Esquerda convence Macri a facilitar legalização do aborto


Por Wilson Oliveira

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, sucumbiu a um protesto organizado pela esquerda daquele país a favor da legalização do aborto. Se colocando contra a pauta, Macri adotou uma postura flexível após uma manifestação em frente ao congresso do país, convocado pela "Campanha Nacional pelo Direito do Aborto Legal". O presidente argentino liberou a bancada governista na casa legislativa. Agora, cada deputado poderá votar a favor da tema se assim desejar. Por enquanto, a maioria dos deputados argentinos é contra o aborto.

O gesto do presidente Macri, no entanto, pode ser o ponto de partida para que alguns parlamentares mudem de opinião influenciados pelos movimentos sociais de esquerda, que têm feito manifestações de rua e conseguido uma ampla participação popular. O X da questão é que algumas medidas econômicas de caráter impopular, adotadas pelo governo, têm desagradado importantes setores da sociedade argentina, que tem cada vez apoiado mais as manifestações contra Mauricio Macri. E, na ótica de analistas políticos, flexibilizar essa discussão no congresso pode ser uma forma de suavizar esses protestos da esquerda.

Na Argentina, o aborto só é permitido em dois casos: estupro ou risco de vida para mãe. Mas de acordo com o projeto de lei que deve chegar ao plenário nos próximos dias, o aborto passaria a ser legal por qualquer motivo, desde que feito no período dos quatro primeiros meses da gestação. O único país da América Latina que tem a prática abortiva legalizada por qualquer motivo nos primeiros meses da gravidez é o Uruguai.

Líderes de movimentos de esquerda da Argentina estão conclamando líderes de movimentos de esquerda de outros países latino-americanos a apoiarem a causa naquele país. Eles acreditam que se o aborto for aprovado lá, haverá um efeito dominó com a aprovação do aborto também nos demais países da América Latina. O sonho deles é que o aborto possa ser feito em qualquer lugar, sem nenhum impedimento. Alegam que isso é "liberdade individual", pouco se importando para o fato disso significar o interrompimento da geração de uma vida no útero de uma mulher.

Direita argentina reage contra o aborto

O fato da esquerda argentina estar conseguindo pressionar Mauricio Macri com as manifestações de rua e conseguindo adesão de importantes setores da sociedade não significa que o tema não sofra resistência da direita argentina. A presidente do Senado, por exemplo, Gabriela Michetti, que, de acordo com a legislação daquele país também é a vice-presidente nacional, é totalmente contra o aborto. Ela faz parte da base governista e afirma que irá trabalhar para que os senadores da base votem contra o projeto. A própria esquerda reconhece que será quase impossível a pauta passar no Senado.

Saindo de Buenos Aires e indo para as províncias da Argentina, onde a população é amplamente mais conservadora, a posição das pessoas é ainda mais forte. Defendem que além do aborto ser ilegal, as mulheres que o pratiquem clandestinamente sejam presas. Em Tucumán, uma jovem de 27 anos passou mais de dois anos encarcerada por ter feito um aborto que não era decorrente nem de estupro nem de complicações clínicas para ela. Praticamente todos os senadores que não são de Buenos Aires já declararam voto contra o aborto, o que tem levantado a ira esquerdista.

Quem também promete fazer forte oposição a essa avanço progressista é a Igreja Católica. O monsenhor Héctor Aguer, arcebispo de La Plata, fez duras críticas a Macri após saber que ele liberou os deputados do governo a votarem a favor do aborto. Aguer disparou que "este é um governo sem princípios de ordem moral e natural", e que Maurício Macri, embora tenha formação católica, "não deve nem saber fazer o sinal da cruz". Héctor Aguer defende que o aborto vai contra um dos mandamentos da Igreja Católica: "não matarás".

O líder da Igreja Católica, inclusive, levantou questionamentos sobre projeto, perguntando qual a diferença de um bebê na barriga da mãe quando tem 14 semanas (limite para o aborto no projeto de lei) e quando tem 15: "O que é isso, um bug humano?". Ele também se colocou contra o aborto por estupro e lançou outra pergunta: "Quando uma mulher é estuprada, mata-se o bebê. Por que não se atrevem a lançar a pena de morte ao estuprador?".


*Wilson Oliveira é defensor do retorno da monarquia parlamentar no Brasil. É conservador monarquista, com influências da tradição anglo-saxã do liberalismo clássico, do minarquismo, da Escola Austríaca e da Escola de Chicago. Reside no Rio de Janeiro, é jornalista e editor-chefe de O Congressista.
Esquerda convence Macri a facilitar legalização do aborto Esquerda convence Macri a facilitar legalização do aborto Reviewed by Wilson Oliveira on 19:16:00 Rating: 5

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.

Tecnologia do Blogger.