O surgimento da chapa Álvaro Dias e Flávio Rocha


Por Wilson Oliveira

Desde que comecei a acompanhar eleições (1998 por alto, 2002 pra valer), só lembro de ter visto um candidato à presidência largar tão bem em todas as regiões: Lula. Todos os outros sempre tiveram dificuldade em vários lugares, mesmo aqueles que chegavam ao segundo turno, como foram os casos de Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Geraldo Alckmin.

Dilma Rousseff e Aécio Neves também sofreram para terem votos em todos os lugares, muito por conta da sombra de Marina Silva.

Mas Jair Bolsonaro está se popularizando de norte a sul do Brasil, passando pelo nordeste, centro-oeste e sudeste. Mesmo faltando muitos meses para o pleito, assim como aconteceu com Lula nos anos em que o petista foi eleito.

Percebendo que a eleição está se encaminhando para o colo do deputado federal do PSL, o centrão começou a se articular buscando uma aglutinação em torno de apenas um candidato – só agora os políticos do establishment, acostumados a viver em bolhas no mundinho à parte de Brasília, perceberam que Bolsonaro está traduzindo o sentimento da sociedade brasileira, cada vez mais à direita.

Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia é o principal líder dessa articulação. A princípio, PSDB e PMDB não farão parte desse bloco, pois os líderes de DEM, PR, PRB, PP, SDD e PSD estão vendo que Geraldo Alckmin está afundando e que ter o apoio de qualquer peemedebista famoso, como Michel Temer, é pedir para ficar queimado.

Um nome que surge como estratégico para os partidos do centrão é o de Álvaro Dias, pré-candidato do Podemos. Ele é o candidato com discurso que mais se aproxima de Jair Bolsonaro, casando perfeitamente com os objetivos desse bloco centrista, que é andar para centro-direita. Álvaro tem falado (veja que curioso) em derrotar o establishment e refundar a República. Ele é um dos defensores do fim do foro privilegiado.

Para dar mais força a essa chapa que uniria todos os partidos de centro, esses políticos pensam em Flávio Rocha, o liberal dono da Riachuelo, que é do PRB, para ocupar a vaga de vice. O partido da Igreja Universal já se mostrou totalmente aberto a retirar a candidatura de Flávio para cooperar com essa união. O próprio empresário já começou a discursar sobre a necessidade de uma aglutinação dos partidos de centro.

Se essa união acontecer com a composição de uma chapa como essa, Álvaro Dias se tornará um candidato perigoso para as pretensões de Jair Bolsonaro, pois ele passará a ter um tempo de TV muito grande. Sem contar que ele tem conseguido alguns resultados surpreendentes em pesquisas, como ter mais votos que Alckmin no Rio de Janeiro, mesmo sendo completamente desconhecido – e quem é governador de São Paulo sempre é famoso entre os cariocas, o que deixa claro como o tucano está mal.

Mas isso é apenas uma projeção. O que temos de concreto é que Jair Bolsonaro é o único candidato à presidência a arrastar multidões onde quer que ande pelas suas viagens ao redor do Brasil, com fãs se aglomerando desde o seu embarque em aeroportos. E tem um detalhe: alguns partidos estão de olho nessa popularidade. Nomes do PR falam ser muito mais vantajoso apoiar Bolsonaro, inclusive cedendo Magno Malta para ser vice.

Essa questão pode fazer Rodrigo Maia ter bastante trabalho para atrair todos os partidos que tem mantido contato para o seu bloco. Montar uma chapa gigante para Álvaro Dias ou qualquer outro nome do centro não será uma tarefa tão simples. Mas se ele conseguir poderá ter um candidato forte, mas que ainda não quer dizer que chegará ao segundo turno.


*Wilson Oliveira é defensor do retorno da monarquia parlamentar no Brasil. É conservador monarquista, com influências da tradição anglo-saxã do liberalismo clássico, do minarquismo, da Escola Austríaca e da Escola de Chicago. Reside no Rio de Janeiro, é jornalista e editor-chefe de O Congressista.
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