O déficit previdenciário não importa


Por Erick Fernandes

Imagine um núcleo familiar composto por quatro pessoas: mãe, pai e dois filhos. Os dois pais trabalham e são bem remunerados, então ambos ajudam na despesa de casa. Para facilitar o pagamento das contas da família, foi dividido que o pai usaria seu salário para financiar a educação de seus filhos, e a mãe faria o pagamento das demais despesas da casa.

Caso o pai ou/e a mãe tivessem um mês onde os seus ganhos fossem superiores aos seus gastos, ambos deveriam colocar o seu dinheiro em uma conta conjunta da família que seria usada como uma reserva de emergência. Só que um dos filhos do casal mora fora de casa, vivendo em uma república. Entretanto, a inflação imobiliária sobe e o aluguel se torna mais caro. Como o aluguel para pagar a república faria parte dos gastos de educação, o pai acabou tendo de aumentar seus gastos, de maneira que tais gastos superaram seu rendimento, obrigando-o a utilizar o dinheiro depositado na reserva de emergência da família.

Só que somente o pai está com esse problema financeiro, já a mãe possui um rendimento bem superior aos seus gastos. A família então contrata um planejador financeiro, que propõe para mãe que utilize o dinheiro que sobra depois dela pagar as contas de casa para subsidiar as despesas do pai que está endividado. O problema dessa premissa é que ao subsidiar as despesas de seu marido, a esposa passa a ter seus gastos superando o seu rendimento, além disso haveria o problema da inflação imobiliária aumentar.

Se formos observar a situação previdenciária no país, temos um cenário muito parecido.. Há muitas pessoas que dizem que não há déficit previdenciário, que as despesas relacionadas à saúde e à seguridade social estão no verde, portanto o superávit de saúde e seguridade social deveriam ser levados para a previdência para cobrir o rombo. A ideia parece interessante, entretanto a seguridade social e a saúde entrariam em déficit. Além disso, a população continuaria envelhecendo e a taxa de natalidade continuaria caindo, de maneira que a população economicamente ativa não conseguiria subsidiar os aposentados, que precisariam da previdência, fazendo com que os gastos com a aposentadoria continuem aumentando.

Se partirmos dessa ideia, não faz diferença se há déficit de alguma parte das contas públicas e se outra está em superávit. O que importa é analisar a saúde das contas públicas no geral, de maneira que seja possível chegar em um cenário onde gastamos menos do que arrecadamos. E então poderemos ter uma situação fiscal mais sustentável. Para chegarmos nesse cenário, devemos fazer um debate com a sociedade e entendermos o que é relevante para ela e o que não é.

Esse debate é muito importante, pois poderemos saber quais gastos devem ser cortados para que cheguemos em uma melhor situação fiscal, além disso poderemos buscar por novas fontes de receita que poderiam ser feitas com privatizações de estatais. Uma situação fiscal melhor pode subsidiar mais facilmente os custos necessários para a nossa sociedade se manter em equilíbrio.
O déficit previdenciário não importa O déficit previdenciário não importa Reviewed by O Congressista on 02:17:00 Rating: 5

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