Confira os grandes surtos de fomes no socialismo em números

Memorial do Holodomor em Kiev, capital da Ucrânia

Por Nicolas Carvalho de Oliveira

Antes de tudo é bom ressaltar que, por serem ditaduras, naturalmente é mais difícil documentar qualquer coisa (especialmente saber com exatidão o número de mortos) nos regimes socialistas pelo fato do governo ocultar os dados que não lhe convém, de inexistir uma mídia que não seja a oficial do governo junto com uma barreira à entrada da mídia internacional. Outro dificultador é o fato das denúncias feitas por um nativo ser vista como crime passível de severas punições, como campos de trabalho forçado (notoriamente as gulags de Stálin e os "centros de correção" norte-coreanos) ou o sempre prático paredão de fuzilamento.

Os governos socialistas, como a maioria das ditaduras modernas, também tentam reescrever a história. Por exemplo: na China, que ainda tem o Partido Comunista no poder, a fome de Mao é atenuada nos livros oficiais do governo e a culpa é transferida para "as condições climáticas desfavoráveis". Nesse caso, discordar do governo e pedir para ser preso é a mesma coisa.

A grande fome da Rússia (1921-1922)

Destruída pela Primeira Guerra Mundial, pela Guerra Civil e pela ineficiente economia socialista de Vladimir Lênin, a Rússia passou por um terrível período de fome em que alguns camponeses recorreram até ao canibalismo.

Número estimado de mortes: 5 milhões (segundo o professor e especialista em história russa Orlando Figes da Universidade de Londres) de uma população de 88 milhões em 1920.

O Holodomor ucraniano (1931-1933)

A segunda grande fome soviética em apenas 14 anos de URSS, causada pela coletivização forçada da agricultura à mando de Stálin. Muitos historiadores sustentam a tese de que Stálin provocou a morte dos ucranianos propositalmente, na sua caça aos chamados ''kulaks''.

Número estimado de mortes: 7 milhões (segundo Robert Conquest, historiador e especialista em União Soviética) de uma população de 29 milhões em 1930.

A grande fome da China Comunista (1958-1962)

"Grande Salto Adiante". Esse foi o nome escolhido por Mao Tsé-Tung para o seu insano planejamento econômico de superação da produção ocidental em apenas 15 anos. Com o inevitável fracasso dessas políticas econômicas, o sofrido povo chinês conheceu estágios ainda mais profundos de miséria.

Número estimado de mortes: 45 milhões (segundo o professor e historiador especialista em história da China moderna Frank Dikötter da Universidade de Hong Kong) de uma população de 654 milhões em 1957.

A grande fome da Coréia do Norte (1994-1998)

Com a dissolução da União Soviética, os países socialistas remanescentes viram o seu cenário econômico piorar ainda mais, com a queda na importação dos produtos, sobretudo alimentos, provenientes da URSS. Para agravar a situação na Coreia do Norte, secas e inundações arruinaram as colheitas e fizeram os norte-coreanos, que já viviam numa dieta espartana, buscar nutrientes em tudo que estivesse ao alcance, inclusive esterco e cascas de árvore.

Número estimado de mortes: de 1.5 a 2.5 milhões (segundo o dissidente Hwang Jang-yop, ex-alto-funcionário da Coréia do Norte) de uma população de 21 milhões em 1993.
Confira os grandes surtos de fomes no socialismo em números Confira os grandes surtos de fomes no socialismo em números Reviewed by Wilson Oliveira on 02:16:00 Rating: 5

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.

Tecnologia do Blogger.