É politicamente incorreto, mas…


Por Igor Santos

… mesmo assim, é preciso dizer.

O tal do politicamente correto está dificultando a busca por soluções para os problemas sociais mais recorrentes.

A explicação é muito simples: o politicamente correto mascara os reais problemas, ou seja, os acoberta e os esconde.

Para piorar, ainda faz questão de apontar para um outro suposto problema, que é, muitas das vezes, inventado.

E é aí que aparece a dificuldade de se achar uma solução, pois agora todas as atenções se tornam para o problema inventado e as pessoas focam em discutir pautas secundárias, fazendo com que as discussões prioritárias passem a ser completamente ignoradas.

É o famoso colocar o bode na sala.

A teoria do bode na sala é uma técnica de manipulação utilizada para os mais diversos objetivos.

Conta-se que certa vez um grupo de guerrilheiros sequestrou figuras políticas importantes para usar como forma de negociação com o governo.

Botaram os políticos em um recinto apertado, abafado, com mal cheiro e muito quente.

Após alguns dias, os sequestrados, sabendo que seriam utilizados como moeda de troca, sentiram-se na liberdade de, ao menos, reclamarem para serem realocados a algum lugar maior, por já não aguentarem mais o desconforto.

Isso acabou gerando uma certa agitação por parte dos políticos e, para retomar o controle, o líder guerrilheiro instruiu seus agentes a colocarem um bode no meio do recinto onde estavam os sequestrados.

Bastou pouco tempo para que o lugar ficasse mais quente ainda, devido ao calor do animal, além de ficar mais sujo e mal cheiroso por causa do estrume, sem contar que o espaço vazio diminuiu consideravelmente.

Com isso, os políticos pediram com a mais extrema veemência para que o bode fosse retirado da sala e, após o pedido ser atendido, o controle havia sido retomado, para total alívio tanto dos sequestrados, quanto dos sequestradores.

Ou seja, a situação continuou exatamente do jeito que estava anteriormente, mas, dessa vez, sem reclamação e agitação dos subjugados.

É exatamente por esse motivo que foi introduzido o comportamento politicamente correto no Brasil.

Vários assuntos que são problemas praticamente insignificantes perto dos reais problemas se tornaram os principais assuntos não só na mídia, mas quase em todos os ambientes sociais, com casos indo até parar na justiça.

Pode reparar, toda vez que a população começa a indicar um início de movimento de revolta e de questionamentos a respeito de seus governantes, um bode é posto na sala, e o bode da vez é o politicamente correto.

Se a mulher é morta, deixou de ser homicídio e passou a ser feminicídio.

Se a criança chega em último lugar na disputa de natação, ela ganha medalha também, até porque, imagine só que absurdo fazer com que ela se sinta pior que as outras que foram melhores!

Portanto, um problema óbvio e claro que era o homicídio deixou de lado para tratarmos do feminicídio.

A questão de se precisar de esforço para conquistar algo também foi resolvida, para que nenhuma criança jamais pense que foi incapaz de superar outras, ou que teve desempenho inferior. Afinal, estamos em busca da utopia da igualdade social.

Dessa maneira, a sociedade vai se dividindo, pois cada indivíduo vai se polarizando para a causa que mais lhe convém e se fecha nesse círculo social, utilizando como base o falso moralismo do politicamente correto para censurar quem se atrever a propor soluções para os verdadeiros problemas.

Isso inviabiliza a discussão pública, pelo simples fato de os reais problemas passarem a estar “longe” da realidade de cada um dos grupos sociais, que buscam seus próprios direitos.

Melhor dizendo, são problemas que já não importam mais para nenhum desses grupos, visto que as soluções propostas não buscam atender pontualmente seus próprios interesses.

O politicamente correto é uma farsa que conseguiu atingir exatamente o contrário de seu objetivo inicial: corrigir a moral política.
É politicamente incorreto, mas… É politicamente incorreto, mas… Reviewed by O Congressista on 01:18:00 Rating: 5

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