A Lei Rouanet é uma coisa inadmissível


Por Ruben Guanais
Da página Trincheira da Liberdade

Durante o programa Roda Viva que foi ao ar em 3 de março de 1989, Millôr Fernandes, perguntado sobre uma desavença entre ele e Chico Buarque, afirmou: "Eu não briguei com o Chico Buarque, jamais briguei com Chico Buarque. O que acontece é o seguinte, eu não gosto de falar disso porque essas coisas se refletem em fofoca, você fala uma coisa aqui e essas coisas vão reverberando. Eu não briguei, os defeitos do Chico Buarque se chocaram comigo, defeitos que eu não tenho". Em seguida, frasista reconhecido, completou: "Se você quiser uma frase minha e quem quiser que se sinta ferido com ela: eu desconfio de todo idealista que lucra com seu ideal".

Como se sabe, hoje em dia, o que não falta, no Brasil, é artista defendendo esquerdismo e se esbaldando em leis de incentivo, como a Rouanet. Além do autor de "Homenagem ao Malandro", na lista de aprovados pelo MinC para buscar verba junto a pessoas físicas e jurídicas através de renúncia fiscal, aparece Gilberto Gil (ex-ministro da Cultura), Caetano Veloso e Paula Lavigne (casal conhecido por fazer apologia à pedofilia), além de Letícia Sabatella, José de Abreu, Tico Santa Cruz, Gregório Duvivier, Fabio Porchat, Jô Soares, MC Guimê, etc.

É, pelo visto, numa coisa Buarque tem razão: incluso ele próprio, "o que dá de malandro regular, profissional, malandro com aparato de malandro oficial, malandro candidato a malandro federal, malandro com retrato na coluna social, malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal", não está em nenhum gibi. Por falar em música, "malandro é malandro, mané é mané", já disse Bezerra da Silva. No caso em questão, manés somos nós, que patrocinamos todo esse festival de dinheiro público. Por mais que tudo estivesse dentro da lei (a Operação Boca Livre indica o contrário) artistas defendendo ideologia de governos que lhes advogam benesses, no mínimo, fere a ética. Melhor que ficassem calados. Temos aqui, repetidamente, a figura do "idealista que lucra com seu ideal".

O fato é que a Lei Rouanet não tem razão de ser. O Estado não tem como definir o que merece ou não ser patrocinado. Prova disso são as bizarrices e o atentado ao bom senso. Os burocratas de Brasília aprovaram milhões e milhões de reais para "preservação, catalogação, digitalização e acesso ao acervo" do ex- presidente Fernando Henrique Cardoso no iFHC. Foram além, e destinaram verba, muita verba, para projetos como site com declamação de poesias na voz de Maria Bethânia (1,3 milhão), musical baseado no personagem Shrek (17,8 milhões), peça teatral com Peppa Pig (1,7 milhão), shows do Luan Santana (4,1 milhões) e Claudia Leitte (5,8 milhões), e espetáculo do Cirque Du Soleil (9,4 milhões - apresentações circenses elitizadas, pelas quais foram cobrados mais de um salário mínimo por ingresso).

São bilhões de reais que, certamente, seriam melhor investidos em Educação, o que produziria cidadãos com mais poder aquisitivo e mais preparados para apoiar, individualmente e por livre e espontânea vontade, o que achasse melhor e mais conveniente. Do jeito que está, o Estado torra dinheiro público, e, pior, o faz financiando ideologia que atenta contra a própria sociedade. A Lei Rouanet precisa entrar no rol do inadmissível. Fala-se em mudanças na Lei, mas isso não basta. Não faz sentido, a um só tempo, combater e financiar pautas como aborto, racismo, pedofilia, feminismo, vitimismo, comunismo e outras canalhices.


*Ruben Guanais é corretor de imóveis, nano empresário, jornalista sem CLT e em função da cachaça que corre nas veias, idealizador e coordenador da página Trincheira da Liberdade, conservador, minarquista, que acredita no indivíduo livre e responsável como mola propulsora da evolução da sociedade.
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