Mesmo com o voto impresso precisamos desconfiar


Por Ruben Guanais
Da página Trincheira da Liberdade

Naquela época, parecia ser apenas mais uma notícia ufanista, uma patriotada, dessas que surgem vez em vez, para alívio do complexo de vira-latas diagnosticado por Nelson Rodrigues: o Brasil, zil, zil estaria se arvorando a passar a perna no Tio Sam. Difícil de acreditar: eleitores do Vale do Silício votando em ultrapassadas cédulas de papel, enquanto nós, brasileiros, mandaríamos ver em ultramodernas urnas eletrônicas?

Seria uma façanha com pretensão a que ocorreu quando da Guerra Fria, os russos fizeram a pequena Laika orbitar o planeta, humilhando, como se diz em língua sinistra, os "estadunidenses". O feito dos comunistas, em tempo que ainda não se ouvia a expressão "deturparam Marx" sair da boca de entusiastas de gulags, mexeu com os brios dos ianques. Há quem afirme que foi em revide a essa, digamos, cachorrada, que Armstrong deu "um pequeno passo para um homem" em solo lunar. Voltemos ao nosso caso. Se tudo desse certo, seria uma resposta aos patrícios dos irmãos Wright: Santos Dumont, finalmente vingado!

Pulha da Silva foi eleito assim, em escrutínio eletrônico, cem por cento e-leição, com resultado bradado aos quatro ventos, do Caburaí ao Chuí, antes mesmo que a multidão de garis começasse a recolher a montanha de santinhos. Toma-te, gringalhada!

O tempo passou, e os americanos "nem tchum", preferiram continuar no pergaminho do atraso. Estranho, muito estranho! Foi então que começou um boato aqui, outro acolá, e caimos na real: o que o Brasil registrou patente pode, sem medo de errar, ser chamado de Fraudematic. Qualquer hacker que se preze consegue até mesmo roubar no Poker Ring Game usando a maquininha. Sendo assim, concluimos: só mesmo voto impresso fazendo par com o virtual, que possibilite auditoria futura, garante a lisura do pleito. Porém, veio o impasse: o Congresso Nacional até aprovou lei e tal, mas o Tribunal Superior Eleitoral insiste em instalar impressora apenas em algumas poucas máquinas, segundo foi informado, por contenção de despesa.

Se o TSE cumprisse a lei, estaria tudo resolvido, pensamos. Mas espera, a urna é mais embaixo. Da forma que a lei foi aprovada, voto impresso, mesmo em todas as máquinas, não garante coisa alguma. Imagino o amigo leitor perguntar: "Como assim?". Respondo: Estamos com foco na possibilidade de fraude cometida por meio de hackers, e nos esquecemos dos fieis depositários dos votos impressos. E como se sabe, a carne é fraca!

Por que conferir depois? Quem, em sã consciência, crê nos ministros do Tribunal como seres impolutos, à toda prova? Quem, mens sana, garante que não vai haver trapaça dentro do próprio judiciário, usando agora as cédulas impressas, devidamente trocadas, como álibi? Confiar algo de tamanha importância para a democracia nas mãos de meia duzia de humanos, seja quem for, todos sujeitos aos sete pecados capitais, mais que isso, que ocupam o cargo por graça e bênção de políticos, sendo estes parte interessada, vamos convir, não é nada sensato.

Se é para levar adiante o uso da engenhoca, que seja, mas com voto impresso, em todas as máquinas, e conferido no calor da disputa, fiscais com adrenalina nas veias, sangue nos olhos, orelha em pé, no dia da peleja, conditio sine qua, perdoe-me o trocadilho, teremos "sufrágio" em vez de eleição. Espero não ser profético.


*Ruben Guanais é corretor de imóveis, nano empresário, jornalista sem CLT e em função da cachaça que corre nas veias, idealizador e coordenador da página Trincheira da Liberdade, conservador, minarquista, que acredita no indivíduo livre e responsável como mola propulsora da evolução da sociedade.
Mesmo com o voto impresso precisamos desconfiar Mesmo com o voto impresso precisamos desconfiar Reviewed by O Congressista on 03:30:00 Rating: 5

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.

Tecnologia do Blogger.