“Dunkirk: Uns pelos outros. Por que eu estava errado sobre o Estado”


Por João Corrêa Neves Jr.

“Não me pergunte em que dia eu nasci. Não me pergunte em que cidade eu nasci. Se tu quiseres saber quem eu sou, me dá tua mão, vem viver, vem lutar, lado a lado. Vem aprender a ganhar e a perder, lado a lado.”

Em maio de 1940, tropas Socialistas Nacionalistas avançam sobre a França, encurralando as tropas britânicas e francesas nas praias de Dunkirk, no norte da França. Cercados por todos os lados as forças aliadas decidem pela urgente evacuação. Nas praias de Dunkirk, os soldados esperam em filas pelos navios aliados, que tardam. Enquanto aguardam aos milhares, são atacados por ar, terra e mar. As perdas são irreparáveis.

Cientes do eminente massacre, embarcações civis, pescadores e veleiros, unem-se e arriscam suas próprias vidas para ajudar com a evacuação e salvar sobreviventes no mar. Sob bombas aéreas, rajadas de metralhadoras e torpedos, quase 70 mil vidas são ceifadas. Ao final de uma semana de evacuação, porém, cerca de 338 mil soldados franceses, britânicos, belgas e holandeses são salvos por 850 embarcações privadas e outros tantos navios oficiais das forças armadas.

Que lição podemos tirar de Dunkirk? Se você está aguardando o “Estado” para nos salvar dos perigos existentes, eu tenho uma realidade brutal para lhe contar: não apenas o Estado não virá , como ele não tem interesse, nem preparo para isso. Você realmente confia sua vida ou a vida de seus filhos no tipo de (indi)gente que governa nossas prefeituras, estados e a nossa nação?

Dê uma olhada na porta da sua casa: um governo que não consegue consertar um buraco no asfalto, iluminar uma rua, abastecer uma caixa d’água, lhe dar a segurança de poder andar na rua sem medo de ser assaltado pelos seus próprios “manos”, que não lhe oferece a mínima segurança jurídica para confiar nas leis e nas instituições, conseguirá endereçar os maiores problemas da nossa sociedade, como a cultura da corrupção e a perca dos valores sociais, que impedem a a existência de uma comunidade coesa, livre e próspera?

Meus amigos: somos soldados indefesos, “na praia de Dunkirk”, aguardando com as mãos atadas as consequências do destino. Encurralados por males de proporções incomensuráveis e atacados por todos os lados, não temos mais para onde correr. O inimigo nos cercou em todas as frentes possíveis. Somente você, eu, e nós todos juntos, interdependente poderemos salvar a embarcação furada, debilitada e sob ataques de todos os lados, na qual estamos todos nós afundando juntos. E que armas temos para isso? A Verdade. Apenas a verdade.

Não importa quantas pessoas se sintam “ofendidas”, não importa quantas falsas acusações viermos a sofrer, quantas pedradas, insultos, cusparadas, xingamentos, ou o quão injustamente venham nos injuriar. E não adianta “tapar os buracos” dessa embarcação furada, se não salvarmos nossos irmãos da barbárie – a ignorância, o niilismo e a corrupção moral - enfrentando altivamente o mal que busca impiedosamente destruir por completo, todas as fundações da nossa sociedade, incluindo a maior de todas: a Liberdade.

Levantemo-nos. Viva a Liberdade. Viva o amor pelo próximo.

Obs: Para uma melhor compreensão sobre o episódio de 1940, assistam ao filme ‘Dunkirk’ (2017), dirigido por Christopher Nolan. Preparem-se para se emocionar.


*João Corrêa Neves Jr. é defensor da liberdade e do “rule of law”. É conservador iluminista, influenciado pelo liberalismo clássico e, em menor escala, pelo libertarianismo. Reside no Reino Unido, atua na área administrativa no mercado formal e é mestrando na área de História pela Universidade Nova de Lisboa.
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