Entenda as consequências econômicas da saída dos EUA do acordo com o Irã



Por Pedro Augusto

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou o país do acordo com a República Islâmica do Irã, negociado por Barack Obama com o objetivo de aliviar as sanções ao país em troca da limitação da atividade nuclear dos iranianos.

O republicano argumentou que o Irã é "o principal Estado patrocinador do terrorismo", uma referência ao financiamento dos grupos terroristas Hezbollah e Hamas.

A decisão não foi uma surpresa. O presidente dos Estados Unidos relevou suas intenções no livro "A América Debilitada. Como Tornar a América Grande Novamente". Trump argumentou que o desenvolvimento de uma arma nuclear pelos iranianos seria o começo de uma corrida nuclear no Oriente Médio e um desequilíbrio maior em relação ao estado atual. Na última semana, o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, um dos principais aliados dos norte-americanos na região, afirmou que seu reino buscará o mesmo caminho caso o Irã obtenha uma arma nuclear.

“Um Irã, com uma arma nuclear, iniciaria uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio com consequências potencialmente devastadoras".

A República do Islã com maior possibilidade de enriquecer urânio e consequentemente se armar nuclearmente é uma ameaça a influência dos sauditas no Oriente Médio tanto politicamente, economicamente e religiosamente. A Arábia Saudita, que é cede do locais mais sagrados para o islã (Meca e Medina), é de maioria sunita, enquanto seus principais rivais são xiitas. Os sauditas também são os maiores exportadores de petróleo da região seguidos de perto pelo iranianos. Para os Estados Unidos, ver um Irã forte é perder o poder de influência na região, que atualmente é encabeçado pelo reino saudita.

Hoje, para aumentar a sua influência, o Irã apoia a ditadura de Assad e suas atrocidades contra o povo sírio, patrocina grupos terroristas xiitas no Iraque, incentiva conflitos no Iêmen e apoia o Hezbollah no Líbano, que tem o papel de desestabilizar o país.

Trump em outras ocasiões também revelou preocupação pelo seu principal aliado no Oriente Médio: Israel. Um rival de longa data dos iranianos. Líderes da República do Islã além de apregoarem ódio contra os judeus e a destruição do estado israelita, já chegaram a negar o holocausto.

Os planos iranianos para obter armas nucleares

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu informou no dia 30 de abril que o serviço secreto israelense descobriu um projeto do Irã para construir e testar armas nucleares chamado Projeto Amad, apesar do alívio nas sanções serem uma condição para a limitação do enriquecimento de urânio. Ou seja, o governo iraniano vinha escondendo suas intenções da comunidade internacional.

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De acordo com os arquivos apresentados, pretendia-se construir cinco ogivas nucleares e colocar em mísseis balísticos o poder de fogo de cinco bombas de Hiroshima.

As possíveis consequências econômicas das sanções 

No momento, o Irã produz de 3,8 milhões a 3,9 milhões de barris de petróleo por dia e o governo quer aumentar a produção. Porém, as possíveis sanções dificultaram os investimentos chineses, russos e de empresas ocidentais. Campos petrolíferos foram oferecidos a algumas companhias, mas os termos contratuais e possíveis ações dos governos dificultaram as negociações.

China, Coreia do Sul, Índia e Turquia importam cerca de 60% de todo petróleo exportado pela República Islâmica. De acordo com Center for Strategic e International Studies, é muito provável que esses países não resistam a pressão norte-americana e comprem menos do Irã. Com a Itália, França, Grécia e Espanha a tendência é a mesma.

As sanções não só prejudicarão o setor petrolífero, mas também o setor financeiro, já que o acordo permitiu ao Irã maior acesso ao comércio e investimentos internacionais. O PIB chegou a crescer e a inflação a cair, contudo, a população não desfrutou das melhorias. A taxa de desemprego aumentou; os recursos não foram usados para o bem interno do país, mas sim para o apoio de aliados externos; o preço da gasolina aumentou 50% e estouraram os casos de corrupção. No início do ano, a população chegou a ir às ruas protestar contra o governo.

Em uma economia em crise, as sanções aprofundarão ainda mais os problemas econômicos. Com a saída dos Estados Unidos do acordo, os setores petroquímicos, petrolíferos e financeiros serão acertados em cheio no Irã. Para impedir uma crise pressão interna maior, o país pode desistir da ideia de enriquecer urânio para pôr fim às sanções.


*Pedro Augusto é estudante de jornalismo, conservador burkeano e tem interesse por Economia e Política Internacional. É sub-editor-chefe de O Congressista e editor da seção Expresso News. 

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