Paulo Guedes, o professor economista de Jair Bolsonaro


Por Wilson Oliveira

Privatizações. Empreendedorismo. Reducação radical da burocracia e dos impostos. Abertura do mercado. Essas expressões começaram a fazer parte do repertório do pré-candidato à presidência da República Jair Bolsonaro há mais ou menos dois anos. No início era algo meio tímido. Mas nos últimos meses se transformou em uma sólida linha que parece definitivamente ter entrado na vida do deputado federal do PSL. E o responsável por isso é o economista liberal Paulo Guedes.

O economista é formado com Ph.D em economia pela Universidade de Chicago, uma das mais renomadas do meio liberal econômico. Guedes apresenta como experiência ser um dos fundadores do Banco Pactual e sócio majoritário do grupo BR Investimentos, além de ter integrado o conselho de administração de várias companhias, como PDG Realty, Localiza e Anima Educação.

Paulo Guedes também fundou o Instituto Millenium, um dos principais 'think tank' brasileiros que trabalha na disseminação do pensamento econômico liberal. Além disso, ele foi professor de macroeconomia da PUC-RJ, da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e do IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada). Também é sócio majoritário do Ibmec (que recentemente passou a se chamar Insper).

Bolsonaro e Guedes têm participado de encontros semanais principalmente para discutir o programa econômico do possível governo. O resultado dessas conversas foi visto com mais ênfase pelo mercado em sabatina realizada pelo Correio Braziliense, onde Jair Bolsonaro defendeu livre mercado e reforma da previdência. Os agente financeiros ficaram mais tranquilos com o conteúdo apresentado.


Paulo Guedes é visto com muito bons olhos pelo mercado principalmente por sua total oposição à social-democracia, representada nos últimos governos brasileiros por PT, PMDB e PSDB. Segundo Guedes, esse grupo político "costuma aumentar gastos do governo e aparelhar o Estado para arquitetar esquemas de corrupção". Nessa linha, a Reforma da Previdência é justamente uma das principais metas do economista, que a classifica como "bomba-relógio".

Outra ponta que Guedes pretende trabalhar são os programas de renda para os mais pobres. Matéria publicada recentemente pelo Estadão anunciou que o Bolsa Família deve ser mantido em um governo Bolsonaro. Em entrevista ao "Boletim da Liberdade", Paulo Guedes explicou qual é o objetivo com essa ideia:

"Programas sociais de transferência de renda são inteiramente louváveis. Os liberais compreendem e criaram as mais potentes ferramentas para erradicação da miséria. Estamos examinando um programa de renda mínima. Mas não adianta só incluir os pobres no orçamento. A verdadeira inclusão social é o emprego. O sujeito que tem emprego cuida dele mesmo".

O Estadão vinculou uma matéria que traz o que pode ser um esboço do programa econômico de Jair Bolsonaro, apresentado por Paulo Guedes, incluindo várias reformas, como a Política, a Fiscal, a Tributária, a Previdenciária e a Administrativa, feitas em blocos, justamente para enfrentar menos resistência no Congresso. Um dos pontos que mais se destaca é a redução drástica de ministérios, que pode chegar a apenas 10.


A junção de um economista liberal com um pré-candidato que possui posições conservadoras para a área de segurança pública e para a derrubada do establishment tem sido motivo de desespero tanto para a esquerda como para o centro político no Brasil. Inclui-se nesse grupo que vê com preocupação a perda do monopólio da palavra a grande mídia, que não se furta em lançar manchetes maldosas que tentam a todo custo descreditar Bolsonaro junto ao leitor.

Porém, seguindo uma linha mais técnica, fria e baseada em fatores concretos, o mercado tem feito projeções atrás de projeções tentando medir o humor dos eleitores e descobrir quem vai ser o próximo presidente da República. Ao abalizar uma disputa de segundo turno, os nomes de Bolsonaro e Ciro Gomes tem sido o mais citados entre os agentes e as instituições financeiras, gerando uma procura muito grande aos responsáveis pelo programa econômico de ambos.

Entretanto, na última quinta-feira, a revista Exame publicou uma matéria informando que o mercado começa a dar como certa a vitória de Jair Bolsonaro, independente de quem ele venha a enfrentar no segundo turno. Levantamento feito pela XP Investimentos aponta que para 48% dos agentes financeiros Bolsonaro será o próximo presidente do Brasil, enquanto Geraldo Alckmin, do PSDB, é quem mais vem perdendo confiança junto ao mercado - antes o tucano tinha exatamente os mesmos 48%, mas agora tem 31%.


*Wilson Oliveira é defensor do retorno da monarquia parlamentar no Brasil. É conservador monarquista, com influências da tradição anglo-saxã do liberalismo clássico, do minarquismo, da Escola Austríaca e da Escola de Chicago. Reside no Rio de Janeiro, é jornalista e editor-chefe de O Congressista.
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