Revoluções na França: os canibais do passado e do presente


Por Fellipe Luiz Villas Bôas

A imagem que ilustra este artigo é uma caricatura de James Gillray, publicado por Hannah Humphrey, sobre os massacres de 2-7 de setembro de 1792, que ficou conhecido como “Os massacres de setembro” no escopo da Revolução Francesa.

Cinco pessoas sentam-se em uma mesa redonda com uma cabeça em um prato. O chefe da família (à esquerda) está sentado em um saco com a inscrição "Propriété de la Nation", com uma coroa, cetro e mitra, e outras jóias. Seu vis-a-vis (quem usa uma peruca) está sentado no corpo de uma mulher com garganta cortada, e com um manchado sujo de sangue amarrado em sua cintura.

Todos devoram ferozmente pedaços humanos. Uma velha está sentada em frente a um grande fogo no qual a pilhagem está queimando. Ela estila o corpo de uma criança, paralisada. No primeiro plano (à esquerda) três crianças pequenas, uma com uma adaga, agachadas em volta de uma bacia, comendo as entranhas que estão dentro. Cabeças e cadáveres aparecem através de uma porta e em uma prateleira pendurada no teto.

Na parede está a figura rudemente desenhada de "Petion", usando um chapéu, segurando um machado em uma das mãos, e uma cabeça na outra, com a inscrição "Viva la Liberte Vive le Egalitè". Perto dele está a figura sem cabeça de Luís XVI como "Lewis le Grand", numa pose pomposa. O gesso dissolvendo das paredes da sala mostra pobreza em que se encontravam.

Quando falamos sobre o que se passa hoje na França, nós não podemos deixar de levar em conta até que ponto os franceses podem chegar quando submetidos a hipnose coletiva. 

Dessa vez não são os discursos inflamados de Robespierre ou Danton, mas o senso comum da política mainstream e dos intelectuais favoritos da mídia, que levou a França a políticas de fronteira equivocadas e ao colapso de serviços públicos, propiciando a criação desse clima de barbárie, destruição e carnificina.

É o que temos visto nos violentos protestos que acontecem hoje em solo francês. Depredação de símbolos nacionais, como o Arco do Triunfo, fazem parte da tônica lamentável dos últimos dias da França.

O país que serve de inspiração para figurões como Leandro Karnal e Fernando Henrique Cardoso mostra o seu pior lado. Emmanuel Macron, o presidente francês, como representante desse grupo de "intelectuais" aclamado na sua eleição como símbolo da resistência do sistema político tradicional, demonstra que não é capaz de levar os franceses a bom porto.

 A União Europeia agoniza enquanto seus bastiões, França e Alemanha, sangram.


Fellipe Villas Bôas é defensor do retorno da monarquia parlamentar no Brasil. É conservador monarquista, com influências da tradição anglo-saxã do liberalismo clássico, do minarquismo, da Escola Austríaca e da Escola de Chicago. Reside em São Paulo, é estudante de direito e articulista de O Congressista.
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