Um caminho para a dívida dos estados


Por Erick Fernandes
Confira a publicação original

João e Pedro são irmãos, ambos são filhos de Maria. Maria trabalha como secretária e possui um salário de classe-média baixa. Por ser de classe-média baixa, Maria matricula seus filhos em escola pública devido ao fato de não poder arcar com as despesas de uma escola privada a seus filhos. Terminada a escola, seus filhos vão para a universidade particular e possuem a mensalidade paga pela própria mãe. Entretanto, João é um filho que trabalha e concilia seus estudos durante a faculdade, já Pedro se dedica somente aos estudos.

Certo dia, Pedro surge desesperado e pede dinheiro a sua mãe. Ele conta que toda a mensalidade que Maria dava a ele, ele gastava em jogos de poker, e não apenas isso, Pedro estava com uma dívida grande com o lugar onde ele jogava poker. De uma fonte inimaginável, Maria consegue o dinheiro a seu filho, ele paga o dinheiro do Poker e então volta a cursar a faculdade. João se revolta, pois trabalhava e estudava, e de certa forma parte de sua receita acabava indo parar no bolso de Maria e assim como no bolso de seu irmão.

João decide se divertir, começa a gastar o dinheiro dele em baladas, seu rendimento na universidade cai e ele acaba se endividando da mesma maneira que Pedro quando esse jogava poker. Assim como seu irmão, João também pede socorro a sua mãe e consegue dinheiro para pagar suas dívidas. Entretanto, sua mãe impõe condições para ambos seus irmãos: suas notas serão acompanhadas e agora será ela que fará os pagamentos dos filhos diretamente a faculdade.

Sendo assim, a probabilidade dos irmãos gastarem o dinheiro da faculdade com fontes alternativas é quase nula. Os estados são como João e Pedro. Quando um estado não consegue arrecadar impostos e aumenta seus gastos públicos, esse estado se endivida e pede socorro para à União. O dinheiro que provém da união vem de outros estados, assim como das pessoas do próprio estado endividado via impostos.

Caso o governo não acompanhe com determinadas condições um socorro econômico ou até mesmo uma renegociação de dívida (quando o número de parcelas aumenta e o pagamento se torna menor), é grande a probabilidade que esse estado volte a fazer os mesmos gastos e se endivide mais ainda. Não apenas se endividará mais ainda, mas irá desmotivar os outros estados com solidez fiscal a cumprirem metas fiscais, pois não faz sentido os estados se esforçarem para baterem um equilíbrio fiscal enquanto há outro estado que não cumpre, além disso é sempre socorrido pela união. 

Vale salientar que a união acaba arrecadando dinheiro de estados com maior saúde em suas contas públicas e, portanto, eles pagam dívidas de outros estados também, assim como João paga indiretamente as dívidas de seu irmão. Em uma situação onde diversos estados se desmotivam a cumprirem metas fiscais, surgirão muitos estados quebrados pedindo socorro a união, e a união naturalmente terá de aumentar o número de impostos, e será a população que pagará o endividamento desses estados.

Sendo assim, devemos seguir a receita que Maria propõe ao acompanhar seus filhos, propor metas e ter um controle maior da vida financeira de seus filhos. Da mesma maneira, a união deve acompanhar a saúde financeira dos estados, propor metas e visar o equilíbrio das contas públicas de estados endividados.
Um caminho para a dívida dos estados Um caminho para a dívida dos estados Reviewed by O Congressista on 23:12:00 Rating: 5

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.

Tecnologia do Blogger.