O que quer o Estado Islâmico?

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Por Pedro Augusto

O Estado Islâmico quer, principalmente, a criação e expansão de seu califado e domínios por todo o Oriente Médio. Nele seria usada como legislação a sharia ou Lei Islâmica para criar o novo estado muçulmano. Os integrantes do Estado Islâmico querem, de certa forma, a restauração de uma organização estatal semelhante ao do Império Otomano. De acordo com Loretta Napoleoni em seu livro A Fênix Islamista, os integrantes da organização buscam a volta do passado e o retorno aos tempos áureos do Islã e do Califado.

No ano de 2014, dois dias antes do mês do Ramadã, líderes do Estado Islâmico falaram ao mundo islâmico para sacudirem “a poeira da poeira da humilhação e da desonra. Também afirmaram que “um novo Califado nascerá dos escombros do caos, da confusão e do desespero do Oriente Médio contemporâneo”.

Territorialmente, o plano-mestre é a recriação do antigo Califado de Bagdá, cujos domínios eram do Iraque até Israel até 1258. Para esse objetivo, o Iraque precisaria sair do domínio xiita e a Jordânia e Israel serem anexados.

Um outro objetivo dos integrantes do grupo terrorista é o fim do Acordo Sykes-Picot feito em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, pelos diplomatas inglês Mark Sykes e francês François Georges-Picot. No tratado, a França ficou responsável pela administração do Sudeste da atual Turquia até o Líbano, passando pelo norte do Iraque e a Síria, enquanto o Reino Unido ficou com sul e centro do Iraque, além de parte da atual Síria, a Jordânia, o Iraque Ocidental e o nordeste da Península Árabe. A formação do Oriente Médio, então, ao analisar a construção histórica da região ao longo do último século pela ótica dos muçulmanos, foi subordinada pelo domínio ocidental.

O Estado Islâmico acredita que a queda do Império Otomano teria aberto um caminho para a criação de estados nacionais cuja organização política foi uma imposição externa para dividir os muçulmanos. Isso explica o porquê o Estado Islâmico busca redesenhar o mapa do Oriente Médio ao lutar contra os Estados sírios e iraquianos. Segundo eles, todos esses governos são ilegítimos e criados pela força e opressão ocidentais que também representam a decadência da espiritualidade dos muçulmanos. Criar um novo Califado é uma forma de juntar a ummah - nação islâmica- , para proteger os muçulmanos sunitas e voltar tempos áureos do Islã.

Ligado ao ponto abordado pelo parágrafo anterior estão os Estados criados a partir de Sykes-Picot que, para o Estado Islâmico, seriam ilegítimos, já que foram criadas a partir da vontade do ocidente e não a de Alá. A grande parte dos governos do Oriente Médio seriam apenas criações das potências ocidentais e estariam alinhadas com as mesmas para oprimirem o mundo islâmico. Derrotá-los seria apenas uma forma de fazer uma justiça e de se voltar ao plano original de Deus.

Muitos analistas acreditam que o Estado Islâmico quer ser para os sunitas aquilo que Israel é para os judeus, ou seja, um Estado instalado em seu antigo território para restaurar os tempos passados e proteger seus membros onde quer que estiverem. Por isso a importância do Iraque, o país onde está localizada a cidade de Bagdá, tão importante para o grupo.

A forma de jihad do grupo é semelhante ao da Al Qaeda: fazer ataques dentro e fora do Oriente Médio e consequentemente causar terror às pessoas. Os seus atos violentos e a forma de propaganda são uma maneira de atrair mais muçulmanos para lutar contra os infiéis e promover a unificação da ummah.

A jihad é defendida pelo Estado Islâmico tanto como uma forma do fiel de lutar contra as tentações do mundo material como a luta contra os inimigos, cuja uma das maneiras é pegar em armas para salvar o Islã.

A luta seria principalmente contra o mundo ocidental, que como já foi exposto, teria ajudado a opressão do mundo islâmico e promovido a degradação moral do mundo. 

Neste ponto entra o pensamento de Sayyd Qutb, grande influenciador do radicalismo islâmico. O mundo ocidental seja através de um liberalismo social e político, como também com o socialismo, teriam corrompido a moral dos muçulmanos e os afastados de Deus ao serem corrompidos pelo materialismo. Os islamistas deveriam então lutar com a ocidentalização que traz consigo a degradação, por isso, muitos hábitos do Ocidente são proibidos por aqueles que estão sob o domínio do Estado Islâmico. As mulheres, por exemplo, precisam andar cobertas e não são livres para andar e fazer o que quiserem. Andar diferente disso é se alinhar a forma de vida dos ocidentais.

Uma outra marca do grupo é a defesa da sharia, que são o conjunto de leis e direitos islâmicos. O grupo defende a prática do que consideram o mais pleno e perfeito Islã. 
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