Como e por que Bolsonaro abalou os alicerces da Rede Globo


Por Thiago Sena
Do blog Capital Cultural

O candidato a Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, foi o entrevista do programa Central das Eleições, da Globo News, desta sexta (04/08/2018).

A entrevista em si mostrou destreza por parte de Bolsonaro, que conseguiu se sair muito bem durante grande parte da mesma. Esquivou-se bem do que poderia complicá-lo, rebateu outras armadilhas habilmente e ainda brincou e zombou dos jornalistas diversas vezes. Seu grande problema foi durante a pauta econômica, onde titubeou em várias perguntas, ainda que tivesse o trunfo Paulo Guedes (que os entrevistadores pareciam insaciáveis em ver fora do governo por motivos de sei lá… Doença? Morte?). Talvez porque Paulo Guedes é tão bom que a única coisa ruim que possa acontecer a Bolsonaro é não ter ele no governo. Pelo menos foi o que pareceu.

Entretanto, o grande momento da noite começou quando os jornalistas puxaram o assunto do Regime Militar, numa tentativa de taxar Bolsonaro de ditador e desmerecer o período e todos os equívocos do mesmo. O tiro saiu pela culatra! Bolsonaro relembrou e citou o editorial d’O Globo de 1984, de autoria do próprio Roberto Marinho, que parabeniza o contragolpe militar (ou Revolução de 1964, nos dizeres dele) por ter evitado a golpe iminente dos comunistas para a instauração da verdadeira ditadura, a do proletariado. O silêncio foi total por alguns segundos.

A entrevista seguiu e Bolsonaro continuou bem. No último bloco respondeu as perguntas de maneira precisa e sucinta. Foi pedido que ele encerrasse o programa dizendo o que ele queria para o futuro do país. A fala foi brilhante, elencando todos os principais e melhores pontos de sua proposta para fazer, de fato, o Brasil uma grande nação. Porém, ainda estava por vir o momento máximo da noite.

@jairbolsonaro

Após encerrar sua fala o programa deu a deixa que terminaria, então o áudio de Bolsonaro vazou com algumas “zoações” com os entrevistadores. Enquanto isso, aquele silêncio… E nada de cortar o estúdio para a programação continuar… Até aí, algo intrigante no ar, mas nada comparado ao que viria.

Míriam Leitão, a comandante da roda de jornalistas, começou a receber e a retransmitir uma mensagem via ponto eletrônico, numa das cenas mais patéticas da história da TV brasileira. O conteúdo da mensagem? A fala de Bolsonaro sobre o editorial de Roberto Marinho. Míriam reiterou a veracidade do que disse o parlamentar, todavia ressaltou que O Globo publicou um editorial em 2013, 10 anos após a morte de Roberto Marinho, reconhecendo que “o apoio ao golpe de 64 foi um erro”.

Além da cena constrangedora da Míriam, repassando o que recebia no ponto, o episódio demonstrou que o Grupo Globo abalou-se profundamente com o que disse Jair Bolsonaro. A necessidade de rebater a fala do parlamente dessa maneira, e não com um texto na tela ao fim do programa, fala por si só. Ah, vale lembrar que a senhora Míriam Leitão foi militante do PCdoB durante o Regime que o presidente e fundador da empresa, onde ela trabalha, tanto elogiou.

Uma pena que não tivemos a dupla Tino Marcos e Galvão Bueno para narrar esse acontecimento épico. Certamente seria assim:

TM: — “Galvão?”

GB: — “Diga lá, Tino…”

TM: — “Sentiu…”

O mais intrigante é o seguinte: ao manter o discurso de que o Regime Militar foi uma terrível ditadura e que apoiá-la foi um erro, o Grupo Globo caiu na contradição de levantar a grande pergunta sobre seu fundador “Roberto Marinho foi um democrata ou um ditador?”.

@conexaopolitica

Ao escancarar a hipocrisia da Rede Globo de dentro da própria emissora e evidenciar a inaptidão de seus jornalistas em professar livremente suas opiniões, por serem completamente submissos aos mandamentos do editorial, Bolsonaro saiu-se como o grande vitorioso da noite e conseguiu, em duas horas, abalar mais a Rede Globo do que qualquer outro nos últimos 20 anos desse nosso Brasil.

Arrisco a dizer que, se cortarem as verbas do governo, a Globo corre o risco de não durar mais 10 anos. A desmoralização geral da emissora, o avanço da internet e o crescimento das mídias alternativas são fatores consideráveis também. Talvez o prelúdio do funeral tenha sido dado hoje pelo Bolsonaro, redigido pelo editorial e repassado, pateticamente, pela Míriam Leitão. Veremos o que o futuro nos reserva. Pode estar longe ou logo ali em outubro.
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