Novo: o partido do futuro que se esconde no presente


Por Marcio Duarte

O Brasil vive nos últimos anos um momento histórico e único da sua vida política e cultural. Há quem diga que nossa revolução gloriosa chegou no século 21, sem sangue e espontaneamente difusa, como toda grande mudança deve ser.

Não foi fácil ler o contexto dos fatos nesta enxurrada de notícias. O mundo virtual chegou para ficar. São manifestações gigantescas que nascem do nada, lideranças instantâneas que se legitimam sem pedir licença. E no meio deste furacão, as tradicionais fórmulas vão se esvaindo lentamente.

É neste mundo de respostas imediatas e ativismo individualizado que nasce o Partido Novo.

Desde 2013, quando as manifestações populares começam a tomar as ruas, as pessoas passam a se interessar pelo Partido Novo. Centenas e mais centenas de simpatizantes correm para engrossar a voz deste projeto que nascera no Rio e já era então o fio de esperança de muita gente comum no país inteiro.

Mas... Aos poucos, fato após fato, silêncio após silêncio, um padrão foi se tornando regra: a distância.

A frieza contagiante com gotas de soberba virou o "default" do partido. A inexperiência de grande parte dos dirigentes fez com que o projeto sempre tivesse uma postura desconfiada, arredia e covarde. De longe, pareciam arrogantes imbuídos de um plano imutável e detalhadamente desenhado para o longo prazo, mas no fim das contas sempre estiveram muito mais perdidos do que convictos: herdeiros de um sucesso que caiu no colo pelo acaso dos acontecimentos.

Pois então, vieram as manifestações contra Dilma Rousseff, os pedidos de Impeachment, mas mesmo no calor da comoção entre os próprios filiados, o Novo seguia seu tradicional passo de espera, trazendo para si e sem nenhuma necessidade a antipatia de quem outrora o admirava.

Foi assim, desconstruindo pontes e se capitalizando da boa vontade alheia que o Novo chegou no 3º ano de vida mais isolado do que diferente. A estrutura do partido é centralista, prevalece o total dirigismo e faltam lideranças de fato.

Agora, vejamos o quadro. Estamos no meio de um governo de transição com claríssima agenda simpática a liberdade econômica. A grande mídia se vê obrigada a abrir espaço para temas nunca abordados como "escola austríaca", "liberalismo", "privatizações", "escola de Chicago", "Milton Friedman" e tudo mais. A população abraça o pensamento liberal e se interessa pelo tema, mas, curiosamente, nem assim o Novo consegue ser protagonista.

Por que nem agora o novo consegue ser protagonista?

Por quê? Por quê?

Desde o impeachment de "matilde" até aqui, pelo jeito, nada mudou. O Novo continua a se esquivar da tomada de partido, evita posições institucionais, fala por terceiros e acompanha de longe o entusiasmo dos defensores da liberdade. Era de se esperar que um partido liberal vibrasse aos quatro ventos com os nomes de Paulo Guedes, Roberto Campos Neto, Ricardo Vélez-Rodríguez, Salim Mattar e outros ganhando espaço de decisão no futuro governo.

É isso que vemos em outros atores do movimento liberal. O Instituto Mises Brasil comemora, o Instituto Liberal comemora, o MBL comemora, mas o Novo... Ahhh o Novo... Está sempre olhando para si em detrimento de todo o resto. De cima para baixo, se faz de cético para justificar a distância e perde oportunidade atrás de oportunidade de se tornar a legítima voz dos seus próprios filiados.

O Novo tem tudo para assumir de vez seu papel nesta gloriosa revolução, e tal como na Inglaterra do século 17 pode vir do "orange" a grande inspiração para colocar de vez o país nos trilhos da prosperidade. No entanto, é preciso mudar o tom e assumir riscos. Se posicionar formalmente e tomar partido é obrigação, sempre.

*Marcio Duarte é filiado do Novo na Bahia.
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