Ataques a Bolsonaro evidenciam desespero de Alckmin


Por Wilson Oliveira

Pressionado internamente por sua postura apática, Geraldo Alckmin resolveu agir e partiu para os ataques ao também pré-candidato à presidência da República Jair Bolsonaro (PSL). A atitude evidencia o desespero de Alckmin e também do PSDB, não só pela eleição, mas pela sobrevivência do partido como uma das maiores legendas do país.

Pesquisa divulgada no início de maio mostra justamente o deputado federal Bolsonaro liderando com relativa folga: 20,5% dos votos. Geraldo Alckmin surge lá embaixo, apenas na quinta colocação, com apenas 8,1%. O levantamento foi feito pelo instituto Paraná Pesquisas e divulgado por todos os grandes veículos de comunicação.

Para piorar essa corrida atrás de votos, Alckmin ainda tem que lidar com o ex-tucano Álvaro Dias (Podemos), que já arrebatou votos no sul e agora vem arrebatando votos também no sudeste, região que era considerada certa pelos tucanos de ter o ex-governador de São Paulo como favorito. No Rio de Janeiro, por exemplo, Álvaro tem 4,1%, enquanto Geraldo aparece atrás com 3,5%.

A grande mídia ainda tenta dar uma força para Alckmin, afirmando que os ataques a Bolsonaro se justificam por uma suposta "competição pelo voto conservador". Matéria publicada nesta quinta-feira pelo jornal O Globo defende que o confronto irá se repetir na eleição pelo fato dos dois disputarem a fatia conservadora do eleitorado.

Porém, o que os fatos mostram são questões bem diferentes. Na última quarta-feira, o ex-presidente do PSDB, ex-governador de Minas Gerais e ex-senador da República Eduardo Azeredo se entregou à Polícia Federal e foi preso em Belo Horizonte. Azeredo foi condenado a 20 anos de prisão pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro no esquema conhecido como "mensalão tucano".

Geraldo Alckmin tem tentado fugir de todas as formas do assunto, mas os fantasmas estão vivos para persegui-lo. Atual presidente do PSDB, o ex-governador de São Paulo afirmou que essa prisão mostra que seu partido não está imune ao judiciário. Mas ele se negou a explicar por que ainda não expulsou um condenado da Justiça da legenda.

E se fizermos uma voltinha a um tempo bem recente, encontraremos uma baita manobra para livrar justamente Geraldo Alckmin da Justiça. No mês de abril, a ministra do STJ Nancy Andrighi decidiu encaminhar à Justiça Eleitoral de São Paulo o inquérito instalado com base na delação da Odebrecht que investiga Alckmin por suspeitas de caixa 2. A ação livrou o tucano do radar da Lava Jato para que ele pudesse concorrer à presidência.

A decisão repercutiu até mesmo no meio do establishment. O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot usou sua conta no Twitter para protestar: "Tecnicamente difícil de engolir essa". A Lava Jato havia pedido ao vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, que enviasse "o mais rápido possível" o inquérito sobre Alckmin. Mariz contrariou o Ministério Público, afirmou que o suposto crime ocorreu em âmbito eleitoral e não encaminhou o inquérito.

Além de todo esse cenário fantasmagórico para Geraldo Alckmin, até mesmo nas redes sociais o tucano parece viver um verdadeiro filme de terror. No Twitter, Alckmin possui 990 mil seguidores, enquanto Bolsonaro conta com 1,17 milhão. No Facebook a diferença é uma goleada: o tucano tem 921.462 seguidores e o deputado do PSL conta com 5,3 milhões.


*Wilson Oliveira é defensor do retorno da monarquia parlamentar no Brasil. É conservador monarquista, com influências da tradição anglo-saxã do liberalismo clássico, do minarquismo, da Escola Austríaca e da Escola de Chicago. Reside no Rio de Janeiro, é jornalista e editor-chefe de O Congressista.
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