Bolívia é exemplo real e atual que socialismo só traz tirania


Por Wilson Oliveira*
Com colaboração especial de Fellipe Luiz Villas Bôas

Está em análise no congresso boliviano o novo Código Penal do país proposto pelo ditador Evo Morales. No documento, uma série de regras formam o centro de uma mensagem nada democrática: a de que a liberdade de expressão, seja ela religiosa ou de imprensa, é uma concessão do Estado. Se aprovado, o conjunto de regras praticamente proibirá qualquer crítica ao governo ou conversão religiosa de algum indivíduo no país.

Maria Anelin Suárez, do movimento "Las Calles Bolívia", em entrevista ao programa "A Protagonista" (vídeo abaixo), do canal no Youtube do jornal Gazeta do Povo, pegou como exemplo um dos trechos mais polêmicos deste novo Código Penal, que é o código 88, inciso 11º, que equipara a conversão religiosa ao tráfico de pessoas para o conflito armado, condenando as pessoas que se converterem a uma religião a uma pena de sete a 12 anos de prisão, podendo também ser obrigada a pagar por danos morais ao governo.

O novo sistema de códigos da Bolívia ganhou o apelido de "Código Maldito" pelos seus inúmeros artigos que vão contra a liberdade e que entram em choque com a própria Constituição do país. Há outros artigos, por exemplo, que facilitam aos traficantes de drogas - também responsáveis por outros crimes como o homicídio - o tráfico de maiores quantidades de substância, além da redução na pena para esse tipo de transgressão.



Outro ponto bastante questionável dentre as intenções de Evo Morales é a criminalização da simples associação de três ou mais pessoas para fins políticos. A partir desse código, a polícia passa a ter o direito de autuar esses cidadãos e levá-los para a delegacia pelo delito de estarem manchando a honra do presidente boliviano.

Engana-se, no entanto, quem acredita que o estado de exceção só será praticado na Bolívia após a aprovação do novo código. Antes mesmo do documento entrar em vigor, a polícia boliviana já tem agido com todo rigor proibindo manifestações contrárias ao governo, sem respeitar nem mesmo as residências nem as igrejas. Episódio de espancamento de pessoas dentro das igrejas tem sido relatado com frequência nos últimos meses.

Com o novo código aprovado, o poder da polícia ficará ainda maior, pois será permitida a invasão à residência de qualquer pessoa, mesmo sem uma ordem judicial, para busca e apreensão e até mesmo autuação. E para o cidadão boliviano não há qualquer válvula de escape quando o assunto é segurança pública, pois tanto a polícia como o exército boliviano estão alinhados com a ditadura de Evo Morales.

E antes mesmo da aprovação desse código que aumentará ainda mais a tirania na Bolívia, outro código está sendo confeccionado, que é o Código Civil, que traz como umas das principais características o fim ao direito de herança. Ou seja, se uma pessoa que possui muitos bens falecer, todos os bens passarão a pertencer ao governo.

As raízes socialistas do povo latino-americano

O que precisa ficar bem claro, que inclusive é afirmado categoricamente por Maria Anelin Suárez, do movimento Las Calles Bolívia, é que o modelo adotado por Evo Morales é inspirado nas ditaduras cubana e venezuelana. E essas ditaduras socialistas na América Latina não são meras obras do acaso. Elas só se tornaram realidade porque essa tem sido a vontade de muitas pessoas nos países sul-americanos e centro-americanos.


No livro "Guia Politicamente Incorreto da América Latina", Leandro Narloch e Duda Teixeira tocam em dois pontos fundamentais para entendermos por que esses fenômenos são tão corriqueiros na história da América Latina: o culto a Ernesto Che Guevara e o culto a Simón Bolívar. Logo no primeiro capítulo do livro trata sobre a figura de Che. Confira um trecho:

"Não tem como negar: na América Latina e mesmo fora dela, Che é o cara. Seu nome e seu retrato estão em álbuns de rock, na capa de livros, no estepe externo de carros esportivos. O guerrilheiro argentino dá nome a dezenas de espaços públicos com funções bonitinhas, como o Centro Urbano e Arte (Cuca) Che Guevara, no Ceará, ou a Cooperativa de Trabalho Ernesto Che Guevara de Córdoba, na Argentina, além de ruas e praças em todo o continente.

É possível estudar na escola "Che Guevara" tanto em Quito, no Equador, quanto na Argentina ou em Monte do Carmo, no interior de Tocantins. O guerrilheiro foi homenageado pela escola de samba Unidos da Ilha da Magia, campeã do carnaval 2011 de Florianópolis. A filha dele, Aleida, desfilou em um carro alegórico no formato de um tanque de guerra.

(...) Quem exibe a imagem ou o nome de Che tem seus motivos para admirá-lo. Dizem que, diante de um mundo tão voltado à competição, ao sucesso individual e ao dinheiro, é bom se lembrar de alguém que deu a vida por uma sociedade diferente. Se não se pode mudar o sistema por completo, pelo menos se pode fazer um pequeno ato de protesto, estampando o rosto de um jovem aventureiro que, argumentam alguns, renunciou o próprio bem-estar em prol de uma ideia, libertou-se da vida convencional para defender os oprimidos e apostar no sonho de um mundo melhor.

Che é para essas pessoas um símbolo de tudo o que dizem defender: a paz entre os povos, a tolerância, a defesa dos direitos dos mais fracos e dos trabalhadores e o fim da exploração econômica. Mas Che lutou contra as bandeiras que os seus fãs defendem".

No terceiro capítulo, os autores do livro tratam sobre Símon Bolívar, outro personagem da história latino-americana que representa o DNA socialista dos povos desses países. Confira um trecho:


"Bolívar, que nasceu na Venezuela, foi o protagonista de momentos decisivos na história desse e de outros cinco países. No fim do século 18 e início do 19, período em que ele viveu, as colônias espanholas na América nutriam enorme ressentimento com a metrópole.

Durante a dinastia dos Bourbon, que governou a Espanha até 1808, o controle comercial foi restringido, e os impostos, elevados. Intendentes espanhóis foram nomeados para substituir os criollos, ou seja, os nativos americanos descendentes de europeus, nos principais cargos da burocracia do Estado.

Sob o reinado Bourboun, os oficiais de patentes mais elevadas no exército também passaram a ser, obrigatoriamente, espanhóis. As colônias eram obrigadas a importar produtos como fumo, pólvora e tecidos apenas da Espanha e era apenas para lá que deveriam exportar seus metais e seus produtos agrícolas.

(...) Um dos mais ricos desses proprietários, Simón Bolívar, uniu-se aos demais criollos venezuelanos para declarar a independência e iniciar uma série de batalhas contra a Espanha. Ele atravessou os Andes com uma tropa de venezuelanos e de mercenários ingleses até a atual Colômbia. Contando sempre com a ajuda dos criollos locais, começou uma luta vitoriosa no país vizinho.

Enquanto isso, Equador e Panamá declararam sua independência. Depois, Bolívar viajou rumo ao sul, para o Peru, e repetiu o feito. Subiu até o alto Peru, atacou novamente os espanhóis e assim contribuiu para a criação de uma nova nação, batizada em sua homenagem: Bolíva. Em 1821, seguindo suas ambições, Venezuela, Colômbia e Equador se uniram em um mesmo país, a Grande Colômbia, que tinha Bolívar como presidente e ainda incluía o Panamá.

Quase 200 anos após sua morte, todos esses países guardam uma dívida para com Bolívar, mas em nenhum deles a adoração é tão intensa quanto na Venezuela. Graças ao empurrãozinho do presidente Hugo Chávez, eleito em 1998, Bolívar é um herói internacional. Com ele, o bolivarianismo expandiu-se e ganhou o coração de muitos presidentes de esquerda (até da Argentina, onde o libertador jamais esteve!), ansiosos por confessar sua "pegada bolivariana" e ganhar como recompensa alguns petrodólares venezuelanos".

E ainda tem gente achando que derrubará o socialismo na América Latina apenas falando sobre economia, sem se preocupar com a guerra cultural, quando na verdade a mentalidade de justiça social está impregnada justamente na cultura dos latino-americanos, incluindo, é óbvio, os brasileiros, que, embora às vezes isso seja esquecido, estão inseridos na região.


*Wilson Oliveira é defensor do retorno da monarquia parlamentar no Brasil. É conservador monarquista, com influências da tradição anglo-saxã do liberalismo clássico, do minarquismo, da Escola Austríaca e da Escola de Chicago. Reside no Rio de Janeiro, é jornalista e editor-chefe de O Congressista.
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