Favreto e os cinco minutos de fama


Por Guimarães Sileno

Da nulidade entre as nulidades, o desembargador Rogerio Favreto, filiado ao culto da imoralidade pública, como jamais se viu “nefti paíff!” concedeu na manhã ensolarada de domingo o Habeas Corpus mais infame que a fantasia jurídica pode abrigar. Retrato vil de um estado decadente de direito, onde o Procusto tem vez – e de vez em quando até ganha do heroico Teseu.

Favreto alcançou como poucos seu lugar no rol da fama dos Judas e Silvérios, dando fim à epopeia dos infames, aos guinchos histéricos e barbáries proferidas contra o Delegado titular da PF do Paraná, Roberval Ré Vicalvi, que pelos motivos óbvios recusou-se a cumprir a “desordem”. Meu avô, homem de brio - do tempo em que a política se fazia nos palanques, sempre pelos homens de bem e nunca nos tribunais, pelas costas da nação – dizia que o primeiro grito nasce do sussurro do último argumento e não há argumentos para o que assistimos perplexos. Sim, houve tempo em que até a política era território exclusivo dos homens de bem, que o único lugar reservado aos maus nos tribunais era o banco dos réus e que a vergonha pública se fazia baliza aos partidos.

Mas, transcrevendo trecho inédito da decisão monocrática do “magistrado” (ponho entre aspas para não ofender os milhares de bons juízes que servem a sociedade por este país afora), roga-se à vergonha alheia, o militante de toga, na seguinte decisão:

“Todos esses pleitos são motivados pela notória condição do Paciente de Pré-Candidato à Presidência da República nas eleições de 2018, sendo um dos figurantes com destacada preferência dos eleitores nas diversas pesquisas divulgadas pelos órgãos especializados e pela própria mídia. Também é notório que o próprio Paciente já se colocou nessa condição de Pré-Candidatura, fato registrado, inclusive, por meio de carta pública divulgada nos últimos dias, vide link acessado em 07/07/2018”.

Isso mesmo, senhores, a simples matéria de uma revista sustentada pelas verbas espúrias dos “mavs” trabalhistas é prova mais do que suficiente para que um único juiz de plantão passe por cima de todas as provas carreadas aos autos e a sabedoria e conhecimento da lei, de todo um colegiado, que condenando o meliante em segunda instância até corrigiu a decisão do juiz Moro, que fora por demais gentil na definição da pena.

A certidão de óbito do poder judiciário... Sim, o fim da picada, o abismo da justiça, ainda que nosso Teseu de toga, o Juiz (com “J” maiúsculo) Sergio Moro tenha vindo em nosso socorro em despacho urgentíssimo. Moro escreve a frase lapidar:

“Se o julgador ou autoridade policial cumprir a decisão da autoridade absolutamente incompetente, estará concomitantemente descumprindo a ordem de prisão exarada pelo competente Colegiado da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal (...)”.

Contrariado pela realidade e a força do bom senso, eivado do ódio dos possuídos, certamente dirigido ao pobre faxineiro, haja vista que todos os demais se retiraram da delegacia para não servirem de instrumento da traição e certas ordens não se cumpre!!! Desfere, o Silvério da vez, um despacho tresloucado:

“Pelo exposto, determino o IMEDIATO cumprimento da medida judicial de soltura do Paciente, sob pena de responsabilização por descumprimento de ordem judicial, nos termos da legislação incidente.”

Será essa aquela tal dança dos demônios que se diz ver em volta das fogueiras das bruxas, nas noites de Halloween?

Parece que sim, petistas insanos promovem caravanas de celerados movidos a hashtags e inserções de “lula” aos sobrenomes, como se gestos macaqueados e ofensas às instituições como esta frase do Boulos:

“Moro, que está de férias, saiu de tanguinha da praia para escrever num papel de pão uma ordem para manter o Lula preso”.

Muito além da técnica, Moro concentra a vontade soberana de uma nação. Muito além da norma, faz cumprir a LEI, aquela que na vida real reflete a legitimidade do povo a quem se dirige. Muito além do tempo, a cada um, a história há de reservar o lugar que ocuparam intensamente... Todavia, certas cicatrizes permanecem nos lembrando sempre que a tragédia nos ronda, e a batalha vencida não nos faz vencedores da imensa guerra que teremos pela frente para nos libertarmos dessa gente.

Por enquanto, resta a melancolia de saber que, TIVESSE VERGONHA NA CARA, O MAGISTRADO RENUNCIARIA COMO JUIZ E COMO ADVOGADO!

Sileno C. Guimarães é advogado por fé e brasileiro por profissão.
Favreto e os cinco minutos de fama Favreto e os cinco minutos de fama Reviewed by O Congressista on 14:41:00 Rating: 5

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