Conservadores do NOVO criticam esquerdismo em manifesto, e progressistas se irritam

Arte: Fellipe Luiz Villas Bôas

Por Wilson Oliveira

Em 2011, nasceu o Partido NOVO. Com uma proposta de foco no indivíduo e redução do Estado sobre a vida dos cidadãos, foram aceitas pessoas de diversas visões e opiniões, do mais libertário ao mais conservador, desde que houvesse sinergia com os princípios e valores que os fundadores delinearam por escrito. Essa união foi fundamental tanto para a busca de assinaturas como para o financiamento, já que a legenda não usa fundo partidário.

Ao longo dos anos problemas foram identificados, o que é natural. E conflitos surgiram, o que também não é incomum dada a heterogeneidade das fileiras que formam a legenda. No entanto, o que se percebeu foi uma clara preferência pelo progressismo, o que tem sido identificado em inúmeras posições oficiais do partido e, principalmente, nas manifestações em redes sociais de pessoas que ocupam cargos em boa parte dos diretórios.

Inicialmente, os conservadores que foram aceitos e inseridos no contexto de construção do partido, pois era necessário conseguir apoio, assinatura e dinheiro, tentaram buscar seu espaço. E de forma legítima, pois há nomes do partido que refletem isso, como do deputado federal eleito Marcel van Hattem, que será o líder da bancada novista na Câmara, e do ministro nomeado para o meio ambiente, Ricardo Salles, entre tantos outros. Mas ruídos tornaram-se frequente justamente por que a montagem dos diretórios não refletiu essa diversidade, em um processo viciado que ocorre de forma absolutamente fechada e intransigente.

A formação do movimento Margaret 30, inspirado na primeira-ministra do Reino Unido entre os anos de 1979 e 1990, aconteceu justamente como uma tentativa de resgate às origens do NOVO. A proposta relembra que o foco é no individualismo do cidadão como ferramenta de desenvolvimento do país, o que deveria significar ser um partido abertamente contrário ao coletivismo, que por outro lado é uma condição sine qua non da esquerda, seja na sua versão mais profunda, que é o comunismo, seja na sua versão mais intermediária, que é o socialismo.

Não é nada fácil a situação pela qual atravessa o partido NOVO. Há uma clara mudança de rumos sendo orquestrada por alas progressistas que, além de terem dominado o comando, agora querem preencher todos os espaços internos, praticamente exigindo, agora com o surgimento do M30, que os conservadores se transfiram para o PSL, como se João Dionisio Amoedo, fundador principal do partido, em algum momento tivesse afirmado que a legenda nascia para ser "libertária".

Os conservadores sempre foram a maior barreira para o avanço do progressismo forçado, de cima para baixo, através do Estado. E o são por que está no escopo do conservadorismo preservar as bases de sustentação da civilização ocidental.

O liberalismo, que tornou-se altamente volátil do século XIX para o século XX, conforme se afastou dos seus teóricos liberais clássicos, passou a se vender como meio-termo entre o conservadorismo e o progressismo. Mas a hesitação acadêmica do termo, aliada ao grau de abertura para o nascimento das mais variadas leituras, misturando economia com cultura, permitiu que em alguns países, como nos Estados Unidos, houvesse um sequestro por parte da esquerda.

Ao se analisar causa e consequência do movimento M30, percebe-se que esta é a última barreira para que o mesmo processo, já em curso, seja concluído dentro do NOVO. Inclusive, para muitos filiados não é nenhum segredo que há correligionários com pensamento similares a integrantes do PSOL - e até mesmo como modus operandi de debate equivalente a de um petista.

O comportamento de João Amoedo na disputa presidencial de 2018, inclusive, chegou a ser comparado com o de Marina Silva pela falta de pulso ao se posicionar em temas caros a maior parte da sociedade brasileira. Já na reta final da campanha, ele revelou ser contra drogas e aborto, evidenciando, portanto, que o político não fundou o NOVO para ser um partido progressista ou libertário.

Após a definição do segundo turno, com a vitória de Jair Bolsonaro, os deputados eleitos Marcel van Hattem e Vinícius Poit foram duramente atacados no Facebook por terem comparecido a uma reunião na casa do presidente eleito. Não é exagero perguntar se essa parcela de novistas está preparada para lidar com a democracia, uma vez que se mostra cada vez menos disposta a aceitar diferenças de pensamento dentro do mesmo partido.

O que os signatários do Margaret 30 desejam, além de uma estrutura interna mais saudável e aberta ao diálogo, é que o NOVO torne-se efetivamente uma arma para ser usada contra a esquerda. Ou seja, um partido forte, sólido e decididamente inserido na guerra cultural. Mas esse parece não ser o objetivo dos críticos do manifesto que foi elaborado, pois estes estão tendo uma reação completamente descabida nas redes sociais, com xingamentos e ataques verbais aos fundadores do M30, e rejeitando de forma pública e notória que o NOVO retorne ao seu projeto inicial de ser uma força anti-socialista.

*Wilson Oliveira é um dos signatários do movimento Margaret 30.
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