O combate ao crime e o pacto federativo


Por Ruben Guanais

A intervenção federal no Rio de Janeiro não encontrará facilidade em sua missão de pôr termo ao aumento vertiginoso da criminalidade, uma vez que as Forças Armadas não terão poder de polícia. Ainda assim, é opinião quase unânime que os militares consigam conter a onda de violência na cidade. Isso, porém, enquanto durar a operação. Em seguida, a bandidagem volta a fazer a festa.

É claro que a intervenção é algo mais abrangente do que, por exemplo, a presença das tropas durante as Olimpíadas. Entretanto, em ambas situações, tratamos os sintomas, por um período determinado, sem contudo combatermos a doença e suas causas. Resumo da ópera: a ação no Rio, tão necessária, deve surtir algum efeito, mas em um País onde o poder público já não tem domínio sequer sobre uma penitenciária, trata-se apenas de paliativo.

A criminalidade chegou a essa proporção em território fluminense devido ao eleitor insistir, pleito após pleito, em dar mandatos a governadores populistas, pusilânimes e mal intencionados. A lista é extensa: Leonel Brizola, Moreira Franco, Marcello Alencar, Anthony Garotinho, Rosinha Matheus, Benedita da Silva, Sérgio Cabral, e agora Luiz Fernando Pezão. Isso é suicídio político, é a ovelha a se oferecer ao lobo. Contudo, o Rio não é exatamente um caso isolado. No restante do País, o câncer é o mesmo, embora em um estágio ainda não tão avançado.

A cada dia que passa, o Brasil inteiro vê a violência aumentar assustadoramente. As causas são várias. Entre elas, o cidadão de bem foi desarmado, a justiça anda a passo de lesma e a polícia não dá conta de combater o crime. Como se não bastasse, o Congresso, de ampla maioria esquerdista, legisla em favor dos bandidos, o que faz com que, dos poucos criminosos condenados, muitos voltem às ruas após cumprirem apenas um sexto da pena. Assim, sobra meliante nas ruas e falta tornozeleira. É muito incentivo ao crime. Sem contar a guerra cultural, onde o gramscismo corrompe a juventude, com apoio inclusive da grande mídia.

Cotidianamente, o brasileiro é convidado a acreditar na inversão de valores de que "bandido é vítima da sociedade". A malandragem ama essa propaganda. Outra falácia gramscista é a de que "o Brasil prende demais quando deveria investir em escolas". Ora, se é realmente para combater o crime, penitenciárias devem suprir demanda, e nesse caso, o Brasil, na verdade, prende de menos: conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, apenas 8% dos assassinatos são solucionados. Quanto a escolas, essas, sem dúvida, são importantes, mas servem para melhorar a vida das pessoas. Esse deve ser o foco. Até porque, bandidagem não escolhe classe social. Dizer que alguém opta pelo crime por falta de escola é uma ofensa à multidão de brasileiros que, sem muito estudo, vivem nas periferias, honestamente, e tendo ainda, por ironia, que enfrentar tiroteios e assaltos.

A esquerda avança em seu discurso hipócrita, perverso, de má fé. Se até recentemente tínhamos Marilena Chaui a pregar o ódio contra a classe média, o que já é um absurdo, hoje a esquerdopata da moda Marcia Tiburi afirma ser a favor do assalto como meio de "justiça social". Isso é apologia, clara e inadmissível, ao crime. Vale lembrar que a vagabundagem ideológica do MST, extensão do PT que, desde muito, atenta contra o direito de propriedade, hoje ganha a imprensa incitando a violência também urbana, ou mesmo afirmando, como demonstração de força, a existência do que eles chamam de "exército do Stedile". Para isso, tem apoio da classe artística "engajada" na Lei Rouanet, e até mesmo de ex-presidente da República.

No Brasil, o crime organizado não se restringe a siglas como CV e PCC. A essas, somam-se PT, PCdoB, PDT, PSDB, PMDB, PSOL, PSTU etc. Não à toa, da turma da pesada que comandou o Rio nas últimas décadas, Garotinho, Rosinha e Cabral foram parar na cadeia. Em âmbito nacional, vale lembrar que não são poucos os políticos envolvidos em crimes, entre eles, Lula da Silva, que ocupou o cargo máximo do executivo, condenado a 12 anos de cadeia, por corrupção e lavagem de dinheiro. Um lesa-pátria que, vale lembrar, responde a muitos outros processos, e que, ainda assim, continua a ter pretensões eleitorais.

Outra medida anunciada pelo presidente Temer, a criação do desnecessário e equivocado Ministério da Segurança, tem sido pouco comentada. Acuados ou anuentes, não vi nenhum governador reclamar. Caso essa ideia saia do campo das intenções, trará prejuízo ao nosso já combalido pacto federativo, uma vez que tira autonomia dos estados, e concentra poderes nas mãos de uma única pessoa. Uma coisa é um estado membro específico solicitar intervenção federal durante um período específico, outra é o Planalto arrogar para sí o monopólio da força em todo território da confederação.

O Ministério da Segurança, somado ao desarmamento do cidadão de bem, traz um problema ainda maior: deixa o Brasil a um passo do totalitarismo. É de se pensar o porquê dos Estados Unidos nunca terem passado por ditadura. Um deles é o direito, garantido constitucionalmente, que tem cada cidadão americano, de, armado, formar milícia contra um possível tirano. Outro é o pacto federativo, que descentraliza competências. Concentrar poder nas mãos de quem quer que seja, principalmente em um país assistencialista e que esfola o contribuinte, é pedir para ser dominado.

A casta política no Brasil é dividida em duas partes: temos por aqui a esquerda malandra, que defende a aliá albina repleta de tetas e tretas, e a esquerda ideológica, que visa o domínio total e absoluto. Essa é a regra, as exceções são raríssimas. Visivelmente, os totalitaristas, por sinal o mesmo grupo que, empolgado com o sucesso da Revolução Cubana, pegou em armas e implantou o terror na época dos militares, e que recentemente financiou ditaduras como a de Maduro, na Venezuela, trabalha no sentido de levar o Brasil a um estado de bellum omnia omnes induzido, à violência generalizada, ao todos contra todos, ao salve-se quem puder, onde, em troca de segurança, a sociedade acabe por aceitar perder a liberdade, admitindo então o Leviatã de Thomas Hobbes.

A mudança está em cada um de nós. Cabe à sociedade brasileira chamar para si a responsabilidade. Resolver o problema da criminalidade crescente, bem como, garantir nossa liberdade, passa por não mais caminhar, dócil e alienadamente, rumo ao abatedouro. Se faz imperativo uma grande renovação no Congresso, trabalhar com afinco, fazer campanha, no sentido de eleger parlamentares que tenham compromisso com uma pauta de direita, para então, entre outras coisas, diminuir drasticamente o tamanho do Estado, acabar com o financiamento público de campanha, revogar a Lei Rouanet, endurecer o código penal, descentralizar o poder, e com urgência, derrubar o Estatuto do Desarmamento. "Se queres a paz, prepara-te para a guerra", ensina o antigo provérbio romano.


*Ruben Guanais é corretor de imóveis, nano empresário, jornalista sem CLT e em função da cachaça que corre nas veias, idealizador e coordenador da página Trincheira da Liberdade, conservador, minarquista, que acredita no indivíduo livre e responsável como mola propulsora da evolução da sociedade.
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