Por que os EUA são aliados da Arábia Saudita?


Por Pedro Augusto

Quem se interessa por política externa provavelmente já se perguntou por qual motivo os Estados Unidos apoiam a Arábia Saudita, um reino onde muitos de seus príncipes financiam o Estado Islâmico, além de em terras sauditas ser proibido o homossexualismo, consumo de vinho, locomoção de mulheres sem autorização do marido, algo que é o oposto à visão de liberdade do american way of life.

A origem dessa relação data da década 1920 quando surgiu nos EUA uma preocupação em relação ao esgotamento das reservas domésticas de petróleo. As petrolíferas do país a partir daí entraram no mercado do Oriente Médio como parceiros minoritários das companhias europeias. A Standard Oil foi a primeira a se envolver na exploração do “ouro negro” na região e solicitou a permissão dos sauditas para a exploração geológica.

Em 1933, a Standard Oil assinou um acordo com o reino saudita que permitia a exploração do petróleo em parte da península. O rei Ibn Saud inicialmente não quis o negócio, no entanto, ele mudou de ideia por causa da deterioração das finanças do reino. A produção foi interrompida em decorrência da Segunda Guerra Mundial, mas retornou após o fim do conflito e as relações duram até hoje, com uma cooperação econômica e militar. Neste ano, estima-se que houve uma venda de 300 bilhões de dólares em armas dos EUA ao reino saudita.


Na segunda metade do século XIX, um fato aproximou mais ainda os laços entre sauditas e norte-americanos: a Revolução Iraniana. Em 1979, os revolucionários derrubaram um governo pró-ocidente e instauraram uma república teocrática anti-ocidental. Os interesses dos EUA foram abalados por surgir no Oriente Médio uma potência não alinhada a ele em meio a Guerra Fria. Os sauditas ficaram temerosos por causa de uma possível ascensão de uma nova potência na região e que ameaçaria o poderio e influência saudita.

A religião é outro fator responsável pela divisão de interesses na região. Sunitas e xiitas estão há séculos brigando para definir quem é o representante mais autêntico do islã. Estima-se que cerca de 90% dos muçulmanos sejam sunitas. A Arábia Saudita possui a maior parte de crentes pertencentes a esta “vertente”, enquanto o Irã é o país mais forte de maioria xiita. Iraque, Bahrein e Azerbaijão são outros de maioria xiita do Oriente Médio e que em um possível conflito militar entre as duas potências poderiam se alinhar aos iranianos por questões religiosas.

No momento, quem está no meio da briga dessas duas potências é o Iêmen, que geopoliticamente tem grande importância pela proximidade de seu território com o continente africano e por estar ao lado do reino saudita. Desde 2015, o Irã apoia facções rebeldes para derrubar o governo local que é apoiado pelos EUA e a Arábia Saudita.


A aliança árabe e norte-americana se mantém também por causa do ódio nutrido dos iranianos para com os EUA. O apoio ao Estado de Israel; o estilo de vida da população presente em território americano, onde o homossexualismo e o divórcio são permitidos, por exemplo, e a predominância do cristianismo, que é visto pelos muçulmanos como uma religião politeísta, que profere blasfêmias ao pregar que Jesus é o Filho de Deus e por pregar uma proximidade entre os seres humanos e a figura divina, são outras questões que explicam o motivo pelo qual o Irã alimenta grandes rivalidades com norte-americanos. Inclusive, em 2002, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, chegou a chamar os Estados Unidos de “Grande Satã”.

Se houve em algum momento temor em relação a uma possível ameaça do Irã em relação aos EUA, Israel e Ocidente, ele se intensificou durante o governo de Barack Obama que afrouxou sanções aos iranianos e descongelou cerca de 150 bilhões de dólares em ativos para a continuação de seu programa nuclear.

O presidente Donald Trump é um grande critico do acordo e chegou a dizer que “Um Irã, com uma arma nuclear, iniciaria uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio com consequências potencialmente devastadoras”. Para ele, a sua maior preocupação é com o Estado de Israel, um histórico aliado dos EUA na região. 

Conclusão

Os EUA estão aliados e vendem armas ao reino saudita para impedir o predomínio do Irã no Oriente Médio, que além de ser uma possível ameça aos EUA e ao Ocidente, é também para Israel.

Certamente os sauditas não aprovam as liberdades e o cristianismo que são grandes marcas dos Estados Unidos. No entanto, em busca de manter seu apoio e influência na região, este reino prefere se aliar a quem fornece ajuda econômica e militar contra o seu maior rival no Oriente Médio
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