Irresponsavelmente, mídia deixa de informar sobre problema na Suécia pra debochar de Trump

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Por Nivia Junqueira

No último dia 20, após uma declaração de Donald Trump sobre um possível atentado terrorista na Suécia, ele virou piada nas redes sociais e nos inúmeros canais de comunicação nacionais e internacionais.

De fato, não houve nenhum atentado terrorista na Suécia quando ele deu essa declaração. Com isso, no dia seguinte, Trump teve que se explicar e disse que se referia a um documentário produzido por Ami Horowitz, que visa mostrar as mudanças negativas que a Suécia tem sofrido após a entrada maciça de refugiados e imigrantes no país. O produtor do documentário diz que "houve um aumento da violência armada e do número de estupros na Suécia desde que começou a política de portas abertas".

A própria Suécia parece ter reconhecido isso, visto que em novembro de 2015 anunciou o fim de sua política de portas abertas. A previsão era de expulsar, em 2016, de 60.000 a 80.000 pessoas, segundo o ministro do Interior do país, Anders Ygeman.

Trump se expressou muito mal, se equivocou e acabou gerando as mais diversas piadas e críticas. Com a falha de comunicação do presidente, a imprensa aproveitou para atacá-lo e praticamente não abordou os reais problemas que vem acontecendo na Suécia. O presidente norte americano teve a intenção de mostrar os inúmeros casos de violência, assaltos, estupros, aumento do uso de drogas e principalmente alertar para o alto índice de refugiados sendo atraídos por grupos extremistas, como o Estado Islâmico.

Conforme as mudanças sofridas pela sociedade sueca, não é muito difícil prever um possível atentado terrorista neste país. Mesmo que não ocorra na Suécia, é bom lembrar que o país é um dos maiores exportadores per capito de extremistas da Europa. O atentado em Paris, em 2015, e em Bruxelas, em 2016, por exemplo, levaram a prisão de um sueco jihadista - Osama Krayem foi considerado um elo entre os grupos que executaram os atentados.

A cidade de Gotemburgo, por exemplo, tem a maior concentração de recrutamento para a "jihad". No noroeste da cidade, no subúrbio de Angered, estão concentrados 70% de muçulmanos em uma população de 15 mil habitantes. A taxa de desemprego é de 11%, bem acima dos 6,6% da população geral. Os jovens são os principais alvos dos extremistas, sendo que mais de 65% deles abandonam a escola antes dos 15 anos tornando-se vulneráveis.

Devido à dificuldade de a polícia acessar a região, tanto pelo alto índice de criminalidade como pelo controle de líderes religiosos extremistas no subúrbio, a situação tem se agravado. Uma sociedade paralela vem sendo estabelecida, inclusive com imposições da sharia e perseguição ao modo de se vestir de muitas mulheres europeias.

Qualquer um que ouse falar dos casos de violência e estupro na Suécia é ridicularizado, mas a verdade é que não precisa ser um gênio para entender as falhas nas tentativas de racionalizar as estatísticas, como as justificativas de que os suecos estão mais inclinados a denunciar crimes; ou que a lei mudou, de modo que mais crimes sexuais agora são considerados estupros.

A mídia focou demais em debochar da declaração de Donald Trump, tentando denegrir sua imagem (como de praxe). Mas a verdade é que a Suécia pode estar se tornando uma bomba relógio. E se o presidente dos EUA foi imprudente em sua fala, autoridades de outros países estão sendo irresponsáveis com suas ações de “portas abertas”.

Toda essa situação negativa e arriscada é sinal de que países desenvolvidos, sejam da América ou da Europa, devem ignorar os problemas dos refugiados? Obviamente, não! Mas devem tomar medidas mais assertivas, primeiramente preocupando-se com a segurança de seus próprios cidadãos e incluindo mais policiamento; estabelecer controle de quem entra e quem sai do país; planejar melhor onde essas pessoas vão morar, como vão sobreviver e trabalhar no país que as acolheu. E, sem dúvidas, é imprescindível saber se países que recebem refugiados e imigrantes são capazes de promover e fazer valer leis antiterrorismo.

A ideia de multiculturalismo é linda no papel, mas exemplos como da Suécia e outros países que sofreram atentados terroristas ou aumento de violência mostram que é cada vez mais difícil integrar culturas e religiões em sociedades tão diferentes. Os que acolhem sem prudência geram caos e são aplaudidos; os que adotam uma postura firme e prudente são acusados injustamente de xenofóbicos, racistas e extremistas.

Nigel Farage, denominado de "extrema-direita" pela mídia nacional e internacional também já alertou inúmeras vezes para o caos iminente na Suécia e se pronunciou a favor de Donald Trump. Felizmente, políticos de “extrema-direita” (entre aspas, porque não são) vem ganhando espaço, notoriedade e votos. Parece que grande parte das pessoas se tocou, não só para a realidade dos fatos, como também para o quanto a mídia vem distorcendo as coisas e chamando de extrema-direita àqueles cujos quais não representam suas ideias midiáticas.

Em tempo, pouquíssimos meios de comunicação, após a polêmica frase de Trump, se preocuparam em mostrar uma realidade negativa na Suécia. Grande parte preferiu aproveitar a brecha do presidente para debochar e fingir não entender o tom de alerta de sua declaração. Em todo caso, sem dúvida, é melhor ele se policiar mais ao se pronunciar, porque por parte dos "fake news" está cada vez mais difícil esperarmos esclarecimentos decentes.

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