A tese marxista de países pobres explorados é uma farsa


Por Nicolas Carvalho de Oliveira*

Lembra daquela abobrinha que escutamos por todo o Ensino Fundamental II e Ensino Médio de que as nações ricas são ricas por que exploram as pobres? Como se economia fosse jogo de soma zero, ou seja, havendo um limite de riqueza disponível no mundo? Esquecendo todos os países que há 60 anos eram pobres e hoje são ricos (Coreia do Sul, Japão, Hong Kong, Cingapura, etc), e seguindo essa lógica num exemplo mais banal, Steve Jobs seria um dos causadores da pobreza terceiro-mundista.

Foda-se se criou um produto que além de suas funções próprias (mini-computador, mini-videogame, etc), integra telefone, câmera, player de música, etc, que se você comprasse separado sairia bem mais caro. Pra esquerda, a visão de mundo sempre será binária: tem que ter os malvados e os bonzinhos.

Evidentemente, estamos inclinados a ver o governo como o malvado da história, pois se não é ele que causa os problemas é quem serve de ponte para alguém causar (como em cartéis de regulação, como a Anatel e suas empresas protegidas, com seus serviços horríveis à preços tirânicos). Mas para a esquerda é inconveniente que o povo tenha antipatia com o governo, porque todos seus objetivos estão relacionados ao aumento do poder central dele.

Enfim, a própria Rússia soviética é um exemplo de como esse argumento não tem sentido. Dentre os países que formavam a URSS, a Rússia era como uma grande Casa suserana da Idade Média. Os recursos dos outros países, seus vassalos, eram direcionados prioritariamente para a mãe Rússia. Os mais maltratados foram a Ucrânia, com seus solos mais férteis do mundo (o confisco de grãos que causou o Holodomor não foi feito lá por coincidência), e o Azerbaijão, com suas grandes reservas de petróleo. Mesmo assim, a Rússia continuou e continua um país subdesenvolvido.

Voltando uns séculos no tempo, o Império da Espanha se tornou, no século 17, a nação mais rica desde a queda de Roma. A causa de toda essa riqueza foi a descoberta de vastas minas de prata nos Andes boliviano, principalmente na cidade de Potosí. Com dezenas de milhares de servos indígenas e técnicas avançadas de mineração, a Espanha produzia e ostentava cerca de 90% da prata do mundo. A riqueza da Espanha era tão, mas tão grande, que suas moedas eram usadas no mundo todo (como o dólar hoje), ocasionando uma revolução monetária crucial para o processo de expansão do capitalismo.

Com tudo isso, segundo a lógica dos professores de geografia e história do Ensino Médio, por que a Espanha hoje não figura nem entre os 20 países com maior padrão de vida no mundo? Porque o que torna um país rico são seus incentivos para a produção de riqueza. Ou seja: política estável e, acima de tudo, uma economia desimpedida, com impostos baixos, regulações mínimas ou inexistentes e um governo que não cometa exageros financeiros, torrando o orçamento e fomentando a inflação.

Em suma, as leis naturais da economia, conhecidas como livre mercado, são as que resolvem e enriquecem. A Inglaterra, há 330 anos (1688, Revolução Gloriosa), veio com toda essas ideias implantandas e ainda hoje é um dos países com melhor padrão de vida no mundo. Confiscar riqueza e injetar num sistema falido é como quando o governo confisca mais imposto para tentar salvar aquela estatal que sempre dá prejuízo. É tentar conter um incêndio na floresta com uma pistolinha d'agua. Chávez fez exatamente isso com o dinheiro do petróleo venezuelano, numa economia sem liberdade - e hoje os venezuelanos morrem de fome.

Havia uma época que essa bobajada de "extrair riqueza dos países mais pobres" realmente era a forma de tornar a nação mais rica no longo prazo. Na Antiguidade, quando as províncias com maior liberdade de empreendimento e comércio (geralmente as portuárias, como Atenas e seu porto de Pireu, as muito férteis, como Egito, as manufatureiras-comerciantes, como Cártago, e as de especiarias, como a Índia) eram as mais ricas. Era questão de tempo para virarem alvo de nações não tão ricas, mas que investiam seu dinheiro em exércitos.

Então, a ex-cidade rica era invadida e saqueada, e aniquilada ou anexada. Entretanto, era um círculo vicioso: como Roma mostrou, o império militarista tinha uma lógica febril, que nunca se saciava, gastando cada vez mais com exércitos e aventuras em busca de glória, levando ao poder idiotas gananciosos metidos a conquistadores que oprimiam cada vez mais a população com impostos que eram elevados ano após ano, sem piedade.

A partir da Baixa Idade Média, com a unificação de países e o contínuo progresso de estabilização social sob o sistema hierárquico do feudalismo e da monarquia, a situação da Europa começou a ficar mais integrada e menos tribal. Apesar disso, esse discurso que vitimiza o Terceiro Mundo e culpa o homem branco cristão do Primeiro Mundo não foi criado sobre nenhum alicerce histórico, mesmo que atrasado em 1.500 anos.

É só mais uma das narrativas inspiradas na luta de classe marxista, que nunca fez sentido e nunca vai fazer, mas é eficaz para o populista enganar o pobre, ser eleito e implantar o socialismo que convenientemente aumenta seu poder a níveis ditatoriais. Mesmo que faça a nação morrer de fome, ainda terá defensores ignorantes que acreditam mais em discurso do que na prática, como Fidel Castro, comunista por conveniência, percebeu muito bem.


*Nicolas Carvalho de Oliveira é um jovem estudante liberal clássico da tradição Whig que não gosta de autodescrições longas.
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