Tatiana tem braço fraturado, 45 dias com gesso e nenhum apoio de feminista

Arte: Fellipe Villas Bôas

Por Wilson Oliveira
*Com a colaboração de Nicolas Oliveira e Henrique S. R. Silva

A esquerda, que se diz defensora das mulheres, partiu para a porrada contra uma pessoa do sexo feminino. No último dia 29, em frente a sede da União Nacional dos Estudantes, representantes do movimento UniLivres protestavam contra o apoio da UNE à ditadura de Nicolás Maduro. Mas para a surpresa de todos, militantes do PC do B e do PCO foram convocados pela própria organização estudantil para fazer uma contrapeso aos protestos feitos pelos jovens da direita.

Mas infelizmente, o que deveria ser apenas um exercício da liberdade de expressão terminou em uma agressão covarde e inaceitável. Um dos militantes do PCO quebrou o braço de Tatiana Alvarez com um mastro de bandeira (veja no vídeo abaixo). Tatiana sofreu uma fratura no osso responsável pela articulação do punho e ficará 45 dias com o braço engessado, impossibilitada de fazer praticamente todas as suas atividades habituais, que são muitas.



Nessa entrevista exclusiva para O Congressista, ela conta a indignação que sente por estar com a mão que utiliza para trabalhar imobilizada, e não por conta de um descuido durante um momento de lazer, por exemplo, mas sim por que um "um animal olhou em sua direção" e resolveu quebrar seu braço por ela pensar diferente dele.

Tatiana revela também que não recebeu apoio de nenhuma feminista, além de ter visto movimentos de esquerda comemorando a contra-manifestação que aconteceu naquela tarde em frente a sede da UNE.

O Congressista: Como surgiu a ideia de fazer uma manifestação naquele dia em frente a sede da UNE?

Tatiana Alvarez: Foi devido a presença da UNE na Venezuela, no dia 25 (de janeiro), dia das grandes manifestações naquele país, representando todos os estudandes brasileiros em apoio a ditadura do Nicolás Maduro. Por conta disso, a gente quis fazer cumprir o artigo 5º da Constituição e exercer a nossa liberdade de expressão fazendo um pequeno ato em frente a UNE, mostrando nosso repúdio. A nossa ideia era tirar umas fotos, fazer uns discursos, essas coisas que estão ao nosso alcance e é nosso direito. Enfim, representar o restante dos estudantes brasileiros que não se sentem representados pela UNE.

OC: Quando vocês chegaram lá, encontraram militantes do PCdoB e do PCO. Ao se depararem com esses comunistas que lá estavam em maior número, temeram que pudesse acontecer alguma confusão?

TA: Nós sabíamos que alguns veículos de esquerda haviam divulgado a nossa manifestação e até convocado militantes deles para comparecer ao local. Mas obviamente que jamais passou pela nossa cabeça que o ato deles pudesse ter como objetivo nos agredir. Em inúmeras manifestações existem atos contrários, mas esse tipo de coisa não acontece e nem é o que se espera em manifestações pacíficas.

Foto: Henrique S. R. Silva

OC: E o que aconteceu após aquele cara te agredir?

TA: Depois que o cara quebrou o meu braço naturalmente o negócio acabou. Todo mundo ficou desolado com aquela violência que a gente não esperava, ainda mais esse grau de violência, esse nível que foi praticado contra uma mulher. Ficamos todos desolados, conversando com a PM para ver o que podia e o que não podia ser feito. E ficou todo mundo tentando entender a situação. Então acabou, fui para o hospital levada por um policial. Depois fizemos um boletim de ocorrência.

OC: A esquerda se diz tão defensora das mulheres, mas eles mesmos partem para pancadaria contra as mulheres. Após essa agressão covarde, você recebeu apoio de alguma pessoa ou movimento de esquerda reconhecendo que a atitude cometida contra você foi criminosa?

TA: Não só não houve qualquer tipo de contato de feministas e de instituições de proteção a mulher ou dos direitos humanos, como também não houve da própria UNE ou do PCO. Inclusive, fizeram o oposto disso. Além de violentar uma mulher, enalteceram o ato. Claro que não o ato da violência em si, pois naturalmente que eles não vão expor isso para manter a narrativa deles segura, mas enalteceram a contra-manifestação deles. Mas o que eu posso concluir por um raciocínio lógico é que também estão enaltecendo o ato em si, pois o fato ocorreu naquela circunstância. Então, no meu ponto de vista, eles também enalteceram a violência praticada contra uma mulher.

OC: Você tem previsão de ficar quanto tempo com o braço imobilizado?

TA: São cerca de 45 dias. O osso que quebrou é um ossinho responsável pela articulação do punho. Então qualquer falha na cicatrização vai me dar problemas sérios no futuro. Esse osso, quando quebra, normalmente é cirúrgico. Eu tive uma baita sorte de um centrímetro ou menos não precisar fazer cirurgia, só o gesso já resolveria o problema.

OC: E como está a sua recuperação?

TA: Na parte física acredito que esteja indo ok. Fui na última terça ao ortopedista, tiramos a tala, fiz o raio X e colocou o gesso. Eu estava de tala antes. Mas está indo ok, apesar de ainda ter dores. O retorno ao médico é só daqui duas semanas para ver se continuo com esse gesso ou se diminuo o tamanho, ganhando um pouco mais de mobilidade. Mas o punho fica engessado 45 dias no mínimo.

Tatiana em ato da UniLivres

OC: E até que ponto o fato do seu braço estar imobilizado está te atrapalhando nas tarefas diárias?

TA: Está atrapalhando a minha vida inteira, porque trabalho como freelancer. Faço bico de fotografia, produção de vídeo e edição de imagem. Tirar foto é meio óbvio porque não consigo. Mas edição de foto e de vídeo, principalmente, você precisa de certos movimentos delicados para acertar o corte certinho. Até eu conseguir me adaptar no computador só com meu braço esquerdo, estou parada, sem conseguir fazer nada.

E como sou uma pessoa cinestésica, não falo, escrevo. A minha linha de raciocínio é escrevendo e visualizando aquilo que eu escrevi. Então estou sem fazer vídeo algum, postando um ou outro antigo. Não posso praticar esportes porque o que eu pratico, stand up, é na água. E essa falta está me deixando bastante ansiosa e irritada. Também estou tendo dificuldade de estudar. Leio meus livros e meus artigos, mas sem poder fazer anotações com as mãos, tendo um atraso na questão dos meus estudos.

Tomar banho é um inferno. Estou dependendo de outra pessoa para lavar meu cabelo. Fazer comida sem chance. No máximo comprar uns negócios enlatados, enfiar no microondas e comer, esses lixos, o que também está afetando o meu sono e outras coisas da minha vida. Como mal, não faço esportes, muda a rotina toda, então o seu organismo muda completamente. Limpar a casa eu fazia em uma hora e agora estou fazendo em três, e fazendo mal feito. Já fui tentar varrer a casa e é um inferno, quase impossível.

O cachorro também acabou se ferrando. Passear com ele com um braço que você não tem força é impossível, vou tomar um capote, então não estou me arriscando. São 45 dias de um verdadeiro inferno, principalmente para uma pessoa ativa como eu.

OC: Além dessa interrupção nas suas tarefas, o que mais te abala com essa história toda?

TA: Não estou com o braço quebrado porque fui imprudente e me coloquei em risco ou porque estava praticando esporte, fazendo algo que eu gosto e aconteceu algum acidente. O que me incomoda, me abala e me parte o coração é que eu estou com o braço engessado, com restrição à minha liberdade por causa de um terceiro. Alguém que simplesmente achou que tinha o direito de ferir a minha liberdade física, até moral, psicológica talvez. Ou seja, um animal olhou em minha direção falando 'eu vou quebrar o braço dessa vagabunda porque ela pensa diferente de mim'. E uma pessoa que diz lutar pela liberdade das mulheres, por essas pautas que não passam de falácias. É isso que me tira do eixo, me deixa desnorteada.
Tatiana tem braço fraturado, 45 dias com gesso e nenhum apoio de feminista Tatiana tem braço fraturado, 45 dias com gesso e nenhum apoio de feminista Reviewed by Wilson Oliveira on 12:55:00 Rating: 5

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