Em entrevista para jornal israelense, Bolsonaro promete voto pró-Israel na ONU


Por Boaz Bismuth
Original: Israel Hayom
Tradução: Fellipe Villas Boas e Wilson Oliveira

A primeira entrevista à imprensa estrangeira de Jair Bolsonaro foi concedida para o jornal "Israel Hayom". O presidente eleito do Brasil afirmou que irá promover a cooperação com Israel: "Como um Estado soberano, Israel é o único que pode decidir sua capital. Eu amo Israel e o povo de Israel", declarou Bolsonaro.

Até poucas semanas atrás, Jair Bolsonaro, agora presidente eleito do Brasil, era um legislador pouco conhecido (fora do Brasil). Ninguém pensou que ele iria se tornar o líder do país. Mas na quarta-feira, uma semana depois que ele surpreendeu a todos ao vencer a eleição presidencial - na maior democracia da América Latina - Bolsonaro escolheu "Israel Hayom", para o que parece ser sua primeira entrevista à imprensa estrangeira, e deixou claro que seu apoio a Israel, além de reafirmar que as promessas sobre Jerusalém não eram apenas estratégia eleitoral.

Faz parte do desejo de Bolsonaro liderar o Brasil a um novo caminho e libertar seu país das políticas que ele acredita estarem ultrapassadas - políticas instauradas pela esquerda, que tem estado no controle quase continuamente desde o início dos anos 2000.

Bolsonaro está sob ataque por seu estilo contundente e politicamente incorreto, mas foi exatamente isso que levou as massas brasileiras a confiarem nele como seu novo líder. Eles queriam um representante que os deixasse orgulhosos de seu país, que atualmente é atormentado pela violência e pelo sofrimento econômico.

Muitos acreditam, incorretamente, que Bolsonaro é um nacionalista de extrema direita. Mas ele não se incomoda com as percepções equivocadas e diz que as alegações de que ele acabará com a democracia dizem mais sobre seus oponentes do que sobre ele.

O editor-chefe da "Israel Hayom", Boaz Bismuth, falou com Bolsonaro por telefone, com a ajuda de um intérprete.

IH: Você sabia que seu nome, Jair, significa "trazer luz" em hebraico?

JB: Sim, fui informado há pouco. Tenho a bússola moral de um homem que pretende fazer o melhor possível por seu país e pretende estreitar as relações com outros países que pensam da mesma maneira que nós e defendem eleições democráticas, liberdade e respeito para os outros.

Estive em Israel há dois anos e pretendo voltar. O embaixador de Israel no Brasil [Yossi Shelly] me visitou duas vezes esta semana, e eu sempre tive excelentes relações com ele. Estou muito feliz por ter sido tratado tão calorosamente e que o enviado oficial do Estado de Israel me trate desta forma. É algo verdadeiramente mútuo. Eu amo Israel e o povo de Israel. Você pode acreditar que eu vou promover a proximidade e a cooperação frutuosa entre nós a partir de 2019.

IH: Você disse várias vezes que pretende transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Você poderia? E pretende mudar o status da Embaixada da Palestina em Brasília?

Israel é um estado soberano. Se você decidir sobre a sua capital, vamos agir de acordo. Quando me perguntaram durante a campanha se eu faria isso [realocar a embaixada] quando presidente, eu disse que sim, e que vocês são aqueles que decidem sobre a capital de Israel, não outras pessoas.

Quanto à embaixada da Palestina, ela foi construída muito perto do palácio presidencial. (...) Nenhuma embaixada pode estar tão perto do palácio presidencial, então pretendemos mudar. Não há outro caminho, na minha opinião. Fora isso, Palestina primeiro precisa ser um estado para ter o direito de uma embaixada.

IH: Israel pode esperar votos mais justos e encorajadores do Brasil em fóruns internacionais, como a ONU, em assuntos envolvendo Israel?

JB: Você pode contar com nosso voto na ONU. Eu sei que muitas vezes a votação é quase simbólica, mas ajuda a definir a posição que um país pretende tomar. Tenha certeza de que você pode depender do nosso voto na ONU em quase todos as questões que tenham a ver com Israel.

IH: A que você atribui sua vitória eleitoral e qual é o plano geral de sua administração?

JB: A vitória se deve a várias coisas - o cansaço dos políticos que fizeram da política uma profissão aqui no Brasil; a corrupção; o desprezo pelos valores familiares; e os laços muito estreitos do governo anterior com o socialismo e o comunismo e, é claro, com o fato de que nós amamos a bandeira brasileira da verdade.


IH: Você ficou surpreso com o apoio popular, com os resultados e com o aumento de sua representação no Congresso Nacional?

JB: O nosso partido tinha um membro no parlamento e agora temos 52, apesar do fato de não termos cobertura televisiva ou fundos de dinheiro público. A campanha baseou-se fortemente nas redes sociais e agora somos 10% do parlamento e conseguimos obter o apoio de outras partes, bem como de legisladores independentes, para que a governabilidade não seja um problema.

Eu não fiquei surpreso, porque comecei a cruzar o Brasil há quatro anos. O Brasil é muito grande. Israel é menor que nosso menor estado, então imagine se você fosse 26 vezes maior. Ao longo de quatro anos, conseguimos, para falar a verdade, ganhar a simpatia e a confiança do eleitorado brasileiro, e apesar de eu estar no hospital por 23 dias e em casa por mais 20, e não poder sair, vencemos por uma grande margem de votos.

IH: Você está orgulhoso da longa estrada política que você atravessou? E a tentativa de assassinato afetará sua presidência?

JB: Há 28 anos faço parte de um parlamento que não recebe apoio do público. É um parlamento que virou as costas para o povo há muito tempo. Mas o fato é que sou um sobrevivente desse parlamento. Antes de entrar na política, estive no exército brasileiro por 17 anos, e até onde sei em Israel quase todo mundo tem experiência militar ... [No meio militar] se experimenta o nacionalismo, molda seus valores e princípios - dá a você responsabilidade, patriotismo, sacrifício e significado. Tudo isso molda sua personalidade.

IH: Por que você acha que as pessoas estão dizendo que você representa uma ameaça à democracia?

JB: Eles não podem me perseguir por ser corrupto. Enquanto isso, o governo deles [o governo anterior de esquerda] operou de várias maneiras - controlando o público com a mídia; reescrevendo a constituição; nacionalizando ativos, o que reduziu o valor de propriedade privada; nos submeteu a ditaduras em todo o mundo. Isso é o que a esquerda faz, enquanto anda carregando as obras de Lênin sobre o comunismo sob seu braço. A esquerda sempre culpa os outros pelas próprias coisas que faz. Mas a população brasileira, que tem se libertado da mídia tradicional, confiava em minha palavra e meu passado.
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