Sobre a diferença salarial entre homens e mulheres

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Por Pedro Augusto

Todo ano, principalmente em datas como "O Dia Internacional da Mulher", é comum ver transbordar nos jornais matérias sobre a desigualdade salarial entre homens e mulheres. Para explicar este fenômeno, a resposta geralmente é a mesma: o machismo da sociedade.

Quem olha quasiquer dados ou pesquisas de maneira superficial, como uma do Cathos sobre a remuneração de homens e mulheres, acreditará na conclusão que todos os meios reforçam: as mulheres ganham menos por causa do preconceito.

Porém, ao analisar algumas pesquisas de forma mais aprofundada, a conclusão pode ser bem diferente.  De acordo com o Relatório sobre o Mercado de Trabalho 2001-2013 da Fundação de Economia e Estatística, os homens tem em média uma jornada de trabalho de 41,8 horas por semana, enquanto as mulheres 37,3 horas.  Isso explicaria 12 pontos percentuais dos 20% que separam ambos os sexos.

Um segundo fator seria a maior presença feminina em profissões com menor remuneração. Por exemplo, as mulheres ocupam 73% das vagas de recursos humanos e 62% na educação, porém, são apenas 20% das engenheiras e 16% das especialistas em tecnologia. A diferença não se restringe somente ao nível superior, mas também às baixas escolaridades. Em 2015, uma empregada doméstica ganhava em média R$ 921 mensalmente, enquanto um pedreiros R$ 1908.

A tendência também se repete na medicina. As três áreas de melhor remuneração (cirurgia plástica, cirurgia geral e ortopedia) são dominadas por homens. Eles são 80% dos cirurgiões plásticos, 84% dos cirurgiões e 95% dos ortopedistas, de acordo com o Censo Médico. Já nas especialidades com menor salário, o sexo feminino é quem domina. Elas são 70% das pediatras e 73% das dermatologistas.

Quem também é responsável pela desigualdade salarial entre homens e mulheres é o tempo no mesmo trabalho. O Relatório sobre o Mercado e Trabalho aponta que os homens trabalham em média 6,2 anos no mesmo emprego, enquanto as mulheres 5,5 anos. Trocar de emprego com mais constância nem sempre garante uma nova remuneração igual ou superior a anterior.

Os fatores biológicos também explicam a diferenciação na remuneração. Somente as mulheres podem gerar um filho e elas têm dois em média, de acordo com o IBGE. Portanto, enquanto as mães dão uma pausa na carreira por questões físicas, homens que não tem essa mesma necessidade podem se especializar, fazer cursos, adquirir mais experiência etc.

A maternidade é responsável pela interrupção na carreira de muitas mulheres. Elas tem uma probabilidade de 35% de sair do mercado de trabalho para cuidar dos filhos, enquanto nos homens o número é de somente 14,7%. Enquanto a carreira é interrompida, outras pessoas estão adquirindo mais experiência no mercado e fora dele. Além do mais, sair de um emprego para voltar para um outro depois, não garante a ninguém um salário no minimo igual ao anterior.

Profissões desagradáveis também são também um outro fator. Desentupir esgotos, mexer com cabos elétricos, passar o dia varrendo ruas debaixo de um sol forte é com certeza mais desgastante que ser secretária de um escritório. E são justamente profissões dominadas por homens com uma remuneração levemente maior.

Para os autores do Relatório sobre o Mercado de Trabalho, dos 20% de diferença salarial entre homens e mulheres, 13 pontos percentuais são explicados pelos pontos acima. Outros sete podem ser machismo, diferença na produtividade ou qualquer outro motivo.

O que algumas pesquisas falam sobre o comportamento das mulheres nas 
empresas

Uma pesquisa realizada pela Whirlpool, dona das fábricas Brastemp e Consul, revelou que somente 19% das funcionárias sonhavam em ser diretoras, enquanto com os homens o número chegou a 32%.

O livro The Politics of American Feminism: Gender Conflict in Contemporary Society após um trabalho de pesquisa do professor James T. Bennet do Departamento de Economia da George Mason University, mostrou alguns pontos que explicam a diferença salarial como:

- Homens têm mais interesse por tecnologia e ciências naturais do que as mulheres.

- Homens são mais propensos a aceitar trabalhos perigosos, e tais empregos pagam mais do que empregos mais confortáveis e seguros.

- Homens são mais dispostos a se expor a climas inclementes em seu trabalho, e são compensados por isso ("diferenças compensatórias" no linguajar econômico).

- Homens tendem a aceitar empregos mais estressantes que não sigam a típica rotina de oito horas de trabalho em horários convencionais.

- Muitas mulheres preferem a satisfação pessoal no emprego (profissões voltadas para a assistência a crianças e idosos, por exemplo) a salários mais altos.

- Homens, em geral, gostam de correr mais riscos que mulheres. Maiores riscos levam a recompensas mais altas. Horários de trabalho mais atípicos pagam mais, e homens são mais propensos que as mulheres a aceitar trabalhar em tais horários. Empregos perigosos (carvoaria) pagam mais e são dominados por homens.

- Homens tendem a "atualizar" suas qualificações de trabalho mais frequentemente do que mulheres.

- Homens são mais propensos a trabalhar em jornadas mais longas, o que aumenta a divergência salarial.

- Mulheres tendem a ter mais "interrupções" em suas carreiras, principalmente por causa da gravidez, da criação e da educação de seus filhos. E menos experiência significa salários menores.

- Mulheres apresentam uma probabilidade nove vezes maior do que os homens de sair do trabalho por "razões familiares". Menos tempo de serviço leva a menores salários. Homens trabalham mais semanas por ano do que mulheres.

- Homens apresentam a metade da taxa de absenteísmo das mulheres.

- Homens são mais dispostos a aturar longas viagens diárias para o local de trabalho.

- Homens são mais propensos a se transferir para locais indesejáveis em troca de empregos que pagam mais.

- Homens são mais propensos a aceitar empregos que exigem viagens constantes.

- No mundo corporativo, homens são mais propensos a escolher áreas de salários mais altos, como finanças e vendas, ao passo que as mulheres são mais predominantes em áreas que pagam menos, como recursos humanos e relações públicas.

- Quando homens e mulheres possuem o mesmo cargo, as responsabilidades masculinas tendem a ser maiores.

- Homens são mais propensos a trabalhar por comissão; mulheres são mais propensas a procurar empregos que deem mais estabilidade. O primeiro apresenta maiores potenciais de ganho.

- Mulheres atribuem maior valor à flexibilidade, a um ambiente de trabalho mais humano e a ter mais tempo para os filhos e para a família.


Um ponto a se observar 

As pesquisas que sempre estão no centro das atenções quando se fala da diferença salarial entre os homens e mulheres, expõem dados que se tratam de uma média. Portanto, as mulheres e os homens estarão sujeitos a todos os fatores expostos acima, como a pausa na carreira, escolhas individuais, número de mulheres em um ramo (se uma mulher está em um ramo do mercado dominado por homens a probabilidade deles estarem em cargos de maior remuneração é maior justamente por estarem em maior número), etc.



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