também já deixou claro, ele foi contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. O processo teve base legal, com todo suporte do Supremo Tribunal Federal, além de contar com amplo apoio da população conforme algumas pesquisas revelaram e também o número de manifestantes nas ruas. No entanto, tratando-se de PSOL, a democracia só vale quando a vontade popular é a mesma do partido.

Em junho de 2013, no auge das manifestações, o candidato propôs uma PEC em que a população, através de um plebiscito, poderia tirar o governador do estado do Rio de Janeiro caso estivesse insatisfeita com o não cumprimento do seu papel. Isso seria uma "radicalização da democracia".

A ex-presidente Dilma Rousseff, além de ter a maioria da população apoiando sua saída, também descumpriu tudo o que havia prometido durante a campanha. Das duas uma: ou Freixo anda mudando muito de ideia ou só aceita derrotas políticas quando elas acontecem apenas aos seus desafetos.

Veja a proposta no Facebook do socialista.


Marcelo Freixo é conhecido pela sua militância pelos direitos humanos. Em um vídeo chamado "Dia de Esquerda", ele apareceu vestido de Che Guevara.


Este, que é um dos principais personagens da Revolução Cubana, já disse frases como: "um povo sem ódio não pode triunfar sobre um inimigo mortal" e "Fuzilamentos? Sim. Temos fuzilado. Fuzilamos e seguiremos fuzilando isso enquanto for necessário. Nossa luta é uma luta à morte". Frases como essas não combinam com direitos humanos. Além do mais, há muitos relatos de que Che Guevara era racista e homofóbico.

Cuba não era um paraíso para os direitos dos homossexuais. O próprio Fidel Castro já admitiu que este grupo era perseguido pelo governo. O país também não é nenhum exemplo de democracia, forma de governo que Freixo gosta de dizer que defende. Cuba sofre nas mãos de uma ditadura há décadas que transformou uma nação que era próspera numa verdadeira ilha da pobreza.

Uma crítica que o psolista sempre faz, e com razão, é a corrupção do PMDB. Ao passo que ele faz isso, também defendeu a volta de Dilma ao poder. E ainda acha um absurdo o que estão fazendo com Lula. O que o candidato não fala é que este mesmo PMDB apoiou o PT desde 2003. O PMDB-RJ de Sérgio Cabral, Pezão e Eduardo Paes, é o mesmo que apoiou não só o Lula, mas Dilma Rousseff. Ou seja, ele defende a volta de Dilma que se misturava com o partido que ele mais critica. Contraditório, não?

O governo PT era o do PMDB. Ambos se apoiavam, associavam-se na hora da corrupção e votos no Congresso, como também eram importantes para tempo de televisão durante as campanhas.



O PMDB é apenas o PT com um projeto de poder diferente. Mas são todos farinha do mesmo saco.

Outro caso nos remete a uma entrevista do deputado cedida ao "RJTV", da TV Globo. Ao ser questionado do porquê não ia na Zona Oeste, o argumento usado foi o medo por causa das milícias. Ele esteve no programa no dia 20 de setembro. Dois dias depois, o candidato em sua página fez uma transmissão ao vivo no bairro de Campo Grande. Se ele tivesse realmente medo da criminalidade se exporia a esse ponto ao mostrar em uma rede social aonde estava? Ou será que só foi por que foi questionado pelas jornalistas? Fica a reflexão...

Outro caso a se pensar é o do assessor de Freixo, que foi condenado por violência contra a mulher. O caso ocorreu em dezembro de 2013 e ele foi nomeado ao gabinete do parlamentar em fevereiro de 2015. Dinei só foi mandado embora há pouco tempo. Ele esteve presente com o candidato no debate da Record, que aconteceu recentemente, no dia 25 de setembro. Ou seja, mesmo sabendo da condenação, ainda assim o levou na emissora. Cada candidato só podia levar três pessoas.


A política econômica de Freixo: o manual de como destruir uma cidade


No programa de um possível governo, o psolista tem como uma de suas propostas o aumento da taxação dos ricos. Isto não dará certo. Como já falei aqui no Congressista, tributar os ricos é uma péssima ideia para os mais pobres, porque esses ricos formam parte considerável dos geradores de empregos.

Aumentar os impostos dos ricos certamente os levará a migrarem seus negócios e, consequentemente, pessoas ficarão desempregadas. Embora relacione uma cidade com um país, a França é um exemplo de como isso não dá certo. Quando resolveram tributar ainda mais os ricos, eles migraram para outros países. E quem queria empreender também saiu do país. A ideia deu tão errada que o governo voltou atrás em sua decisão. No entanto, jamais se deve duvidar da capacidade de um esquerdista em ignorar a realidade.

Com a saída de investidores, certamente a solução seria aumentar os incentivos através da prefeitura. Porém, isso exigiria mais gastos - e estamos falando de um município com uma dívida que ultrapassa os R$ 25 bilhões. Logo, os mais pobres e a classe média teriam de arcar com os custos e o poder de compra automaticamente cairia.

Olhando mais profundamente o programa de Marcelo Freixo ou vendo suas ideias nos debates e entrevistas, fica claro que ele pretende criar mais dificuldades para os empreendimentos de simples cidadãos para, assim, poder aumentar o tamanho da prefeitura. Isto é tudo o que um socialista mais gosta: controle. A desculpa é o bem público. Mas tudo não passa de uma ânsia de achar que pode controlar tudo e que as pessoas não podem resolver seus problemas sozinhas. 

Além de limitar mais ainda as liberdades dos indivíduos, Freixo será obrigado a aumentar mais impostos para manter a máquina pública de forma que ele deseja. Até hoje na historia não houve exemplo algum de um governo controlador que colocasse a mão grande em todas as áreas e que tivesse dado certo. Aumento da máquina estatal sempre trouxe mais ineficiência e sucateamento das áreas essenciais. 

Nem nos países nórdicos é assim. Eles, por exemplo, são muito bem avaliados pelo Heritage Foundation em questão de baixa intervenção estatal na economia e possuem pequenas burocracias, o que na área econômica é tudo o que Freixo não acredita. Na verdade o seu modelo está mais para o que está vigente na Venezuela, tanto que o próprio PSOL apoiou a candidatura de Nicólas Maduro.

Quando Freixo fala da Uber, em vez de defender a diminuição da burocracia para os taxistas, ele propõe trazer ainda mais controle estatal sobre o serviço. É notável qual será a consequência desse serviço: o encarecimento. Ele prega aumento de burocracia, e não a sua diminuição, com uma série de normas excessivas.

Freixo é como todo político socialista: deseja ter mais controle com a desculpa de que está fazendo isso para o bem público. Isso já aconteceu na historia e não deu muito certo. Ele diz que é um defensor do bem público e que este tem de estar à frente do bem privado. Entretanto, o que garante que ele sabe qual a real vontade da população se a sua grande massa de eleitores são justamente as classes mais altas da cidade? Os mais pobres justamente não se sentem representados por ele, ainda mais porque o veem como um defensor de bandidos.

Como o psolista não tem conhecimentos econômicos da realidade, afinal todo socialista é assim, ele não entende que a relação entre consumidor e produtor é de troca. Produz-se algo que as pessoas valoram e elas compram por verem algum benefício em ter aquilo. E o que cada um visualiza de valor é algo totalmente individual. Não há como um burocrata saber. É por não entender isso que a URSS entrava em crises e não tinha diversificação de produtos em seu território. A vontade pública só estará em sintonia com a da iniciativa privada quando os governantes pararem de achar que sabem o que os indivíduos querem.

O plano de Freixo é aquele que você se pergunta: com que dinheiro fará tudo isso? E como todo socialista, ele ainda acha que tem a capacidade de controlar tudo. Que os cariocas não resolvam "fechar" com o Freixo amanhã, pois depois ele é que "nos fechará"!