A satisfação dos parentes das vítimas e do promotor italiano com a prisão de Battisti

Arte: Fellipe Villas Bôas

Publicação original: Lettera43
Tradução: Wilson Oliveira

Para Alberto Torregiani, filho do joalheiro morto em 1979, talvez seja "o momento certo". Alívio também de Adriano Sabbadin que elimina a hipótese do perdão

Com a prisão na Bolívia do terrorista Cesare Battisti e sua tão esperada extradição para a Itália depois de quarenta anos, chegou o dia da justiça para as famílias daqueles que foram mortos pelo PAC (Proletários Armados pelo Comunismo). 

Anos de esperanças, decepções e compromisso em uma batalha sem trégua, que sempre teve como objetivo por parte do governo italiano garantir que mais uma vez esse terrorista fosse devidamente colocado atrás das grades até o seu último dia de vida. Desde quando esse bandido conseguiu fugir para a França, ele viveu desfrutando de uma rede execrável de proteção internacional. Mas toda essa cortina de fumaça veio abaixo no dia 13 de janeiro.

Confira o relato dos familiares das vítimas de Battisti após sua prisão.

TORREGIANI: EU ACREDITO SER O MOMENTO IDEAL

Está feito. Eu acho que é o momento ideal. Talvez 13 de janeiro realmente seja uma boa data. Eu odeio pensar que a justiça do Brasil poderia encontrar outra brecha. Seria como escrever um livro de terror.

Disse Alberto Torregiani, filho de Pierluigi, o joalheiro assassinado no dia 16 de Fevereiro de 1979, convencido de que dessa vez a captura de Battisti é para valer e que sua prisão durará até o seu último dia de vida. Torregiani foi ferido durante o tiroteio, a ponto de perder o uso das pernas. Na manhã da data em que o terrorista foi capturado na Bolívia, Alberto Torregiani admitiu estar 'digerindo' a notícia: 

Estou tão cansado dessa história. A morte do meu pai me deixou esvaziado. Essa prisão era para ter acontecido anos atrás.

E Alberto acrescenta:

Estou orgulhoso do trabalho realizado pela minha família, da determinação, sem pretensões, mas com respeito, com o qual pedimos justiça. Descontrolar-se, em outras situações, parecia o único caminho, mas continuamos acreditando que a justiça seria feita. Mais tarde vou sentir alívio e felicidade. 

Ele continuou após uma noite sem dormir, quase pressagiando o que estava acontecendo. 

Agora vou tomar pelo menos quatro cafés e começar a trabalhar.

Alberto está trabalhando com o FaPi, o "Fare Ambiente Piano Invalidi" (Construindo Ambiente para Deficientes), um movimento que visa derrubar barreiras arquitetônicas. De fato, na tarde de 13 de dezembro, quando a escola política do partido "Lega" se encontrou com o ministro do Interior, Matteo Salvini, ele não escondeu seu alívio e emoção citando o pai e outras vítimas. 

Alberto e Torregiani no encontro com Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro da Itália e maior líder da direita do país

Eu acho que meu pai, Sabatini e Campagna podem finalmente descansar em paz.

Disse Alberto na frente de notebooks e microfones. 

A ferida ainda não está cicatrizada. Ela será fechada quando o encarceramento for determinado. 

Concluiu, especificando que irá pedir o número um para demonstrar firmeza nessa punição.

SABBADIN: SEM CHANCE DE PERDÃO

Para Adriano Sabbadin, filho de Lino, o açougueiro assassinado em Santa Maria di Sala, na cidade de Veneza, no mesmo dia do joalheiro (também com uso de folhetos e motivações idênticas), 13 de janeiro é uma data de satisfação. 

É um momento de satisfação após 40 anos de espera. Esperamos que seja a hora certa e que Battisti finalmente desfrute do castigo que merece. 

Sobre um possível perdão, continuou Sabbadin:

Perdão? Sem chance, não falamos sobre isso. Essa palavra não existe para Battisti.

PREOCUPAÇÃO COM A JUSTIÇA SUL-AMERICANA

Puro Maurizio Campagna, irmão de Andrea Campagna, o policial morto em 19 de abril de 1979, em Milão, trata-se de uma data feliz, mas com uma preocupação. 

A Bolívia, penso eu, é um daqueles países que não concede extradição, então agora eu gostaria de entender se aquela confusão como a que tivemos em 2004 com a França recomeça. Esperamos que desta vez seja extraditado. 

Completando as palavras, Armando Spataro, o promotor que, juntamente com Corrado Carnevali, coordenou a investigação em junho de 1979 que levou à decretação de prisão em flagrante do terrorista e de outros criminosos: 

É um dos piores criminosos que estavam em circulação e, portanto, acima de tudo, em conformidade com as expectativas legítimas dos parentes das pessoas que Battisti matou ou que planejou matar, a sua prisão é uma boa notícia para a justiça. Será excelente quando ele chegar ao nosso país para ser imediatamente detido e assim permanecer até o seu fim.
A satisfação dos parentes das vítimas e do promotor italiano com a prisão de Battisti A satisfação dos parentes das vítimas e do promotor italiano com a prisão de Battisti Reviewed by Wilson Oliveira on 17:59:00 Rating: 5

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.

Tecnologia do Blogger.