Liberais que defendem aborto não são pró-vida


Por Ruben Guanais*

O pensamento conservador recomenda que, para assegurar convivência pacífica entre cidadãos, uma sociedade não deve admitir que indivíduo algum atente contra a vida de outrem. "Ensina a todos os homens que, sendo todos iguais e livres, nenhum deve prejudicar a outro quanto à vida, à saúde, à liberdade, às posses", aconselha John Locke. Por ser a vida propriedade maior de qualquer ser humano, e por considerar que somos iguais perante a lei, defender a vida de terceiros é fundamental, se não por virtude de amor ao próximo, por virtude de interesse próprio mesmo.

Aqui, trato da defesa da vida não apenas por previsão legal, mas também por cultura, por pregação, defesa essa que deve ser empreendida sem relativismo. Em sociedade democrática, leis surgem e se modificam no decorrer do tempo, em conformidade com o que deseja ou aceita a generalidade. Porém, nem sempre o que é considerado justo pela maioria garante direitos individuais. "Democracia são dois lobos e um cordeiro votando sobre o que comer no almoço. Liberdade é uma ovelha bem armada contestando o voto", fabula Benjamin Franklin. Vale observar que muitas vezes o rebanho é extenso, mas por frouxidão de princípios ou por indução, vota em proveito da alcateia.

Defender a vida é o óbvio do óbvio. Entretanto, no mundo atual, dito moderno, tal princípio não tem sido observado. Exemplo disso é quando grupos insurgem trazendo nas mãos a pauta da legalização do aborto. Progressistas, de um modo geral, e feministas, com mais frequência, fazem apologia ao aborto de forma aberta, escancarada. Por motivos escusos - explaná-los aqui tornaria este texto demasiadamente prolongado -, empregam tempo, além de vultosas somas em dinheiro, em prol do abortismo. Chega a ser bizarro o nonsense de ativistas tantos, que dedicam a própria vida em conspirar contra a alheia.

Muita gente, mesmo que de boa fé, endossa, ingenuamente, o discurso macabro da esquerda. É muito comum debates inflamados entre conservadores e partidários da ala, digamos assim, "flex behavior" do liberalismo, tanto em redes sociais quanto em ambientes acadêmicos, onde estes últimos, em nome de uma liberdade sem o freio da responsabilidade e da prudência, são favoráveis ao que chamam, por eufemismo, de "interrupção de gravidez", sob o argumento de que a ciência não teria consenso sobre onde começaria a vida. Alimentam-se da teoria de meia dúzia de "cientistas", que advogam que a vida teria início no terceiro mês de gravidez, quando formado no feto o tronco cerebral. Trocam, assim, ciência por suposição barata. Mais que isso, deixam no ar uma pergunta: Na dúvida, mata?

Teorias à parte, a ciência, verdadeira, esclarece, e desde muito, que a vida de todo e qualquer ser humano tem início no exato momento em que um espermatozoide se une a um óvulo. Observe que, até então, cada gameta, tanto o feminino quanto o masculino, apresentava apenas 23 cromossomos, metade do que contém cada uma das demais células do corpo humano. Curioso, não?

É no momento mágico da concepção que nos transformamos na fusão do material genético dessas duas células haploides, que formam agora uma única, diploide, contendo, veja que coisa, 46 cromossomos. Temos aqui, portanto, um corpo unicelular distinto, uma nova pessoa. Mesmo antes da nidação, o que ocorre por volta do sexto dia de existência, um embrião é capaz de desenvolver coordenação vital, e carrega material gênico próprio, DNA, que acompanhará este novo indivíduo por toda sua existência, seja até a velhice ou encurtada pela violência de um assassinato com requinte de crueldade.

Um dos motivos que leva alguém a abortar é que feto não chora, não fala, não sorri para a câmera, etc. Feto é um ser humano invisível aos olhos físicos. Por ser assim, é mais fácil passar desapercebido a quem sofre de daltonismo político, ou miopia espiritual. Sobre os apologistas dessa prática, convém lembrar que os progressistas que corrompem a sociedade relativizando a vida de um ser humano em fase zigoto, são os mesmos que, entre outras coisas, deitam loas a personagens tirânicos, que protagonizam genocídios ao longo da história. Tudo em favor "da causa".


*Ruben Guanais é corretor de imóveis, nano empresário, jornalista sem CLT e em função da cachaça que corre nas veias, idealizador e coordenador da página Trincheira da Liberdade, conservador, minarquista, que acredita no indivíduo livre e responsável como mola propulsora da evolução da sociedade.
Liberais que defendem aborto não são pró-vida Liberais que defendem aborto não são pró-vida Reviewed by O Congressista on 14:30:00 Rating: 5

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.

Tecnologia do Blogger.