Pactos ambientais pelo mundo: nova tentativa de socialismo

Arte: Fellipe Luiz Villas Bôas

Por Wilson Oliveira

Quem tem obsessão por controlar as gerações de riquezas (atuais e futuras) dos países não está exatamente sendo guiado por uma preocupação ambientalista, mas sim econômica. E pasme: é exatamente esse o perfil da grande maioria dos movimentos ecologistas no Brasil e no mundo, inclusive esses bem famosos que todo mundo sabe o nome.

O filósofo conservador Roger Scruton já fez diversos alertas, em mais de um livro, para o perigo de uma pessoa cair no conto do vigário esquerdista. Ou seja, visualizar uma genuína preocupação ambiental e depositar-lhe toda confiança, respeito e concordância, sem perceber que está, na verdade, dando a mão para um entre tantos disfarces socialistas.

A explicação, creio, é que os ambientalistas se habituaram a ver o conservadorismo como a ideologia da livre-iniciativa, e esta como um assalto aos recursos do planeta, sem outra motivação a não ser o desejo de ganho imediato. Além disso, existe uma arraigada tendência nas esquerdas de confundir os interesses individuais, racionalmente engendrados e propulsores do mercado, com a questão da ganância, que é uma forma de excesso irracional. Assim sendo, o manifesto do Partido Verde [britânico] de 1989 detecta os “falsos deuses do mercado, ganância, consumismo e crescimento” e diz que “um governo dos Verdes substituiria esses falsos deuses por trabalho solidário, autossuficiência, distribuição igualitária e
parcimônia”
Roger Scruton 
Livro Filosofia Verde

URSS causou o maior acidente ambiental da história: Desastre de Chernobyl

Os 'esquerdistas verdes', que são os ativistas ambientais, costumam jogar a culpa pela destruição do meio ambiente, e consequentemente do planeta, nos conservadores, principalmente nos que seguem o liberalismo econômico. Porém, como é de costume dos socialistas, essa narrativa é mais uma a entrar em contradição com os fatos históricos. O maior desastre ambiental já documentado no planeta aconteceu justamente em um país comunista.

O Desastre de Chernobyl foi um acidente nuclear catastrófico que ocorreu em 1986 na central elétrica da Usina Nuclear de Chernobil (na então República Socialista Soviética da Ucrânia), que era um dos países do Leste Europeu sob a jurisdição das autoridades centrais da União Soviética. Uma explosão e um incêndio lançaram grandes quantidades de partículas radioativas na atmosfera, que se espalharam por boa parte da União Soviética e da Europa Ocidental.

O desastre é o pior acidente nuclear da história em termos de custo e de mortes, além de ser um dos dois classificados como evento de nível 7 (classificação máxima) na Escala Internacional de Acidentes Nucleares (o outro foi o acidente nuclear de Fukushima I, no Japão, em 2011). A batalha para conter a contaminação radioativa e evitar uma catástrofe maior envolveu mais de 500 mil trabalhadores e um custo altíssimo calculado na moeda local da época. Durante o acidente em si, 31 pessoas morreram e gravíssimos efeitos a longo prazo surgiram. O número de pessoas com câncer e que nascem com deformidades devido ao desastre na Ucrânia segue em contínua atualização.

Mesmo com Chernobyl, a esquerda sequestrou a causa ambiental

Após a Revolução Russa, os cientistas ambientais, como Alexander Bogdanov e a organização Proletkult, se esforçaram para incorporar o ambientalismo ao bolchevismo, e "integrar a produção às leis e limites naturais" na primeira década soviética. Antes de Joseph Stalin atacar os ecologistas e a ciência da ecologia, ele expurgou ambientalistas e promoveu a pseudociência de Trofim Lysenko. Da mesma forma, Mao Zedong rejeitou o ambientalismo e acreditava que, com base nas leis do materialismo histórico, toda a natureza deve ser colocada a serviço da revolução.

A situação mudou por completo quando tanto os termos "comunismo" como "socialismo" perderam sua força e saíram parcialmente de cena, dando lugar a termos mais "aceitos" pela sociedade. Um deles é o ambientalismo. Como diz o futuro ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, em seu blog "Metapolítica Brasil", "Quem pode ser contra a preservação da natureza e a utilização responsável de seus recursos?".

A causa ambiental foi lançada pelos escritores românticos do final do Século XVIII e começo do Sécuo XIX, um movimento conservador por excelência, surgido em reação à irrupção da esquerda no mundo sob a forma Revolução Francesa, cuja proposta era destruir a natureza – começando pela natureza humana. Ao longo do tempo, entretanto, a esquerda sequestrou a causa ambiental e a perverteu até chegar ao paroxismo, nos últimos 20 anos, com a ideologia da mudança climática, o climatismo. O climatismo juntou alguns dados que sugeriam uma correlação do aumento de temperaturas com o aumento da concentração de CO2 na atmosfera, ignorou dados que sugeriam o contrário, e criou um dogma “científico” que ninguém mais pode contestar sob pena de ser excomungado da boa sociedade – exatamente o contrário do espírito científico.
Ernesto Araújo
Ministro das Relações Exteriores do Brasil a partir de 2019.

4 graves problemas sobre o relatório de mudanças climáticas

O relatório National Climate Assessment, lançado nos Estados Unidos, mas que não contou com adesão do presidente Donald Trump, traz seríssimos problemas na sua metodologia, conforme denunciou o economista norte-americano Nicolas Loris, que é especializado em questões energéticas, ambientais e regulatórias. Em um artigo publicado na "Foundation for Economic Education", ele lista:

1) Exagero irrealista sobre os custos econômicos

Uma estatística que os meios de comunicação adotaram é que o pior cenário climático poderia custar aos EUA 10% de seu produto interno bruto até 2100. A projeção de perda de 10% é mais que o dobro da porcentagem perdida durante a Grande Recessão.

2) Cenário climático extremo (e improvável)

Apesar do que a National Climate Assessment diz, o Representative Concentration Pathway 8.5 não é um cenário provável. Ele estima níveis quase impossíveis de consumo de carvão, não leva em conta o aumento maciço na produção de gás natural a partir da revolução do xisto, e ignora as inovações tecnológicas que continuam a ocorrer em tecnologias nucleares e renováveis.

3) Deturpa cronogramas e causalidade

Outro truque na National Climate Assessment é onde começam e terminam certas linhas do tempo. Por exemplo, o enquadramento de dados de ondas de calor da década de 1960 até hoje faz parecer que houve mais ondas de calor nos últimos anos. Enquadrar os dados de incêndios de 1985 até hoje faz parecer que os incêndios florestais têm aumentado em número.

Além disso, correlação não é causalidade. Os incêndios florestais ocidentais têm sido particularmente ruins na última década, mas é difícil dizer até que ponto eles ocorrem diretamente devido a temperaturas mais altas e mais secas. É ainda mais difícil definir o quanto o aquecimento causado pelo homem é o culpado.

4) Os impostos sobre energia (é quando cai a máscara do socialismo ambiental)

A National Climate Assessment salienta que este relatório “foi criado para informar os formuladores de políticas e não faz recomendações específicas sobre como remediar o problema”. No entanto, o argumento foi claro: os custos de ação (10% do PIB americano) superam os custos de qualquer política climática.

A realidade, no entanto, é que as políticas endossadas para combater a mudança climática teriam custos significativos e não fariam nada para mitigar o aquecimento, mesmo se houvesse uma catástrofe iminente como a NCA diz.

Uma maciça transferência de recursos do Ocidente para o resto do mundo, uma política frequentemente defendida pelos Verdes radicais, destruiria a capacidade das potências ocidentais de tomar as medidas de que todos precisamos e que apenas essas potências podem controlar. Um comportamento autodestrutivo desse tipo não traria benefício a ninguém, e certamente não corresponderia às necessidades de justiça global.
Roger Scruton

O meio ambiente só será realmente preservado se as pessoas aprenderem a contemplar o que é belo, para dessa forma valorizarem a beleza natural. Portanto, é enganoso achar que aqueles que possuem espírito destrutivo, como os esquerdistas, irão realmente encontrar solução para a causa ecológica ou qualquer outra causa que precisa, justamente, andar na contramão da destruição.


*Wilson Oliveira é defensor do retorno da monarquia parlamentar no Brasil. É conservador monarquista, com influências da tradição anglo-saxã do liberalismo clássico, do minarquismo, da Escola Austríaca e da Escola de Chicago. Reside no Rio de Janeiro, é jornalista e editor-chefe de O Congressista.
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