Entenda como começou a Guerra da Síria

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Por Pedro Augusto

A Síria há alguns anos enfrenta crises políticas e econômicas que desmoralizaram e geraram criticas da população ao regime do ditador Bashar al-Assad. Protestos em países vizinhos, como no Egito, Tunísia e Líbia em busca de mudanças no governo impulsionaram manifestações dos sírios pelo seu país.

Os primeiros conflitos na Síria começaram em 2011. No fim de janeiro deste ano, um grupo de sírios realizou uma vigília em solidariedade a um grupo de manifestantes egípcios em Bab Touma, em um bairro cristão da Cidade Antiga de Damasco. No mês seguinte, um grupo protestou na capital contra um oficial da polícia por insultar o filho de um mercador local. Apesar do ato manifestar a insatisfação contra um agente policial, ele tinha como slogan "O povo sírio não será humilhado". Para acalmar as tensões, o Ministério do Interior da Síria chegou a se desculpar com o povo. No entanto, o pedido pouco significou.

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Revoltas se intensificaram pelo país para pedir por reformas e que tiveram a violência como resposta. O estopim se deu quando 15 garotos, alguns com dez anos de idade, foram pegos pelas forças de segurança do regime por picharem em paredes frases pedindo democracia no país. Protestos semelhantes foram realizados em maior número em grandes cidades como, por exemplo, Damasco. A resposta do Estado e de milícias pró-Assad foi a violência. Muitos manifestantes foram presos e torturados através de surras de canos, chicotes, choques elétricos, extração de unhas, queimaduras com ácidos etc. Diversos casos de estupros foram relatados (alguns feitos na frente dos pais das moças) e uma mulher teve um rato inserido em sua vagina. Meninas de 11 anos tiverem gravidez indesejada em consequência da violência sexual.

Palestinos e muçulmanos sunistas eram os mais perseguidos e vítimas de violência por parte do governo. O objetivo de Assad era radicaliza-los e levados ao extremismo para assim colocar a população contra eles, já que eram os mesmos os quais mais protestavam contra o Estado. O ditador sírio usou os alauitas, uma ramificação cultural do xiitas que constituí entre 8% e 15% da população síria, para atacar os sunitas - que chegam a ser 75- com o "prêmio de150 dólares por cada assassinato ou captura.

No ano de 2011, uma insurgência contra o governo começou a se levantar intitulada "Exército Livre da Síria". Em busca de influência e de combater a influência dos iranianos na síria, a Arábia Saudita, através da Jordânia e Turquia, enviou armas e dinheiro aos rebeldes com o objetivo de derrubar o governo Assad; que é apoiado pelo Irã, o maior rival dos sauditas na luta para se tornar a maior potência do Oriente do Médio.

Para frear as pretensões dos rebeldes, al-Assad decidiu soltar presos
extremistas que se aliariam a rebelião e a enfraqueceriam com o seu extremismo, além de buscar ajuda de seu maior parceiro na região. O Irã, junto com o grupo terrorista Hezbollah, em 2012, apoiou e treinou tropas sírias para defender o regime e atacar os sunitas e rebeldes sírios. Alguns alauitas das tropas afirmavam que só queriam matar sunitas e estuprar suas mulheres por vingança.

Enquanto isso, os curdos, um grupo étnico de aproximadamente 25 milhões de pessoas, aproveitaram o caos que foi instalado e passaram a lutar pela sua independência e pela criação do Curdistão, que abrangeria territórios do Irã, Síria, Turquia e Iraque. A sua luta contra o governo sírio se concentra principalmente no norte do território Sírio e o seu maior inimigo não é apenas o governo local, mas também o Estado Islâmico e o turcos, temerosos que essa etnia reivindique o sul de seu país como território.

Após al-Assad atacar, em 2013, civis de Ghouta com armas químicas, os Estados Unidos entram no conflito de forma indireta. Um programa, que inicialmente ficou enguiçado, permitiu que a CIA treinasse rebeldes sírios

No ano de 2014, a guerra ganhou mais um personagem: o Estado Islâmico (EI). Até então afiliado do grupo terrorista Al-Qaeda, o EI, com a maior parte de sua base no Iraque, rompeu com o grupo por causa de desentendimentos sobre a Síria e entrou na guerra com o objetivo de criar o seu  califado em busca do pura nação islâmica.

O EI não escolheu apenas um inimigo, mas passou a atacar os curdos e os rebeldes que lutavan contra o governo sírio, mesmo que não sejam favoráveis a estes últimos.

Após ver o crescimento do poderio militar e territorial do Estado Islâmico, além do aumento do número de ataques terroristas e das práticas medievais do grupo, os Estados Unidos passaram a treinar rebeldes para combater o EI e mudaram o seu foco na guerra, mesmo que as suas ações sejam realizadas de forma indireta.

Na grande confusão que se tornou a Grande Guerra na Síria, portanto, o que se concluí é que a mesma se tornou uma conflito por busca de influência territorial, com a Arábia Saudita em busca de enfraquecer a Síria e atingir ao Irã e dos iranianos tentar não perder um importante aliado e se manter como uma das potências do Oriente Médio.

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*Pedro Augusto é estudante de jornalismo, conservador burkeano e tem interesse por Economia e Política Internacional. É sub-editor-chefe de O Congressista e editor da seção Expresso News. 


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