Há uma bizarrice na negação do racismo reverso


Por Nicolas Carvalho de Oliveira*

Existe uma lógica bizarra nessa história de não existir racismo reverso, dos adeptos do radicalismo negro. O que está nas entrelinhas desse discurso é uma inerente inferioridade do negro em relação ao branco, e por esse motivo o negro não teria como ser racista, já que seus atos de ódio configurariam uma espécie de "reação do mais fraco".

Se para eles o negro fosse verdadeiramente igual a qualquer outra etnia, o ódio aos brancos configuraria racismo, como quando acontece ao contrário. Para escapar dessa implicação lógica, construíram um raciocínio que coloca os brancos acima de todas as outras "raças", e por isso qualquer ataque a eles (não só dos negros, mas dos árabes, asiáticos, indígenas etc) é a reação do inferior. Prova disso é que o ódio do movimento negro não é dirigido para pessoas em específico, mas para todos que tem a cor de pele "errada". Ou seja: só por nascer branco, o sujeito é um explorador das demais "raças" (lembra o discurso de alguém, né?).

Para racionalizar o próprio ódio, precisaram sacrificar a própria dignidade e, mais uma vez, a ciência. Tentam mascarar essa implicação da "inferioridade inerente" com a cortina de fumaça do argumento "social e econômico", teorizando que os negros são subjugados pelos brancos na economia. Troque negros por "alemães" e brancos por "judeus" que você tem precisamente o discurso dos antissemitas alemães da República de Weimar, que colocavam a culpa da penúria do povo alemão do pós-guerra nos "banqueiros judeus", e como a maioria dos judeus era bem sucedida (pela tradição laboriosa que sempre tiveram), acreditavam, como os militantes do movimento negro acreditam em relação aos brancos, que essa riqueza provinha da exploração do povo alemão.

Tanto quanto os nazistas, os radicalistas negros foram intoxicados pela ignorância do senso comum econômico de que a economia é um jogo de soma zero (de dinheiro limitado), de que até num sistema de livre trocas e propriedade privada, como o capitalismo, se alguém se torna rico, torna-se explorando terceiros. Para eles, o chefe de cozinha branco que contrata um garçom negro, tornando-se rico pelo restaurante ser um sucesso de vendas, tirou essa riqueza não dos consumidores que pagam para comer no restaurante, mas do garçom negro.


*Nicolas Carvalho de Oliveira é um jovem estudante liberal clássico da tradição Whig que não gosta de autodescrições longas.
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