O Multiplicador Economágico Keynesiano


Por Welliton Oliverio
Da página "Escola Austríaca Contra a Porra Toda"

Muitos falam para voltarmos a gastar, revogar o teto de gastos e iniciar a “Novíssima Nova Matriz Econômica” para induzir a renda e o crescimento, mas será que os gastos do governo têm um efeito positivo sobre a economia? Veremos.

* Lembre-se, estamos a falar de gastos correntes, ou seja, são aqueles em bens e serviços finais por parte do governo.

O que G possuí é às custas de C, I e X e M através empréstimos, impostos ou impressão.

Se a variação positiva em G advém de empréstimos via títulos e ou afins (em grande parte os prestamistas são os bancos), veremos um volume menor de dinheiro a C, I, X e M. O volume total de crédito cairá, ou seja, os empreendedores e consumidores, também, não investirão ou consumirão, pois, tal volume de fundos, estão aplicados no governo.

A dívida, seja ela interna ou externa, é uma maneira como os países custeiam suas atividades sem depender somente de impostos. A diferença entre o imposto e a dívida pública é apenas de tempo da facada. O Imposto é a facada que você leva agora, a dívida pública é a facada que você, seu filho e seu neto levarão no futuro.

Ao longo prazo, é um meio destrutivo de se manter o estado, pois, caímos em uma armadilha de sempre buscar novos empréstimos para pagar velhos empréstimos para manter a ilusão do crescimento e dos gastos. Situação análoga a dos países socialistas pré-1989...

Isso pode ser explicado por uma simples fórmula: G = I + ΔDP
G = Gasto Público.
I = Impostos
ΔDP = Variação da dívida pública.

Tudo isso poderia ter sido evitado, se o governo parasse de gastar. Qual a solução? calote da dívida (Algo de que os miguxxxs do PIÇOU falam emocionadxs) ou parar de gastar?

No primeiro caso perdíamos credibilidade, os títulos perderiam valor e nós entraríamos em um ciclo de decadência... mas claro! Esse mal para a esquerda tem uma utilidade. É uma justificativa para propor a estatização dos bancos que quebrarem, afinal eles cederam empréstimos que não foram pagos; permitindo a centralização do crédito nas mãos do Estado como prevê o Manifesto Comunista.

No segundo, passaremos por um período de austeridade, mas assim que passarmos por ele, poderemos retomar o crescimento. E é nesta parte que, mais a frente, ficará claro que é o poupar e a austeridade do governo que nos colocarão nos trilhos do desenvolvimento.

Se a variação positiva de G advém de impostos, nem é preciso dizer que toda a demanda doméstica estará prejudicada.

E se o governo criar moeda do nada?

Bem... Esse é mais do que óbvio.

Olhando pelo lado da renda do consumidor, a diluição do poder de compra do cidadão via expansão monetária exigirá reajuste salarial, se assim for feito, todos estão na mesma e com notas com alguns zeros a mais; caso contrário, estarão mais pobres.

Primeiramente partiremos da ideia que temos todas as informações do mercado, da ideia da renda disponível do consumidor: yd.
Yd= Y -T (renda nacional menos os tributos).

Depois o consumo.
C = ca + cY - cT (consumo autônomo mais uma parte da renda disponível).

A partir desta equação temos:
Y = 1/(1-c) . (ca - cT + I + G + NX).

Aqui vemos o milagre do multiplicador da renda, 1/(1-c) e os gastos autônomos,o resto.

A parte matemática até aqui é correta.
Mãns...

Vejamos:
Se certo país, possui a propensão marginal a consumir aproximadamente na ordem de 0.75, isto é: a cada 100 unidades monetárias de renda disponível, 75 é consumida e 25 é poupada.
Se o governo, que faz parte dos gastos autônomos varie positivamente G em 2mi, gerará 8mi na economia. Ual, alquimia econômica. Como nunca pensaram nisso antes de Keynes?

Y = 1/(1 - 0.75) . 2.000.000,00
Y = 8mi

Novamente: de onde vem o dinheiro do governo?

E mais além, quebrar vidraças funciona? Isto é: forçar alocação na economia gera riqueza?

Tomar dinheiro das pessoas ou inviabilizar projetos tomando recursos do mercado (subindo i), faz a economia se desenvolver?

E aqui deixo um adendo: ao final postarei, em anexo, uma continuação deste raciocínio, para não atrapalhar o que escrevo agora.

Uma dada economia produz 1000u. em X tempo. De 1000u., 500u. (50%) são direcionadas ao setor privado, 200u.(20%), ao investimento, 200u.(20%) ao s. público e 100u. (10%)para as exportações.

Suponhamos que a produção aumente em incríveis 10% e tudo o mais constante, isto é: Y = 1100u; C = 50%, G = 20%; I = 20% e 10 para NX.

Ah, mas e o efeito do multiplicador...

Havendo um aumento de produtividade, o aumento nos gastos agregados aut. será menor do que o aumento de produção, pois, a propensão marginal a consumir não pode ser maior do que a renda.

Quanto maior for a propensão marginal a poupar, isto é: quanto maior poupadora for a sociedade, menor será o consumo depende da renda e, maior será, a proporcionalidade da parcela da renda nacional direcionada ao investimento.

Voltando ao exemplo anterior:

8.000.000,00 = 1/(1-0.75) . Gastos autônomos.
GA = 2mi

Isto significa que com uma propensão marginal a poupar de 25% um aumento de 8mi tem capacidade de aumentar o GA em 2mi.

Façamos o seguinte: vamos elevar a propensão marginal a poupar aumente.

8.000.000,00 = 1 / (1 - 0,5) . GA.

GA = 4mi

Isto significa que uma propensão marginal a poupar de 50%, um aumento de 8mi no produto tem efeito nos gastos autônomos na ordem de 4mi.

Há uma disparidade aqui, se fora elevado 8 em gastos e elevou-se os gastos autônomos em 4, onde estão os outros 4?

Como fora inserido a propensão marginal a consumir, o GA não representa o total que fora consumido, isso é evidente.

Exemplificando:
Consideremos que a propensão a consumir está na ordem do primeiro ex. e não há consumo autônomo.

Y = 0.75Y + I.
.25Y = I.
Y = 4I

Se, houver um aumento de 100u. em produção, haverá um aumento de 25u. em investimentos.

100 = 4I.
I = 25.

Se I é 25, o consumo é igual a 75

Y = C + I
100 = C + 25
C = 75.

Então, por conclusão, quanto maior for a propensão marginal a consumir, menor serão os investimentos e, portanto, o crescimento real da economia.

Ah, mas e o paradoxo da poupança...

Esqueceu do efeito do desconto temporal e que a economia não se resume aos setores finais da estrutura de capitais, os setores finais da economia podem sofrer efeitos indesejáveis, mas o início de tal estrutura terá sua expansão e, proporcionando, ao mesmo tempo, que no futuro próximo os setores finais antes prejudicados possam ter condições reais de expandir.

Até quando irão acreditar que G é uma força criadora?

Janelas quebradas não aumentam a riqueza de uma nação. Espoliação feita por G nada mais é que forçar a sociedade a fazer aquilo que ela mesmo faz, só que a deixando mais pobre.

Parafraseando Tesla em relação a teoria da relatividade:
A teoria geral é um mendigo envolto em púrpura que os economistas ignorantes veneram como um rei.

# E aqui retorno ao raciocínio que deixei em aberto no meio deste post:

Jean Baptiste Say em A Treatise on Political Economy: "Quando um produto é criado, ele, desde aquele instante, por meio de seu valor, proporciona acesso a outros mercados e a outros produtos"
*Um vendedor ao produzir e vender seu produto se torna um comprador, pois, possuí renda para dispender. Aqui ele fala sobre produção e consumo real - e não induzido por estímulos uma vez que, não fala de algo anticíclico (e mesmo se fosse o estímulo ao consumo seria besteira), e sim do que está a ser ofertado ao mercado.

"O incentivo ao mero consumo não traz nenhum benefício para o comércio, pois a dificuldade reside em fornecer os meios e não em estimular o desejo de consumo, e vimos que a produção é o que fornece os meios. Assim, é o objetivo de um bom governo estimular a produção e do mais governo encorajar o consumo".

É a partir dos escritos de Say, que podemos concluir que: A produção de um bem constitui a procura de um ou mais bens. Apenas isso.

Say não disse diretamente, na verdade disse, em uma carta a Malthus, que a oferta gera sua demanda, mas disse dentro do contexto de sua teoria, como fora citado acima. Uma oferta gerando uma demanda passada, e não uma demanda futura.

Say está a dizer que é preciso fornecer os meios para que a oferta seja eficiente, apenas. Para que assim os produtores tenham competitividade e possam expandir seus negócios e gerar riqueza real. Dentro do arcabouço liberal, essa é a interpretação. Cristalina, que não precisa e muito esforço para compreender, basta ler Say.

Eis o primeiro dos porquês que o Brasil não é competitivo: Ao invés de proporcionar os meios corretos para a produção, o governo busca estimular o consumo em um tipo de alquimia econômica para gerar desenvolvimento. Essa ideia ficará mais clara adiante.

Esta segunda parte, que na verdade deveria vir primeiro, é a causa causante da causa causada, ou seja, é o que precede a ideia de expansão do consumo como forma de crescimento ou de saída de uma possível crise.

Os adeptos do Silvio Santos way of life alardeiam: precisamos de mais demanda, esse consumo gerará mais produção. Uau, a fórmula da economagia. O que os adeptos dessa visão esquecem é o fator tempo, no sentido literal da palavra e, o principal, que parecem ignorar ou ignoram por birra: o capital.

Se não houvesse poupança, não haveria depósitos e, por consequência, não teríamos crédito para o consumo e investimentos. E quanto menos poupadora for a sociedade, mais o governo tende a criar fundos para "tentar" amenizar tal situação, assim gerando inflação e ciclos econômicos. Vide no Brasil, onde o crédito ofertado pelo governo supera o crédito privado e, em especial, "necessita" de um banco especial (BNDES) para "mover" a economia.

Para começar, o homem que poupa reduz a sua demanda por bens de consumo presentes, mas de maneira alguma ele reduz seu desejo geral por bens que lhe deem prazer. A "abstinência" gerada pela poupança não é uma abstinência absoluta, ou seja, ela não gera uma renúncia definitiva a todo e qualquer bem de consumo. Ele continua consumindo bens básicos no presente. Mas abrirá mão do consumo, no presente, de bens mais luxuosos. Mas tal renúncia não é definitiva. Ela é apenas uma postergação.

O motivo principal daqueles que poupam é precisamente preparar-se para o consumo futuro; ter meios com os quais suprir suas demandas futuras ou as de seus herdeiros. Isso significa, nada mais nada menos, que eles desejam garantir que terão controle sobre os meios que permitirão a satisfação de seus desejos futuros, isto é, sobre o consumo de bens em um período futuro. Em outras palavras, aqueles que poupam reduzem sua demanda por bens de consumo no presente justamente para poderem aumentar proporcionalmente sua demanda por bens de consumo no futuro.

Tomemos por exemplo Robinson Crisoè (história de um naufrago que passou 28 anos em uma ilha) rico e Robinson Crisoè pobre, a diferença entre ambos é que o primeiro possui bens de capital e, para ter estes bens, teve que poupar e investir.

Robinson Crisoè rico possuí uma vara de pescar e uma rede, bens estes que demoraram 3 dias para serem construídos, obtidos porque ele poupou recursos, tempo e trabalho para se empenhar em construir bens de capital para obter mais bens de consumo, por ser mais produtivo, ele possuí mais tempo, o que lhe dá margem para poder investir em outras coisas e aumentar sua produtividade e seu consumo futuro. Já Crusoè pobre, é aquele que não poupa, apenas consome tudo o que tem, não dispondo de meios para obter bens de capital, como este não poupa, ele não tem tempo, e não tem margens para aumentar seu padrão de vida futuro.

Sociedades baseadas no consumo de sua renda são necessariamente sociedades menos desenvolvidas, de subsistência. Uma sociedade que tende a consumir toda sua renda/recursos não poupa, não acumula capital e não investe, portanto, não tem aumento de produtividade, e não sai da pobreza

Eis o segundo porquê da nossa baixa competitividade: baixa poupança.

Capitalismo é, em sua essência, acumulação de capital. Capital é aquela parte do patrimônio capaz de aumentar a riqueza futura. Capital é a riqueza de indivíduos (empresas entram também) utilizada para podermos ter lucros futuros. Para acumular capital é necessário poupar.

É necessário restringir o consumo. Uma sociedade que não poupa, que consome 100% de sua renda, é uma sociedade que não possuí bens de capital, assim, não possuí meios para investir.
Assim como Robinson Crusoè pobre, esta sociedade estaria fazendo bens de consumo como vestes e alimentos (situação análoga a em que os indivíduos viviam antes do estabelecimento da propriedade privada e posteriormente ao capitalismo) e não se dedicariam aos investimentos de longo prazo, sendo uma sociedade pobre em sua essência.

Ah, mas nem todos tem condições de poupar, maior parte das pessoas consomem toda sua renda! E eu concordo! E é por isso que devemos voltar a olhar para Say e ofertar meios adequados para aumentar a produtividade e restringir gastos inúteis do governo para que a espoliação feita através de impostos seja reduzida, assim, as pessoas teriam ao menos condições de poupar mais e consumir mais coisas que realmente importam para elas, e não apenas um consumismo desenfreado apoiado por crédito fácil.
Porque nada adianta ter uma população poupadora e um governo perdulário que vive dessa poupança, vide Japão com uma dívida de 250% do PIB e precisa manipular o mercado para continuar respirando. Nota-se também, que é exatamente no período de explosão do keynesianismo no Japão que a dívida explode e ocorre a estagnação, além do período de perrengue a partir de 2012.

E é através da poupança aliada ao empreendedor que direcionamos os recursos presentes para o consumo futuro. É essa aliança que proporciona tanto uma boa quantidade de bens de capital e bens de consumo para a sociedade. É através da concorrência que as informações dispersas na sociedade que liquidamos os erros cometidos orientando a direção certa a seguir para atender os desejos dos consumidores.
Portanto, o estímulo ao consumo é a destruição do futuro em prol de um presente de curtíssimo prazo que nada tem a agregar, em suma, estímulos ao consumo é a destruição da riqueza futura e um aumento da pobreza em detrimento de números que não consideram fatores primordiais da economia, pois, visam apenas agregados (como o consumo) ao invés de olhar a realidade.

Como bem escreveu Claude Frédéric Bastiat, existem efeitos que se vê e efeitos que não se vê. O que se vê é o relatado acima, números míopes que não olham para o médio longo prazo por serem uma estatística deficiente (não cabe agora explanar os porquês que o PIB é falho). O que não se vê, é que riqueza está sendo destruída e, portanto, nada está melhorando na sociedade.

Nada mais anticapitalista e empobrecedora que uma sociedade baseada no consumismo e gastos do governo.
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