Não é a política, não é a economia. É a cultura, estúpido!


Por Willy Marques 

«Politics is downstream from culture.» — Andrew Breitbart 

“Tem pré-candidato à Presidência que poderia ressuscitar Mises para colocar com Ministro da Fazenda que não adiantaria: o comando econômico continuaria sendo feito pelo imbecil ignorante em economia na presidência. Vide Joaquim Levy tentando atuar no governo Dilma (...) O Brasil é um país tão surreal que uma tribo indígena acionou o Ministério Público Federal para entrar com uma ação contra a Gol porque o avião da empresa *que sofreu um acidente* com um Legacy caiu dentro da área da aldeia e “carregou a região de espíritos. 

Para compensar os ‘danos espirituais’, que fizeram a tribo mudar de local, eles pediram 4 milhões de reais. E a Gol, para não ter dores de cabeça com a justiça, aceitou. Mas o mais importante é a cultura sim, amiguinho, é só fazer filminho que tudo muda. Economia e instituições são irrelevantes, acredite.” — Marcelo Faria 

Li essas postagens e fui procurar ler posts antigos do sr. Marcelo Faria (Presidente do ILISP), para não ser leviano nas minhas palavras. Durante a leitura dos posts acabei me perguntando o que era mais importante: a revitalização cultural de um país ou da economia? 

Pude notar que essa estirpe de pessoa simplesmente não entende que a cultura não é algo em que a economia possa ou não participar, existindo de forma autônoma. 

Pessoas que se intitulam “liberais” como este sr. simplesmente não entendem que comportamento é crença, como salientava T.S Eliot, e que culto e cultura são exatamente a mesma coisa, um paradigma existencial e social em que todo comportamento humano está inextricavelmente ligado. Logo, o que mais me espanta é o conceito estreito que alguns têm e fazem de cultura. Quando se fala de cultura, essa não se restringe somente a arte e ciência, mas engloba todo o imaginário de um povo como princípio fundante de um país. 

Se a pessoa não é capaz de compreender que isso prova a primazia dela (cultura), seria melhor que fosse plantar batatas no interior de algum estado do Brasil e esquecesse esse tipo de assunto por completo. Isso aí é a prova cabal e irrefutável de que o Sr. Marcelo Faria não leva jeito nenhum para a coisa. 

A empresa Gol não se anteciparia à disputa judicial, se no Brasil não houvesse uma cultura que faz com que uma disputa dessa natureza, com uma tribo indígena, seja bastante ruim para a imagem de uma empresa do porte da Gol, que se no Brasil não houvesse uma cultura jurídica e institucional que pende ao relativismo; que se no Brasil não existisse uma cultura que nos obriga a aceitar, em nome do multiculturalismo, as particularidades de algumas subculturas em detrimento de outras existentes... 

Alguém — genuinamente honesto — acreditaria que o resultado teria sido o mesmo, se a ação movida tivesse sido impetrada por um pastor evangélico de uma igreja neopentecostal, na qual forçando muito (intensifico novamente o ‘muito’) a barra tivesse alegado que a queda do avião da Gol na sua propriedade havia espantado os anjos que o auxiliavam em oração...?

Eis aí a importância da... cultura!
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