Questão migratória pode derrubar Angela Merkel

Angela Merkel enfrenta a maior crise do seu governo por conta da questão migratória

Por Fellipe Luiz Villas Bôas
 
Desde 2015, o partido União Social Cristã na Baviera, CSU, vem divergindo da política migratória da chanceler alemã Angela Mekel. O CSU forma uma facção comum no Bundestag com a CDU, que é frequentemente referida como a Facção da União (die Unionsfraktion).


A crise começou quando o ministro do interior, Horst Seehofer, passou a exigir que a Alemanha comece a afastar alguns refugiados da fronteira, uma medida que Merkel rejeita. A disputa é parte de uma crise ressurgente sobre a política de refugiados, alimentada pelos sucessos eleitorais dos partidos anti-imigração em toda a Europa.

Em mais um exemplo de desgaste, Seehofer cancelou abruptamente uma coletiva de imprensa marcada para anunciar sua nova política de asilo, após ser impedido por Merkel. Mas o ministro do Interior não aceita qualquer recuo sobre o assunto, levando a temores de uma luta pelo poder dentro do governo.

Qualquer movimento de Merkel que sinalize uma demissão de Seehofer poderia levar ao colapso de sua coalizão. O ministro do Interior é o líder do CSU e poderia retirá-la do governo, deixando Merkel sem uma maioria no parlamento. A chefe de governo da Alemanha enfrenta um sério desafio à sua autoridade que poderia limitar sua capacidade de negociar com os parceiros da União Europeia.

De acordo com as regras da UE, a Alemanha já pode enviar os requerentes de asilo de volta ao primeiro estado membro em que entraram. Mas os casos só são decididos quando os migrantes pedem asilo e poucos são deportados - no ano passado, apenas 7.100 dos 64.000 casos desse tipo resultaram em deportação.

E Seehofer quer mudar isso, rejeitando esses migrantes na fronteira. Mas Merkel é acusada de temer que essa medida possa irritar outros países da UE e arruinar seus esforços para negociar uma nova política migratória em toda a UE. “No que me diz respeito, vamos aplicar a lei europeia. Porque eu só vejo uma solução na regulação europeia ”, disse ela à televisão alemã no fim de semana.


"Temos uma situação muito séria em nossas mãos", disse Alexander Dobrindt, líder da CSU no parlamento federal, a repórteres em Berlim na quinta-feira. “Alguns chamam isso de situação histórica. Nós não estamos nos movendo em nossa posição.”

Por agora, ambos os lados se afastaram da beira do abismo. As negociações sobre um possível acordo entre os legisladores seniores da CDU e da CSU foram retomadas na quinta-feira e os líderes da CSU planejam debater a estratégia na segunda-feira. De sua parte, Merkel se encontra com o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, com a migração no topo da agenda.


Mas o ministro alemão tem um aliado de peso, o primeiro-ministro austríaco Sebastian Kurz, que no dia 1º de julho assume a presidência da UE. E em visita a Berlim, esboça uma agenda de acordo com a ideia do chefe da CSU. "Nosso grande objetivo é avançar com a proteção das fronteiras externas", diz Kurz.

Um dos tópicos do encontro foi a questão da Albânia, que pode vir a ser um corredor de refugiados para o restante da União Europeia.

Fontes do Artigo:

- Zeit
- DW
- Telegraph
- Bloomberg

*Fellipe Villas Boas é defensor do retorno da monarquia parlamentar no Brasil. É conservador monarquista, com influências da tradição anglo-saxã do liberalismo clássico, do minarquismo, da Escola Austríaca e da Escola de Chicago. Reside em São Paulo, é estudante de direito e articulista de O Congressista.
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