Um ano da morte: líder venezuelano Oscar Pérez é homenageado em SP

Manifestação em São Paulo na última terça-feira. 
Foto: Kevin David. Banner: Fellipe Villas Bôas

Por Wilson Oliveira

Um grupo de jovens direitistas em São Paulo realizou uma vígila em homenagem ao líder político venezuelano Oscar Pérez, assassinado pela polícia bolivariana de Nicolás Maduro dia 15 de janeiro de 2018. O ato começou em frente a FIESP, às 20h30. Com velas, a caminhada prosseguiu até a embaixada da Venezuela. O trajeto durou cerca de meia hora.

No local de destino, houve discursos e um banner de dois metros foi estendido. A organização ficou a cargo dos ativistas Nicolas Carvalho, Caíque Mafra e do movimento Juntos Pela Pátria. O ato contou com cerca de 40 manifestantes. Todo o grupo desceu a Avenida Pamplona com discursos e gritos de guerra, com todo o percurso sendo escoltado pela polícia.

Por um motivo bastante emocionante e simbólico, os manifestantes foram conscientizando os transuentes, comerciantes e pessoas no trânsito ao longo do trajeto. Ao chegar na embaixada venezuelana, o hino brasileiro foi executado. Velas foram depositadas e mais discursos em homenagem a Oscar Pérez foram entoados.

Essa data não poderia passar batida, principalmente no Brasil. Como a maior nação latino americana, é nosso dever liderar a luta contra a esquerda na América Latina. É nossa obrigação tornar Oscar Perez um grande ícone da resistência internacional ao comunismo.
Nicolas Carvalho
Um dos organizadores do evento

QUEM FOI OSCAR PÉREZ

Óscar Alberto Pérez nasceu em Caracas, 7 de abril de 1981, e foi assassinado na cidade onde nasceu, dia 15 de janeiro de 2018. Ator e policial, Perez compunha a equipe de investigadores do CICPC (Agência de Investigação da Venezuela), mas ganhou fama no seu país ao tornar-se líder de resistência política contra Nicolás Maduro. Ganhou fama internacional, principalmente nos países latino-americanos, por ter sido o responsável pelo ataque com helicóptero na sede do governo venezuelano. Segundo pessoas próximas, havia o objetivo de capturar Maduro. Para integrantes do governo, Pérez queria matar o ditador da Venezuela.

Manifestação em São Paulo na última terça-feira. Foto: Kevin David

O POLÊMICO ATAQUE DE HELICÓPTERO

Caracas vivia a efervência dos calorosos protestos políticos de 2017 e uma crise constitucional decorrente da ditadura chavista até hoje mantida por Maduro. Na data de 27 de junho de 2017, um vídeo foi publicado exibindo homens com rifles fazendo a escolta de Óscar Pérez. No vídeo, um desses militantes afirmou:

"Somos nacionalistas, patriotas e institucionalistas. Esta luta não é contra as demais forças do Estado, e sim, contra a tirania do governo".

Horas depois da publicação do vídeo, Pérez foi visto pilotando um helicóptero do CICPC sobre o Supremo Tribunal de Justiça, com um banner na lateral escrito "350 Liberdade", uma referência ao Artigo 350 da constituição, que afirma que "O povo da Venezuela (...) deve renegar qualquer regime, legislação ou autoridade que viole os valores democráticos, princípios e garantias ou que transgrida os direitos humanos".

Enquanto o helicóptero estava perto do Supremo Tribunal federal, tiros foram ouvidos na área. O Presidente Maduro afirmou que se tratava de uma rebelião dos militares, enquanto os líderes da oposição protestaram alegando que as ações foram encenadas para Maduro justificar uma repressão sobre aqueles que se opõem a seu governo e a assembleia constituinte.

A MORTE DE PÉREZ

Em 15 de janeiro de 2018, o exército venezuelano e a Guarda Nacional Venezuelana lançaram uma operação para capturar Óscar Pérez, que estava escondido no bairro de El Junquito a oeste de Caracas. Pérez postou um vídeo em que aparece junto com o seu grupo, no segundo andar de uma casa, tentando persuadir os policiais a não prendê-los. Após essa abordagem inicial, houve um breve confronto entre o grupo de Pérez e as forças do governo venezuelano. 

Manifestação em São Paulo na última terça-feira. Foto: Kevin David

Após o embate, Pérez postou um vídeo nas redes sociais em que ele aparece com o rosto ensanguentado após ter sido atingido pelos detritos de uma explosão. Neste momento das gravações, afirmou que estavam dispostos a render-se por conta da inviabilidade de resistência, no entanto, os agentes do Estado venezuelano não cessavam o fogo, em que davam a entender, segundo ele, que estavam interessados de fato em assassiná-los.

Pouco tempo após publicarem sua última gravação através das redes sociais, Pérez e seus demais aliados tiveram seu esconderijo atingido por um disparo que impactou diretamente no sotão da casa em que o grupo se encontrava. O momento do disparo, bem como a explosão subsequente, foi registrada em vídeo pelos próprios policiais venezuelanos. 

Depois de três horas de tiroteio, Pérez e seis de seus homens (entre eles Daniel Enrique Soto Torres, Abraham Lugo Ramos, Jairo Lugo Ramos, José Alejandro Díaz Pimentel, Abraão Israel Agostini) foram mortos a tiros enquanto outros seis integrantes do grupo entregaram-se e foram presos. Do lado da policia bolivariana, dois foram mortos e cinco saíram feridos.

No dia seguinte ao confronto, a morte de Pérez e de alguns integrantes de seu bando foi confirmada pelas autoridades venezuelanas. De acordo com a certidão de óbito entregue para a família, Pérez morreu com um disparo recebido na cabeça. A deputada Delsa Solorzano, da oposição, afirmou que não apenas a certidão de óbito de Pérez, mas também as de cinco homens dentre os seis que foram abatidos pela polícia trazem como causa da morte o disparo de arma de fogo na região craniana. 

Para os familiares e para deputada, essa informação indica a hipótese de que Pérez e alguns membros de seu grupo teriam sido vítimas de uma execução extrajudicial. Apesar da morte confirmada de Pérez, o governo venezuelano recusou-se a enviar seu corpo ao México, como pleiteavam sua mãe e irmã, e o ex-militar acabou sendo enterrado em Caracas sem que lhe fosse oferecido um velório.

Manifestação em São Paulo na última terça-feira. Foto: Kevin David


*Wilson Oliveira é defensor do retorno da monarquia parlamentar no Brasil. É conservador monarquista, com influências da tradição anglo-saxã do liberalismo clássico, do minarquismo, da Escola Austríaca e da Escola de Chicago. Reside no Rio de Janeiro, é jornalista e editor-chefe de O Congressista.
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