O que é fascismo?

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Por Pedro Augusto

A palavra Fascismo tem origem no fascio italiano, que literalmente é um feixe ou um maço. A palavra remetia ao fasces latino, um machado cercado por um feixe de varas  que era levado diante dos magistrados, nas procissões públicas romanas para significar a autoridade do Estado. No fim do século XIX, camponeses italianos voltaram a usar o termo por serem um grupo que se insurgiu contra os senhores de terra na Sicília até que em 1914, um grupo de nacionalistas de esquerda, aos quais veio a se juntar ao na época socialista Benito Mussolini, tentou levar a Itália à Primeira Guerra Mundial ao lado dos aliados. O grupo se chamava Fascio Rivoluzionario d'Azione Interventista. Depois do conflito, Mussolini usou o termo fascismo para descrever o ânimo do grupo de ex-soldados nacionalistas e de revolucionários sindicalistas pró-guerra.

Nascido de forma oficial em Milão no dia 23 março de 1919, o fascismo reuniu pouco mais de 100 pessoas, dentre os quais combatentes da Primeira Guerra Mundial, sindicalistas, intelectuais futuristas e repórteres para declarar guerra ao socialismo por sua oposição ao nacionalismo.

Os sindicalistas pró-guerra eram os companheiros mais próximos de Mussolini e as suas ideias eram os principais rivais dos socialistas na luta pela conquista dos trabalhadores italianos e pelo poder político na Itália. Os socialistas faziam reformas graduais no governo italiano e acreditavam que a revolução viria no país em um futuro próximo.

Os futuristas eram um grupo de jovens intelectuais antiburgueses que repudiavam o legado cultural passado e exaltavam a velocidade e a violência.

Meses mais tarde, os fascistas lançaram quais seriam as suas ideias e objetivos para os próximos anos. De acordo com Robert Paxton, o programa era uma mistura de um nacional-socialismo com uma mistura de patriotismo de veteranos de guerra. Eles defendiam a expansão italiana nos Balcãs, sufrágio feminismo, voto aos 18 anos, abolição da câmara alta, instituição de uma nova constituição, jornada de trabalho de oito horas por dia, confisco de bens da Igreja Católica, tributação pesada sobre o capital e principalmente aos mais ricos, 85% dos lucros de guerra e participação dos trabalhadores na administração das fábricas.


O que inspirou o Fascismo?

Após o fim da Primeira Guerra Mundial, o liberalismo e o capitalismo liberal tiveram uma grande queda em sua credibilidade. A liberdade individual e a razão também foram alvos de desconfiança. Nesse contexto, valores antiliberais como o racismo, nacionalismo e uma nova estética do instinto e da violência ganharam força no continente europeu.

Mussolini frequentemente lia livros. Ele foi mestre-escola e organizador socialista italiano, apesar de não ler tanto Karl Marx. Seus principais interesses estavam em Friedrich Nietzsche, Gustave Le Bon e Georges Sorel.

O filósofo Friedrich Nietzsche é por muitas vezes acusado de ser o progenitor do fascismo. Seu pensamento atacava a pequeno-burguesia e sua complacência e seu conformismo moralista em nome da independência do espírito. Em um mundo onde a ciência avançava, o homem da época precisaria viver de acordo com seus próprios valores. Nietzsche desprezava o patriotismo e o anti-semitismo e pregava que o ser humano tivesse um "espírito livre, inimigo dos grilhões, o não-adorador e morador de florestas".

Gustave Le Bon foi um grande critico da democracia.  Ele afirmava que a democracia eleitoral e parlamentar eram inevitavelmente subvertidas na prática pelo poder permanente das elites e pelos resíduos irracionais dos sentimentos populares.

George Sorel exerceu sobre Mussolini uma influência mais direta. Ele defendia o sindicalismo e um grande sindicato, que através de uma greve em escala gigantesca destruiria a sociedade capitalista, entregando a economia ao controle dos sindicatos.

Apesar de não defender o fascismo, os trabalhos de Freud ajudaram o futuro ditador italiano. As teorias do psicanalista sobre o subconsciente minou a convicção liberal de que a política significava indivíduos livres escolhendo as melhores políticas através da razão.

Um primo de Charles Darwin chamado Francis Galton sugeriu em 1880 que a ciência possibilitou o poder do aperfeiçoamento da raça, incentivando os "melhores" a se reproduzirem. Ele quem começou a usar o termo "eugenia".

A noção de que a nação seria o ápice das conquistas humanas acarretou na ideia de que a violência para defendê-la seria a mais nobre das atitudes. O colapso do livre mercado e individualismo, o medo da desintegração social e da solidariedade comunitária também foram cruciais para a criação do fascismo. A defesa de Thomas Carlyle de uma ditadura militarizada do bem-estar-social administrada por uma elite composta de líderes da indústria e de índole altruísta também influenciaram Mussolini.


O que é fascismo?

Para Paxton, as pedras fundamentais são: sentimento de crise catastrófica, além do alcance de qualquer solução tradicional; necessidade da autoridade dos líderes naturais; necessidade de maior integração de uma comunidade mais pura; o pavor da decadência do grupo sob os efeitos do liberalismo; a crença de que o grupo é uma vítima e de que a violência é uma justificativa para se vingar; superioridade do líder; beleza da violência e o direito do povo eleito de dominar os demais sem limitações de qualquer natureza.


O fascismo pelo próprio Mussolini 

Em 1932, o ditador italiano e o filosofo Giovanni Gentile publicaram A Doutrina do Fascismo. De acordo com as palavras deles, o Fascismo por der entendido assim:

1) Um homem se torna um homem apenas em virtude de sua contribuição à família, à sociedade e à nação.

2) Como um anti-individualista, acredito numa concepção de vida que destaca a importância do Estado e aceita o indivíduo apenas quando seus interesses coincidem com os do Estado.

3) O Estado deve abranger tudo: fora dele, valores espirituais ou humanos têm pouco valor.

4) O Estado deve ser não apenas um criador de leis e instituições, mas um educador e provedor de vida espiritual. Deve ter como objetivo reformular não apenas a vida mas o seu conteúdo - o homem, sua personalidade, sua fé.

5) O Estado deve educar os cidadãos à civilidade, torná-los conscientes de sua missão social, exortá-los à união; deve harmonizar interesses divergentes, transmitir às futuras gerações as conquistas da mente e da ciência, da arte, da lei e da solidariedade humana.


As informações foram tiradas dos livros A Anatomia do Fascismo de Robert Paxton e Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo de Leandro Narloch.

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