Assassinatos nesta segunda, na Venezuela, aproximam Maduro de Hitler


Por Wilson Oliveira*

Foi com bastante apreensão que venezuelanos e todos os cidadãos espalhados pelo mundo acompanharam a saga de Óscar Pérez nesta segunda-feira pela internet. Desde a parte da manhã no horário do Brasil e da Venezuela, era possível assistir aos vídeos que o ex-piloto da polícia científica daquele país postava em duas contas criadas por ele próprio no Instagram, @equilibriogv e @oscarperez_ve.

Na primeira conta, a descrição traz: "Para aprovar a INGERÊNCIA HUMANITÁRIA na ONU, ferramenta que nos ajudará a sair da narco ditadura. Assine aqui www.resistenciavenezolana.org". Na segunda, a seguinte mensagem é passada com letras maiúsculas: "Nova conta. Em busca da justiça na Venezuela. Me apoiem nessa nova conta, pois a anterior será eliminada".

Pérez sabia, mais do que ninguém, que as forças policiais da Venezuela, sob o comando do ditador Nicolás Maduro, estavam investigando o local do esconderijo que abrigava ele e seus colaboradores, que para a ditadura bolivariana, a imprensa chapa-branca e todas as autoridades encurvadas a Maduro aqueles manifestantes só poderiam ser classificados como "terroristas".


Uma verdadeira operação de guerra foi organizada para o abatimento de Pérez e os demais integrantes do esconderijo. Camburões blindados carregando atiradores de elite saíram em retirada pelas ruas de Caracas em direção a El Junquito, localizado a 25 quilômetros a noroeste da capital venezuelana. No local, os homens da guarda bolivariana chegaram a iniciar um diálogo com Pérez, combinando que não haveria nenhum disparo e que eles poderiam se entregar para que todos saíssem de lá sãos e salvos.


No vídeo abaixo, editado e legendado pelo autor deste artigo, é possível ver que toda a conversa dos policiais venezuelanos não passou de uma mentira. Como é possível ver no vídeo, eles alvejaram o esconderijo para que Óscar Pérez e seus colaboradores, entre outros ex-policiais e civis, deixassem o local e se entregassem. O que chegou a acontecer, momento pelo qual sete pessoas foram brutalmente assassinadas. Havia uma mulher.



Segundo o governo ditador da Venezuela, Pérez e seus colaboradores, que chegaram a aparecer em alguns vídeos armados, abriram fogo contra os "funcionários do governo", fazendo com que os policiais que acompanhavam fiscais do Ministério Público respondessem com tiros e uso de explosivos contra o local do esconderijo.

Pérez era o maior líder não-político de oposição a Maduro

A morte de Óscar Pérez significa que a partir de agora o povo venezuelano fica órfão do seu maior líder não-político de oposição ao ditador Nicolás Maduro. No dia 27 de junho de 2017, Pérez e alguns colaboradores sobrevoaram importantes sedes do poder daquele país, como o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) e o Ministério do Interior, utilizando um helicóptero da polícia venezuelana.

Fontes do governo ditador de Nicolás Maduro atestaram que Pérez e seus colaboradores dispararam tiros e granadas contra os locais durante o referido sobrevoo de helicóptero. A versão é no mínimo curiosa, uma vez que não há registro de nenhum ferido nesses episódios. A partir deste fato, o grupo de Pérez passou a ser classificado pela polícia da Venezuela como "perigoso grupo terrorista capaz de produzir iminente perigo contra todo país".


Os voos, que para Nicolás Maduro tiveram "caráter inegável de ataque à soberania de um governo popular e democrático", aconteceram durante forte onda de protestos contra a ditadura chavista instalada na Venezuela. No entanto, Maduro utilizou o fato para se vitimizar. Em cadeia nacional, no canal oficial do governo, o ditador afirmou que o país corria o risco de ser alvo de "repetidos ataques terroristas praticados por venezuelanos descontentes com a crise ocasionada pela elite empresarial do país".

Ao contrário do que era esperado por movimentos espalhados pelo mundo que agem para organizar uma oposição internacional à ditadura da Venezuela, Óscar Pérez e seus colaboradores não conseguiram uma forte adesão do povo venezuelano. Muitos, apesar de serem contra Maduro, ficaram com a versão que as práticas daquele grupo de ex-policiais, de fato, era uma espécie de terrorismo. Antes de morrer, no entanto, Pérez declarou amar seus três filhos e disse que tudo o que estava fazendo era pelas crianças da Venezuela.

Esquerdistas brasileiros fizeram dancinha para Maduro em 2015

O grupo Levante Popular da Juventude, composto por jovens militantes de esquerda, que tiveram participação ativa em protestos de ruas pelo Brasil nos últimos anos, cuja principal marca é o uso de acessórios de vestuário encobrindo o rosto, chegou a gravar um vídeo em 2015 com uma dança para manifestar apoio à ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela.



Além do Levante, políticos e partidos brasileiros possuem atitudes de apoio ou de silêncio ao que acontece na Venezuela. Em abril de 2013, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) chegou a publicar um artigo manifestando que apoiava Maduro e que enviaria membros à Venezuela para acompanhar a eleição daquele país. Posteriormente, o PSOL apagou o artigo do seu site, mas a publicação na sua página oficial do Facebook segue no ar, neste link.


No dia 30 de julho de 2017, a versão brasileira do jornal espanhol "El País" publicou um artigo sobre o apoio da esquerda brasileira às práticas legislativas de Nicolás Maduro para aumentar seu próprio poder na Venezuela. A publicação traz como título: "Do PT ao PSOL, esquerda do Brasil poupa Maduro de críticas e apoia Constituinte". O primeiro parte do artigo traz as seguintes informações:

"Enquanto a Venezuela vive uma escalada das tensões sociais que já ultrapassa 100 dias, parte consistente da esquerda brasileira poupa o presidente Nicolás Maduro das críticas e apoia a controversa eleição para integrantes de Assembleia Nacional Constituinte, convocada para este domingo.

Representantes e lideranças de diferentes partidos ouvidos por EL PAÍS e um especialista em relações internacionais apresentaram se alinhar ao Governo chavista. Os que aceitaram falar com a reportagem – alguns preferiram se omitir sobre o tema – defendem o bolivarianismo, evitam criticar Maduro e acham pertinente a convocação da Constituinte agora, como uma tentativa de se restabelecer a ordem".

A comparação de Nicolás Maduro com Adolf Hitler

Partiu do autor deste artigo, após ler alguns relatos sobre as ações de Maduro, a comparação do ditador da Venezuela com o líder nazista Adolf Hitler, que comandou a Alemanha de 1934 a 1945. Naquele período, em território alemão, judeus eram perseguidos e mortos pela polícia do país. O mesmo está acontecendo na Venezuela, porém, em vez dos alvos serem judeus, são opositores da ditadura bolivariana, sejam políticos, civis ou militares.


Reforçando ainda mais o clima de desespero e sofrimento por parte do povo venezuelano, em outra reportagem de El País, desta vez no dia 26 de julho de 2017, foi divulgada a informação de mais de 500 mil pessoas solicitando o cartão de fronteira que concede permissão para o ingresso na Colômbia cruzando a região de Cúcuta. A mesma reportagem também revela o fato de outros tantos cidadãos terem como destino o Equador, o Peru e o Chile.


"Os residentes na Venezuela que já solicitaram um documento chamado Cartão de Mobilidade Fronteiriça, criado recentemente para regular a imigração, chegam a 560.000 aproximadamente. O regime de Maduro fechou a fronteira em agosto de 2015 e a reabriu um ano depois. Em 2016 já ocorreram em momentos pontuais grandes êxodos à Colômbia. Durante um final de semana de abertura temporária entraram no final do ano passado por volta de 150.000 pessoas".

A morte de Óscar Pérez deixa claro que, além de não haver comida nem itens básicos de sobrevivência como papel higiênico, também não há qualquer possibilidade de viver na Venezuela caso o cidadão manifeste oposição a Nicolás Maduro. Não foi a primeira vez que informações vindas daquele país deram conta do assassinato brutal de um opositor. Outros episódios também trouxeram relatos de tortura a presos políticos que se encontram em unidades carcerárias de Caracas.


A situação é tão crítica que Ricardo Hausmann, diretor do Centro para Desenvolvimento Internacional da Universidade Harvard, ex-ministro do Planejamento da Venezuela entre os anos de 1992 e 1993, e ex-economista-chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento, chegou a pedir, em artigo publicado na Folha de S. Paulo dia 3 deste mês, uma intervenção militar internacional em território venezuelano para retirar, à força, Nicolás Maduro do poder.

Segundo Hausmann, a Assembléia Constituinte instalada por Maduro no meio do ano passado - considerada inconstitucional por órgãos estrangeiros - praticamente aniquilou qualquer força política de oposição no país. Ou seja, com a morte de Pérez, não há mais qualquer grupo organizado de pessoas para lutar contra Maduro na Venezuela.


*Wilson Oliveira é defensor do retorno da monarquia parlamentar no Brasil. É conservador monarquista, com influências da tradição anglo-saxã do liberalismo clássico, do minarquismo, da Escola Austríaca e da Escola de Chicago. Reside no Rio de Janeiro, é jornalista e editor-chefe de O Congressista.
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