Direita perdeu chance de ouro de impor pautas econômicas


Por Wilson Oliveira

A greve dos caminhoneiros por todo Brasil evidenciou como a direita brasileira sofre para definir e divulgar suas pautas. Com o fim da paralisação, os cidadãos comuns não fazem a mínima ideia de qual seria a solução direitista para essa crise. E falar em "redução do Estado" não tem adiantado muito, pois ainda foi possível perceber muitos exigindo que "o governo abaixe o preço" do óleo diesel e da gasolina.

No início, muitos se enganaram ao afirmarem que bastava apoiar a greve, pois o que se exigia era redução de impostos. Porém, como não é possível baixar tributos na canetada por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal, só restava ao governo duas medidas: subsídio ou congelamento de preços, ambas de caráter puramente esquerdistas.

No final das contas, os caminhoneiros e as empresas por trás desses protestos aplaudiriam qualquer uma das duas medidas, pois o que eles realmente queriam era o bom e velho privilégio vindo do governo, o que só pode acontecer no "capitalismo de compadrio" existente há tempos no Brasil - e endossado por vários partidos de esquerda.


Os caminhoneiros autônomos se comprometeram a suspender a paralisação após assinarem ata de reunião em que o governo se comprometeu com a redução de R$ 0,46 no litro do diesel por 60 dias. Além desta, os ministros de Temer adotaram uma série de medidas para atender à categoria.

Entre essas medidas estão: redução a zero da alíquota do CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), redução de 10% no valor do óleo diesel nos próximos 30 dias, periodicidade mínima de 30 dias para eventuais reajustes do preço do óleo diesel e não fazer a reoneração da folha de pagamento das empresas do setor de transporte rodoviário de cargas.

Ou seja, o governo vai extinguir a CIDE e reduzir o PIS/COFINS que incide sobre o diesel, de R$ 0,46 por litro para R$ 0,35 por litro. Com isso, já há uma redução de R$ 0,16 no preço. Os outros R$ 0,30 virão de subsídios. O governo repassará dinheiro de impostos para a Petrobras e para importadoras de combustíveis (responsáveis por 20% do consumo interno) para compensar essa queda forçada no preço.

Seremos nós, os cidadãos, que pagaremos essa conta. Mas não é uma conta de centavos. A extinção da CIDE e a redução do PIS/COFINS gerarão, segundo o próprio governo, uma queda na arrecadação de R$ 4 bilhões. Já os subsídios diretos custarão mais R$ 9,5 bilhões.

O governo vai deixar de arrecadar R$ 4 bilhões e, além disso, gastará mais R$ 9,5 bilhões. É um rombo de R$ 13,5 bilhões. É essa a nossa conta após a paralisação dos caminhoneiros. Caberia à direita assumir a dianteira desse momento e impor suas pautas econômicas, com destaque para a privatização da Petrobras.

Além disso, os direitistas brasileiros deveriam ter defendido a abertura total e a desregulação total do mercado interno para o refino de petróleo. A Petrobras monopoliza esse setor ficando responsável por 98% do refino. Isso significa que sempre caberá ao governo definir a política de preços, consequentemente sempre seremos nós que pagaremos a conta, independente do que seja decidido, sem direito de escolha.


Também era preciso exigir redução ampla e radical dos gastos do governo, como a abolição de ministérios, agências e secretarias. Apenas dessa forma seria possível reduzir impostos sem afetar a Lei de Responsabilidade Fiscal e sem gerar um rombo que precise ser pago pelos cidadãos. Para ficar ainda melhor, daria para exigir o fim das regulamentações sobre a abertura de postos de combustíveis, que são a maior reserva de mercado do país.

Fosse mais calejada, mais experiente e mais organizada, a direita brasileira ainda listaria medidas mais urgentes para o povo não sofrer com a paralisação dos caminhoneiros, que seria o governo e a ANTT liberando transportadoras estrangeiras para fazerem fretes aqui dentro, de uma cidade a outra. Daria para amenizar bastante o desabastecimento ocorrido em todo país.

A longo-prazo, caberia também à direita exigir a abertura total do mercado de transportes, com desregulação total do setor para permitir a entrada de empresas estrangeiras que, finalmente, poderiam resolver um antigo gargalo no Brasil que é a falta de uma malha ferroviária, que pode transportar com mais rapidez e agilidade não apenas pessoas, como cargas.

Essa sensação de falta de organização continuará imperando enquanto a direita brasileira não tiver seus partidos estabelecidos e sólidos, ao menos um que seja, de fato, conservador, e outro que seja, de fato, defensor do liberalismo econômico.
Direita perdeu chance de ouro de impor pautas econômicas Direita perdeu chance de ouro de impor pautas econômicas Reviewed by Wilson Oliveira on 22:23:00 Rating: 5

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.

Tecnologia do Blogger.