Liberais cobram perfeição do Bolsonaro. Mas e os outros candidatos?


Por Wilson Oliveira

Em entrevista à jornalista Leda Nagle, Bruno Garschagen afirmou ver como positiva toda essa confusão que acontece no Brasil em volta dos debates políticos. Sim, ele falava do mundo (ou seria submundo?) da internet, onde os "encontros diplomáticos" muitas vezes parecem mais "barraco de reunião de condomínio". Segundo Garschagen, esse é um processo que terminará em amadurecimento.

A maior evidência dessa confusão que sinaliza o estágio que nos encontramos é qualquer discussão que reúna apoiadores e não-apoiadores do deputado federal Jair Bolsonaro (Patriota).

É óbvio que existe uma militância dedicada a fazer propaganda na internet em prol da candidatura do deputado. Eles estão no direito deles, que é democrático. O mais interessante, no entanto, é o um peso e as duas medidas adotados quando se fala do Bolsonaro e dessa campanha.

Os liberais, por exemplo, exigem dele uma perfeição que sabem muito bem que nunca terão. Porém, e os demais candidatos? São perfeitos? Um dia serão?

Em uma antiga entrevista, que possui quase duas décadas de aniversário, Jair Bolsonaro proferiu frases sobre Hugo Chávez que não são exatamente as que queremos ouvir. Ora, ora, ora... Mas pra que irmos tão longe quando recentemente, pra ser mais exato, neste ano mesmo de 2017, vimos Geraldo Alckmin, Ciro Gomes e até mesmo João Doria lamentarem, com muita compaixão, o aniversário de 50 anos da morte de Che Guevara?

Disse João: "Che Guevara foi ícone de uma geração de jovens idealistas. Pena que sua imagem foi utilizada para promover regimes totalitários na América Latina". Errado! Não foi a imagem de Che que foi utilizada para o totalitarismo. Foi o próprio Che quem, ao lado de Fidel Castro, deu início a um regime completamente totalitário em Cuba, com perseguição e fuzilamento de muitos inocentes, incluindo gays e praticantes do candomblé.

Agora vamos analisar a declaração de Geraldo:

"Che Guevara foi um homem fiel aos seus princípios. Morreu lutando pelo que acreditava e, por isso, tornou-se um mito. Mas sua imagem certamente é maior que seu legado". Realmente! Che sempre foi fiel aos seus princípios: ele queria matar inocentes em nome de uma ideologia, e assim o fez antes e após chegar ao poder em Cuba.

Mas não é no mínimo estranho o governador de São Paulo chamar um totalitário assassino de "mito"? Seria Alckmin um Guevaraminion? Isso também não teve a mesma repercussão nesse mundo (ou seria submundo?) da internet.

Para finalizar, chegamos a declaração dele, o ex-um monte de coisa na política, Ciro:

"Ernesto Che Guevara deixou um ensinamento universal como frase: hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás". Ou seja, tem que matar muito, mas com jeitinho? Essa foi outra aberração dita por um pretenso candidato a presidência, feita em outubro de 2017, que não teve a mesma repercussão nesse mesmo mundo (ou seria submundo?) da internet.

Se de um lado muitos eleitores do Bolsonaro precisam entender que ele não é perfeito (o próprio já afirmou que não é salvador do pátria), por outro, seus críticos precisam perceber que não adianta cobrar perfeição e fazer todas as reclamações apenas sobre o deputado. Ele não é perfeito. Mas e os outros?

Talvez essa pergunta só seja respondida quando, como disse Bruno Garschagen, conseguirmos amadurecer o debate político. E só hoje essas discussões estão rasas, os eleitores do Bolsonaro não são os únicos culpados. Seus críticos também colaboram bastante para a queda no nível. E isso é péssimo para todos nós, pois a eleição já é no ano que vem.

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