Conheça o jovem de 21 anos que se prepara para ser presidente do Brasil


Por Wilson Oliveira

Túlio Schommer é um jovem baiano de 21 anos insatisfeito com a situação política do Brasil, assim como muitos brasileiros. Mas ele quer ir além do que pretendem os cidadãos. Desde já, Túlio se prepara para torna-se presidente da República. E isso não é apenas conversa fiada. Em bate-papo com O Congressista, ele contou que tem "plena consciência da zoeira e dos memes que ainda vão ser criados sobre essa ideia doida". Mas ele também garantiu: "é um desejo real e o projeto é um compromisso real".

Fotógrafo e produtor de vídeos (ele possui um canal no YouTube sobre política), Túlio Schommer disse gostar muito do que faz, mas que nada lhe agrada mais do que a ideia de liderar politicamente. Confira a entrevista abaixo:

O Congressista: Como nasceu o seu interesse por política a ponto de querer fazer parte dela?

Túlio Schommer: Acredito que meu interesse por política foi despertado gradualmente, e algumas experiências podem ser citadas como pontos decisivos. Primeiro veio o interesse pela filosofia. Eu fui evangélico por sete anos, dos 11 aos 18, por convicção própria. A bíblia, inclusive, foi talvez o primeiro livro que me dediquei a estudar de verdade. A teologia me encantava. Daí vim cair na filosofia, quando estava começando o ensino médio. Li Ayn Rand, a ideia da ilustração do homem produtivo como o titã Atlas parecia genial. Depois me lembro que meu pai me colocou num grupo de discussões no Facebook chamado “Liberalismo”. Dali eu comecei a querer participar das discussões de maneira mais ativa.

O Congressista: Como você se define politicamente? Por quê?

Túlio Schommer: Quando eu comecei a estudar política, e entender os conceitos básicos, eu me definia como um conservador, embora fosse muito receoso da ideia de estabelecer um padrão moral que ferisse a individualidade e a cultura do outro. Mesmo reconhecendo o sucesso do Ocidente e do cristianismo, eu sempre acreditei que era preciso saber conversar com o diferente. Depois de Rand eu acredito que fui caminhando para uma crença mais liberal/libertária. Atualmente, eu diria que não sei exatamente o que sou. Penso que me pareço muito mais com os libertários, embora não compartilhe da fé da maioria, que acredita que é viável acabar com o Estado por iniciativas puramente agoristas ou brutalistas.

Eu diria que o estado ideal é estado nenhum. Justamente pela questão da ética. O imposto, enquanto uma determinação compulsória, é sempre uma forma de espoliação violenta, por conta do uso das armas para garantir a “contribuição”. Mas penso que devo apoiar toda e qualquer iniciativa que vise diminuir o Estado. Esse deveria ser o ponto de convergência central entre liberais, libertários e conservadores.

O Congressista: Você possui 21 anos de idade e anunciou que desde já vai se preparar para se tornar presidente do Brasil. Qual o motivo desse projeto e o que você pretende fazer para se preparar para esse objetivo?

Túlio Schommer: Eu tenho plena consciência da zoeira e dos memes que ainda vão ser criados sobre essa minha ideia doida. Mas é um desejo real e o projeto é um compromisso real. O motivo é individual e coletivo. Em primeiro lugar, eu sempre tive vontade de contribuir com a melhora da vida das pessoas. Essa é uma aspiração minha, e eu entendo que a buscar me trará uma felicidade que não vou encontrar em nenhum dos outros planos que poderia ter para minha atuação profissional. Eu trabalho, sou produtor de vídeos. Gosto muito do que faço. Mas nada me agrada mais do que a ideia de liderar politicamente.

A preparação é um caminho longo. O tempo é meu maior trunfo. Tem a parte teórica, que é me munir a cada dia mais com informação e formação para entender os problemas e desafios do país, e estudar a forma mais eficiente de apresentar soluções para tais problemas. Mas tem também a parte prática, que é aprender a lidar com as pessoas. Eu converso com pessoas de todos os perfis. Você vai me ver a vontade tomando uma cerveja na favela, tanto quanto vou saber me comportar num ambiente mais formal entre pessoas distintas. Tem muita gente que já surgiu com um discurso eficientista e um bom preparo, eu posso citar a candidatura do Meirelles como exemplo disso, mas que peca no quesito carisma e jogo de cintura. Eu entendo que a política também é feita disso. Não adianta ser bom se o que realmente ganha o jogo é saber apertar mãos, olhar nos olhos e convencer as pessoas da minha verdade.

O Congressista: Como você enxerga a situação atual da política brasileira e as eleições de 2018? Já definiu seu candidato para presidência da República?

Túlio Schommer: Essa é uma boa pergunta. Eu estou, inclusive, produzindo alguns vídeos sobre o assunto para meu canal. Eu enxergo com uma leve pitada de otimismo, e uma boa porção de medo e descrença. Temos opções que estão sendo levadas a sério, pela direita e pela esquerda, que estão muito aquém da solução que o país precisa. Candidatos que falham e se contradizem em questões simples. Gente que votou e é contra a reforma da previdência, desconsiderando o fato de que é um rombo que precisa ser estancado urgentemente.

Acredito que as pessoas deveriam ser um pouco mais exigentes sobre o seu voto. Mas eu entendo que muitas vezes temos de nos acostumar ao que o jogo político oferece e votar para evitar o pior. Aliás, essa é uma das principais ideias do projeto Planalto. Acabar com o voto no menos pior. Quero, quando chegar o momento, poder representar uma opção segura. Alguém que transmita confiança em suas propostas. Eu preciso lembrar que não sou candidato a nenhum cargo político hoje, e faço isso já pensando no que o TSE pode vir me dizer daqui a alguns anos.

Não vou revelar o meu voto no momento. Mas posso dizer que os candidatos que mais me agradam em suas propostas não são muito populares pelo que mostram as pesquisas. Esse segundo turno vai me dar uma grande dor de cabeça. Eu preciso também fazer um adendo e dizer que estou muito feliz com o fato de que temos visto, finalmente, opções realmente liberais e ideológicas da direita para o legislativo. Só isso já é um grande avanço.


O Congressista: Quais as qualidades você espera de um político que proponha a renovação na política brasileira?

Túlio Schommer: É um pouco do que já disse antes. Um bom político deve estar preparado para responder qualquer coisa que diga respeito a administração estatal no que está se propondo a fazer. É como contratar um bom gestor para uma empresa. Você só vai confiar em quem souber realmente o que está fazendo. Você vai analisar currículo, vai colocar na parede na entrevista. Infelizmente, o eleitorado brasileiro ainda não aprendeu a fazer isso. Elegemos pessoas para a legislatura municipal que não fazem ideia do que um vereador deve fazer. E assim por diante.

Mas, como disse, um bom político também deve lidar com as pessoas de maneira inteligente. Ele deve se mostrar capaz de convencer as pessoas. É isso o que se espera de um bom líder. Em resumo, reforçando o que já disse, um bom político une preparo e persuasão. Além disso, deve ter convicção de que o estado nada produz. E que é justamente dar mais autonomia às pessoas que irá criar prosperidade. Esse é o meu compromisso ideológico.

O Congressista: Se você realizasse neste momento o sonho de ser presidente do Brasil, quais seriam as suas fontes de inspiração, tanto para a parte teórica (autores) como para a parte prática (políticos)?

Túlio Schommer: Eu me sinto seguro por estar bem munido de referências, apesar de me considerar ainda bastante inexperiente para o objetivo que pretendo atingir. Como autores eu sempre gosto de citar Ayn Rand, pela importância que seus escritos tiveram em minha formação política, como também não posso esquecer de Mises, Friedman, Orwell e Taleb. Este último é minha leitura atual. Tem sido importante conhecer esta ciência do imprevisível. Recomendo muito para quem quer ampliar a sua compreensão política e econômica.

Sobre inspirações políticas me agrada muito lembrar de Roberto Campos, um brasileiro que participou de diversos governos e foi uma âncora de sobriedade política por um bom período da nossa história. Devemos muita coisa ao velho Bob Fields. Também gosto muito do que Thatcher representou na Inglaterra. É preciso saber ser firme diante da pressão. O Temer até tem um pouco disso, mas infelizmente está metido com todo o tipo de sujeira e não merece a aprovação moral de ninguém.

O Congressista: E quais seriam suas três primeiras medidas a serem implementadas?

Túlio Schommer: Bom. Este é o tipo de pergunta que me põe a prova. É exatamente o tipo que mais gosto de responder.

Uma reforma da previdência é extremamente urgente. Nós estamos comprometendo boa parte do orçamento público com isso. Temos um movimento de inversão da pirâmide etária. As pessoas precisam se dar conta de que hoje se têm menos filhos e se vive mais. Com isso, como a previdência é basicamente um esquema de pirâmide financeira, criamos um verdadeiro ralo de dinheiro público. Está tudo indo para lá. Ou reformamos a previdência agora, ou estaremos comprometendo o futuro econômico do país, e em breve as pessoas que passaram uma vida inteira confiando nos rendimentos da aposentadoria irão sofrer um grande calote. É claro que o maior desafio de promover essa reforma, e nós já vimos isso, é fazê-la passar no congresso. A gente precisaria de um grande golpe de marketing para fazer as pessoas comprarem a ideia. Algo chocante, mesmo, colocando a possibilidade de calote como algo real e que está às portas, e não como uma consequência de longo prazo.

Como segunda medida eu iria reduzir drasticamente a tributação sobre consumo e rever a tributação de renda. Precisamos de um novo cálculo. Contudo, a ideia seria unificar os tributos, caminhando para uma simplificação tributária. O imposto único é um dos meus sonhos, inclusive. É preciso se dar conta de que as empresas brasileiras acabam gastando tanto com a burocracia e com a complexidade tributária, que só a simplificação já teria o impacto de um grande corte de impostos. A ideia é caminhar para um estado mais enxuto.

Por último, iria propor uma mudança radical no sistema de justiça brasileiro. Tem que acabar essa farra das audiências de custódia orientadas a colocar bandidos perigosos para esperar a condenação na rua. Isso é um absurdo inaceitável. Precisamos também repensar a questão da maioridade penal. O modelo americano é muito mais sóbrio quanto a isso. Não deve existir uma idade que inaugure a responsabilidade penal. Cada caso deve ser analisado especificamente, para entender qual a consciência do menor que cometeu um crime. E se for o caso, que responda exatamente como um adulto.

O Congressista: Poderia nos trazer também a leitura que você faz da política em Salvador e no estado da Bahia?

Túlio Schommer: A política baiana é muito parecida com a política brasileira, de maneira geral, com suas particularidades. Em suma, 90%, por baixo, das soluções políticas são totalmente populistas. Nossa classe política se aproveita do imediatismo da população, que não se propõe a entender que soluções mágicas sempre irão criar grandes custos, e todo custo do estado é custo do bolso de cada cidadão, inclusive do mendigo que mora na rua e compra pão e cigarros. Até um indigente paga imposto, e não paga pouco.

Já estivemos muito pior. ACM Neto (DEM), o prefeito, e Rui Costa (PT), o governador, são até bons gestores. Eles fazem governos bastante acima da média, se olhamos para o passado. Contudo, ainda gastam fortunas em publicidade e travam uma guerra desnecessária em que só quem sangra é a população. Enquanto o governo ostenta o metrô, a prefeitura quer ostentar o BRT, mesmo que não haja qualquer necessidade de gastar mais dinheiro com isso. Não existem políticas efetivas de segurança pública. Os baianos vivem com medo. Diferente de São Paulo, onde o PCC manda sozinho, e também por isso os índices de violência caíram por lá, em Salvador temos pelo menos quatro grandes facções disputando o poder. Estes políticos que estão aí não estão prontos para solucionar o problema. Nem sequer fazem ideia de como fazer isso. Você não anda um quilômetro em Salvador sem passar por pelo menos duas viaturas. E ainda assim o medo impera.
Conheça o jovem de 21 anos que se prepara para ser presidente do Brasil Conheça o jovem de 21 anos que se prepara para ser presidente do Brasil Reviewed by Wilson Oliveira on 21:22:00 Rating: 5

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.

Tecnologia do Blogger.