O gramscismo sobe o morro


Por Ruben Guanais
Da página "Trincheira da Liberdade"

Angenor cresceu no Morro da Mangueira. Embora tivesse cursado apenas o primário, nutria pela língua pátria um amor intenso. Aficionado por poesia, consta que tenha aprimorado seus conhecimentos lendo Humberto de Campos, Castro Alves, Guerra Junqueiro, Antero de Quental e outros. Aprendeu a tocar violão e cavaquinho com o pai, e se apaixonou pelo batuque do samba.

Angenor cresceu no Morro da Mangueira. Ganhou a vida como ajudante de pedreiro, entre outras ocupações braçais. Vaidoso, entre cada saco de cimento e a cabeça, sempre um chapéu, de modo a não sujar os cabelos, costume que lhe valeu o apelido que foi depois alçado à condição de nome artístico do maior sambista de todos os tempos: Cartola.

"Gosto de fazer samba de dor de cotovelo", dizia o bamba, que, entre outras preciosidades, brindou o mundo com o verso "Queixo-me às rosas / mas que bobagem / as rosas não falam / simplesmente as rosas exalam / o perfume que roubam de ti". Temos aqui o lamento em estética primorosa, uma declaração de admiração e respeito pela pessoa amada, sentimento próprio de quem verdadeiramente enseja motivo de ser correspondido. Arte genuinamente conservadora, exatamente o que defende Sir Roger Scruton no documentário "Why Beauty Matters" e no livro "Beauty".

O Youtube expõe uma relíquia: Cartola, em frente a um casebre humilde, onde canta um de seus grandes sucessos, a pedido do pai, que o acompanha na cena. A composição ele teria feito para uma afilhada de sua primeira esposa. A jovem, que ele tratava como filha, resolveu, na flor da idade, imatura ainda, sair de casa, enfrentar o mundo cão, e o poeta sambista tentava demovê-la da ideia. "Ouça-me bem, amor / Preste atenção, o mundo é um moinho / Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho / Vai reduzir as ilusões a pó". Palavras duras, ao mesmo tempo ditas com afeto, e com uma sutileza que em algumas gravações posteriores passou despercebida: mesquinho está no singular, referindo-se ao mundo, e não aos sonhos da adolescente.

O tempo passou, o gramscismo subiu o morro, e o conservador Cartola foi proscrito. A esquerda transformou a favela em feudo ideológico, mudou até mesmo a denominação, para "comunidade", expressão considerada "politicamente correta". Desde então o morro se transformou, só que para pior, muito pior. Em 1983, a esquerda, sob o comando de Leonel Brizola, se aliou de vez ao tráfico. Políticos e ativistas ligados a partidos como PDT, PCdoB, PT, etc., passaram a corromper a juventude das favelas com a ideia do vale tudo para se dar bem na vida. Então começaram a surgir músicas com letras contendo baixaria e apologia ao crime, e a violência explodiu de vez.

Dia desses, a vereadora Mariele Franco, do PSOL, anunciou a presença "ilustre" da funkeira MC Carol na Câmara do Rio de Janeiro. Segundo a psolista, trata-se de alguém "que usa o funk como instrumento de resistência". Fiquei curioso, pesquisei a arte da "homenageada", e dei de cara com títulos como "Vem tirar meu shorts", "Mamo tu", "Meu namorado é o maior otário", ou "Vou largar de barriga", onde a "artista" se vangloria, entre palavras de baixo calão: "Roubei o seu caráter, te joguei no inferno / Estourei a camisinha, sou esperta pra caral* / Ganhei na justiça, te dei golpe de estado".

A esquerda tem trabalhado, e com muito sucesso, no sentido de privar a juventude dos morros cariocas - o mesmo ocorre nas periferias Brasil afora - de ter contato com qualquer tipo de arte verdadeira, mesmo que essa arte tenha seu nascedouro no próprio morro. Um dos grandes, senão o maior vulto da literatura nacional, imortal da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis - nascido no Morro do Livramento, de mãe lavadeira e pai descendente direto de escravos - a exemplo de Cartola, é nome proibido, lançado no limbo.

O que vale hoje é o funk. O que vale é aliciar a juventude, induzir ao crime, com o objetivo de criar o caos na segurança pública, coisa que a extrema esquerda já não esconde. Recentemente, o blogueiro "progressista" Eduardo Guimarães, empolgado, postou em rede social que "a revolução está chegando", e explicou que "a revolução se dará através da criminalidade", "nos semáforos, em cada esquina".

O esquerdismo é um câncer que já está se transformando em metástase. Ou reagimos com urgência e firmeza contra essa doença que atinge a sociedade, ou sucumbiremos, inexoravelmente. É preciso mostrar para as pessoas de bem quem é quem na nossa política, desmascarar essa gente nefasta que admira figuras como Che Guevara, Stalin, Fidel, presta apoio a Maduro, e trabalha há muito tempo no sentido de implantar o despotismo por aqui. Gente entranhada em partidos políticos, escolas, ONGs, mídia, etc., e que, fingindo bons propósitos "sociais", busca minar as bases da nossa democracia já tão aviltada. O êxito no combate à violência passa, sem dúvida, por vencer essa guerra cultural.


*Ruben Guanais é corretor de imóveis, nano empresário, jornalista sem CLT e em função da cachaça que corre nas veias, idealizador e coordenador da página Trincheira da Liberdade, conservador, minarquista, que acredita no indivíduo livre e responsável como mola propulsora da evolução da sociedade.
O gramscismo sobe o morro O gramscismo sobe o morro Reviewed by O Congressista on 23:58:00 Rating: 5

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.

Tecnologia do Blogger.