A História de Jerusalém - Parte 2: da Grécia a queda do Templo

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Por Pedro Augusto

Leia a primeira parte aqui

Depois de expandir seus domínios, Alexandre chegou a Jerusalém. De acordo com o historiador Flavio Josefo, o imperador foi recebido na cidade pelo sumo sacerdote e foi conduzido ao Templo, onde ofereceu sacrifício ao Deus judeu.

Anos depois, Alexandre morreu e deixou o império para o "mais forte". 20 de seus generais lutaram para assumir o lugar do grande conquistador. Durante os duelos, a Cidade de Davi mudou de mão seis vezes. Por 15 anos foi governada por Antígono Caolho até ser morto no campo de batalha e Ptolomeu reivindicar o controle da cidade.

Ptolomeu enganou os judeus ao dizer que queria entrar para conhecer Sião no sabá. No entanto, tropas invadiram a cidade, saquearam casas, violentaram mulheres e metade dos moradores da Cidade de Davi foram levados para o cativeiro no Egito. Após o comandante do império morrer, Ptomoleu II Filadelfo chegou ao poder e nutria simpatia pelos judeus e libertou 120 mil escravos do povo, como também mandou ouro para enfeitar o Templo.

Jerusalém permaneceu um pequeno Estado semi-independente dentro do império de Ptolomeu, com emissão de moeda própria. A cidade era governada por sacerdotes que diziam ser descendentes de Zadoque, sacerdote do rei Davi. A esses líderes religiosos era permitida a acumulação de poder, desde que pagassem tributos a Ptolomeu.

José, o Tobíada, sobrinho de um sacerdote da Cidade Velha, ganhou o respeito dos egípcios por ajudar a combater inimigos do império. Junto com as suas vitórias veio o respeito por Jerusalém, que segundo Josefo, saiu de uma condição de pobreza e mesquinharia para uma era mais esplêndida. Contudo, o Egito caiu para os macedônios, que tiveram muita boa vontade com a Cidade Velha e proibiu a entrada de estrangeiros no templo, além de permitirem aos judeus se autogovernarem. A liderança veio de Simão, o Justo, sumo sacerdote da cidade. Como Josefo classificou, Jerusalém se tornou uma teocracia com um grande rigor em sua legislação. A cidade vivia um tempo de prosperidade e de riquezas, tanto que a atenção dos macedônios foi atraída novamente para o local.

O líder macedônio que era tolerante com os judeus morreu e seu jovem filho, Antíoco Epifânio assumiu o lugar. Ele proibiu qualquer sacrifício e serviço religioso no Templo, o sabá (quem cumpria o mandamento era queimado vivo), a circuncisão e a lei. Ele ainda ordenou que o Templo fosse profanado com o uso da carne de porco, considerada impura pelos judeus, além de ser consagrado como santuário a Zeus Olímpico. Houve no local, prostituição e orgias. A Torá foi queimada e quem era pego com uma cópia era queimado vivo.

Os macabeus

Um dos generais de Antíoco ordenou ao sacerdote chamado Matatias que oferecesse um sacrifício ao imperador após uma vitória. Porém, Matatias recusou a ordem e afirmou que seguiria a Aliança de seus pais. Uma revolta estava começando. O sacerdote matou o primeiro judeu que traiu o pacto dos patriarcas e o general do imperador derrubou o altar. O velho líder espiritual fugiu com seus cinco filhos junto com outros judeus para as montanhas.

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Matatias morreu logo depois e seu filho Judas liderou o grupo em batalhas vitoriosas contra os sírios e o vice-rei do império, Lísias. Ao ver que os revoltosos ameaçam o seu poder, Antíoco suspendeu a repressão e logo depois morreu em um ataque epilético.

Judas, que daria o nome a sua dinastia de Martelo, conquistou toda a Judeia e Jerusalém, que estava sob o controle dos selêucidas, além de resgatar judeus na Galileia. No entanto, ele foi derrotado e morto pelos próprios selêucidas. Sião foi retomada, mas as esperanças não acabaram. Jônatas, irmão de Judas, após dois anos de fuga, emergiu do deserto e venceu os selêucidas. Ele colocou o Egito e a Síria em confronto para reconquistar Jerusalém. Após a sua vitória, ele restaurou os muros da cidade e reconsagrou o Templo.

Em uma batalha, Jônatas, sem segurança algum, foi atraído pelo rei do Egito e capturado. O rei marchou sobre Jerusalém, mas na família dos Macabeus ainda restava um irmão vivo: Simão, o Grande. Ele reagrupou um exército e fortaleceu a Cidade Velha. Ajudados por uma tempestade de neve, os gregos, que na época controlavam o Egito, foram obrigados a se retirarem. Simão venceu seus inimigos e o povo o consagrou como o  "sumo sacerdote, estrategista e chefe dos judeus".

Simão, mesmo com sua popularidade em alta, foi traído e morto pelo seu cunhado, que ainda capturou a esposa e dois filhos do chefe dos judeus. Ainda restou um macabeu chamado João, que organizou um grupo para combater os conspiradores e iniciar uma guerra civil. Ele venceu, fez aliança com outros reinos e aumentou o poder da Judeia, com sua capital em Jerusalém, de uma forma que não se via desde o rei Davi. Crescia-se assim um novo império judaico.

Os macabeus agora se tornavam tão ferozes quanto os gregos. João morreu e seu filho Aristóbulo se declarou rei da Judeia, o primeiro monarca de Jerusalém desde algumas centenas de anos. O novo governante mandou prender seu irmão e sua mãe por medo de perder o poder.  Após morrer vomitando sangue, o filho de Aristóbulo, Alexandre assumiu o trono, com uma coleção de vitórias e derrotas. Ele ficou famoso por sua imprudência e bebedeira. Em uma revolta feita em Jerusalém, ele matou 50 mil judeus, enquanto comemorava a sua vitória em um banquete e com concubinas.

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Alexandre morreu por causa do alcoolismo e o reino ficou nas mãos de sua esposa, Salomé Alexandra, que foi a primeira a primeira mulher a governar Jerusalém desde a filha de Jezabel. Após a morte da rainha, seus dois filhos brigaram pelo trono e Aristóbulo II ficou com o poder e seu irmão Hircano retirou-se, mas era aconselhado e controlado por Antípater, um esperto forasteiro, cuja esposa era aparentada do rei de Petra, Aretas.

Os romanos e Herodes

Aretas ajudou a derrotar Aristóbulo que fugiu. Aretas cercou o rei de Sião, enquanto Pompeu - também conhecido como Magno, o Grande - , o homem mais poderoso de Roma, preparava-se para atacar Jerusalém. Os fariseus pediram a ajuda dos romanos, já que não aguentavam mais ser governados pelos macabeus.

Aristóbulo traiu Pompeu que resolveu atacar a Cidade Velha. O romano cercou o Templo por três meses e usando catapultas para bombardeá-lo. Ele se aproveitou da religiosidade judaica e atacou a cidade em um sábado. O sacerdote teve a sua garganta cortada e os judeus ateavaram fogo às próprias casas, enquanto outros se atiravam em ameias. 12 mil morreram e o homem mais poderoso de Roma destruiu fortificações, aboliu a monarquia, confiscou a maior parte do reino macabeu e designou Hircano como como sumo sacerdote, enquanto governava a Judeia junto com seu ministro Antípater. Aristóbulo e seus filhos passaram a organizar insurreições, mas todas paradas pelos novos governantes que eram apoiados pela grande potência da época: o império Romano.

Agradecido pela ajuda de Antípater em uma batalha contra o Egito, César designou Hircano como sumo sacerdote e governador dos judeus, além de permitir a reparação das muralhas de Jerusalém. O romano também instituiu Antípater como procurador da Judeia com seus filhos: Fasael governava Jerusalém e Herodes a Galileia.

Antípater foi assassinato por um rival e seu filho Herodes assumiu o poder na Judeia graças ao apoio de Antonio um dos poderosos de Roma. Herodes e seus descendentes ficaram no poder da Cidade de Davi por pouco mais de 100 anos. A trajetória dessa linhagem foi marcada por traições, brigas familiares, exploração econômica do povo judeu através de altos impostos, fim dos macabeus e governo controlado por Roma.

Não foram poucas as tentativas de insurreições contra o governo na época. O período também foi marcado pelo aparecimento de muitos homens que se colocavam como os libertadores de Israel. Quem neste período mais marcou a história foi Jesus, de Nazaré. Um homem simples, vindo de uma família modesta e foi responsável por uma grande mudança. Critico do sistema religioso, ele discursava sobre a vinda do Reino de Deus e deixou uma mensagem amor e reconciliação do ser humano com Deus. Apesar de multidões de judeus tentarem fazê-lo o novo rei, ele fugiu por diversas vezes da política. Dizia que seu Reino não era desse mundo. Muitas pessoas iam até ele ouvir sua mensagem. Muitos buscando uma vida melhor outros tentando prová-lo, já que Jesus dizia ser o Filho de Deus, o Messias prometido aos judeus.

Os discípulos de Jesus traziam muito mais pessoas para a sua fé, sejam judeus ou não. Rapidamente os cristãos, como foram apelidados os seguidores de Jesus, cresceram não apenas em Israel, mas em cidades importantes do império Romano, como Roma, Corinto, Éfeso etc.

Enquanto os cristãos se expandiam pelo mundo e eram vistos como uma ameaça pela religião judaica e pelo império Romano, os dias dos Herodes chegavam ao fim e os Jerusalém passava por um momento de uma iminente insurreição.

A destruição do Templo de Jerusalém

A busca pela independência em relação a Roma por certos grupos judaicos foi algo que ocorreu durante todo o período de Herodes no poder. Uma revolta de maiores proporções uma hora chegaria. E ela ocorreu quando o procurador da Judeia, Géssio Floro instituía insultos à nação e quando gregos e sírios sacrificaram um frango em frente a uma sinagoga. Os judeus protestaram, mas Floro ficou ao lado dos gentios e marchou até Jerusalém exigindo mais impostos do Templo.

Um tempo depois, judeus juntaram tostões e jogaram no procurador da Judeia. Tropas gregas e sírias atacaram a multidão e foi exigida a entrega dos baderneiros, mas a população se recusou a colaborar. Legionários de Floro entraram em casas e matavam moradores, judeus foram feitos de prisioneiros e crucificados, a brutalidade do exército aumentava e uma resistência judaica era inflamada.

Enquanto a rainha Berenice tentava salvar Jerusalém da confusão, os judeus se dividam entre aqueles desejosos de reconciliação com Roma e quem desejava entrar em guerra e alcançar independência política.

Os judeus marcharam de forma pacifica para saudar as coortes humanas, mas por instrução de Floro a cavalaria atacou o grupo. Muitos morreram ou ficaram feridos. Em resposta, judeus jogaram lanças nos romanos e transformaram o Templo em um forte próprio.

Herodes tentava negociar com os judeus para eles pagaram os impostos aos romanos. Ao passo disso, os sacerdotes decidiam não oferecer mais sacrifícios ao imperador romano - ato que significava lealdade. A rebelião agora de fato começou. Facções judaicas lutavam umas contra as outras. Grupos tentavam se apropriar do Templo  e tomar posse da Cidade Alta.

Os zelotes, grupo popular baseado em torno do Templo, e os sicários, bandoleiros armados com adagas, expulsaram de Jerusalém Herodes e uma tropa com 3 mil soldados, além de incendiarem os palácios dos sumo sacerdotes e dos macabeus, como também os registros de dívidas. Os sacerdotes conseguiram vencer os zelotes, que controlaram a Cidade Velha por um curto período.

A cidade vivia um caos. Uma guerra civil foi instaurada por diversas facções judaicas.

Herodes desistiu de tentar mediar o conflito e ficou ao lado dos romanos. No ano de 66, uma tropa tentou reconquistar Jerusalém, mas nada feito. Em 67, um exército com mais de 60 mil guerreiros para reconquistar o território perdido. A Galileia foi o primeiro alvo e líderes do levante tiveram de fugir.

Enquanto isso, Jerusalém via uma nova facção liderada por um homem chamado João tomar o controle da cidade. 12 mil pessoas morreram. Os seguidores perderem a fé no novo líder e foram se juntar a Simão, cujo poder crescia fora da cidade, enquanto Sião,  passava por outras tentativas de golpes.

Roma voltou a atacar Jerusalém, venceu e diminuiu os ânimos locais. Os líderes das rebeliões foram julgados, mortos e os judeus massacrados. A cidade foi destruída e o Templo queimado.

Para humilhar os que sobreviveram, o império decidiu substituir o imposto pago ao Templo para um estatal que financiaria a reconstrução do Templo de Júpiter.

Muitos judeus ao ver a situação de Jerusalém se matavam. Agora o destino da cidade seria controlado por grupos diferentes.

Continua...

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