Para manter governo, Merkel começa a endurecer política migratória na Alemanha


Por Fellipe Luiz Villas Bôas

A crise política na maior economia da Europa começa a se desenrolar após o ministro do interior alemão Horst Seehofer ameaçar uma renuncia ao cargo de ministro do interior e uma aposentadoria da liderança do CSU por divergências com a chanceler Angela Merkel sobre a politica migratória. O que forçou Merkel a ir à mesa de negociações numa tentativa de manter sua chancelaria.


A CDU e a CSU concordaram com um compromisso na disputa migratória. Horst Seehofer permanecerá Ministro do Interior. O compromisso contém três pontos:

1) Os requerentes de asilo cujos pedidos de permanência estão sendo tratados por outros países da União Europeia devem ser impedidos de entrar na fronteira germano-austríaca.

2) Devem ser criados centros de trânsito, a partir dos quais os requerentes de asilo podem regressar diretamente aos países competentes. Os acordos serão concluídos com os países envolvidos.

3) Os requerentes de asilo poderão ser recusados, mesmo que os países se recusem a celebrar um acordo com a Alemanha. O que deve ser clarificado num acordo independente com a Áustria.

A crise continua...


O acordo afeta algo em torno de 20% dos pedidos de asilo na Alemanha e diminui a temperatura, mas não apaga o incêndio com o CSU. E gera outro problema para o governo de Angela Merkel: outros partidos aliados não gostaram de partes do acordo.

No SPD há críticas à proposta de instalação de centros de trânsito na fronteira germano-austríaca. "Os centros de trânsito são zero cobertos pelo acordo de coalizão", disse o presidente federal da AG Migração no SPD, Aziz Bozkurt. "E, para ser honesto, precisamos explicar como esse estranho construto funciona, impraticável e cheio de faixas do AfD (partido anti-migração)".

A lider dos Verdes, Katrin Göring-Eckardt, também criticou a decisão no Twitter:

"Não há vencedores aqui. Perdendo: Merkel e Seehofer, a democracia, a realidade (motivo: -pessoas- morrendo no Mediterrâneo), e especialmente os refugiados."

O líder do partido Die Linke, Bernd Riexinger, aliado de Merkel, também se manifestou contra o acordo no Twitter:

"Os centros de transporte são de fato campos de internamento em massa. A humanidade é deixada para trás. Onde está a reação do SPD?".

Em 2015, a União propusera um conceito semelhante aos centros de trânsito - naquela época eles eram chamados de "zonas de trânsito" e o SPD se opôs. O então ministro do Exterior Heiko Maas (SPD), na época ainda era Ministro da Justiça, disse que era um sinal fatal, quando as pessoas que fogem da guerra e da perseguição são barrados "como em prisões em massa em terra de ninguém".

No entanto, 2015 foi sobre refugiados de países de origem seguros e aqueles que não possuíam documentos ou que portavam documentos falsos. Thomas de Mazière era então ministro do Interior e responsável pelos planos.

No projeto de lei, rejeitado pelo SPD, os prisioneiros seriam presos nas zonas - como os centros planejados da CDU e da CSU, mas ainda não foram explicitados os detalhes.

Horst Seehofer chegando à última reunião com membros do CDU e CSU

Na reunião de crise, cada parte foi representada por oito membros. O CDU pela líder do partido e a chanceler Angela Merkel; o chefe do grupo parlamentar da CDU / CSU Volker Kauder; o Secretário Geral Annegret Kramp-Karrenbauer; bem como os cinco vice-presidente do partido, Ursula von der Leyen, Thomas Strobl, Armin Laschet, Julia Klöckner e Volker Bouffier.

Do lado da CSU: o líder do partido e ministro do Interior Federal Horst Seehofer; o chefe do grupo da CSU no Bundestag Alexander Dobrindt; Secretário-Geral Markus Blume; o primeiro-ministro da Baviera, Markus Söder; o diretor-geral parlamentar do grupo regional da CSU no Bundestag Stefan Mueller; o Ministro dos Transportes Federal Andreas Scheuer; o Ministro de Estado da Digitalização Dorothee Bär; bem como o ex-primeiro-ministro da Baviera Edmund Stoiber.

Fontes:

- Zeit
- Zeit
- Zeit
- Welt

*Fellipe Villas Boas é defensor do retorno da monarquia parlamentar no Brasil. É conservador monarquista, com influências da tradição anglo-saxã do liberalismo clássico, do minarquismo, da Escola Austríaca e da Escola de Chicago. Reside em São Paulo, é estudante de direito e articulista de O Congressista.
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