Brasil, meu nego venho te contar...


Por Léo Fernandes

“Brasil, chegou a vez/De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, Malês”. Todo mundo ouviu estes versos no período pré-carnavalesco e durante os dias da festa de Momo. A Mangueira no meio do ano passado anunciou que o seu enredo para o Carnaval de 2019 seria uma ode aos heróis da História do Brasil que foram esquecidos.

A proposta do carnavalesco Leandro Vieira parecia muito boa, personagens históricos pouco falados desta vez seriam protagonistas, tais como Chico da Matilde, jangadeiro cearense que aboliu a escravatura em sua província em 1885; os caboclos que lutaram na Guerra da Independência da Bahia, de 1823 (a mesma que é protagonizada por Maria Quitéria), os Voluntários da Pátria, da Guerra do Paraguai etc.

Eu, como amante do Carnaval, costumo acompanhar todos os preparativos, as disputas para a escolha do samba enredo, notícias de contratações de profissionais, etc… E não foi diferente este ano. Acompanhando a disputa interna de samba da Mangueira, percebi que apenas uma obra concorrente mencionava Marielle entre os heróis do enredo de Vieira. Claro que esse samba conquistou de imediato a quadra e a maioria dos apaixonados pela folia. A composição, de Domênico e parceiros, venceu a final interna e virou o samba enredo da verde e rosa.

O desfile, quem acompanhou foi aquele show de esquerdices, inclusive com Marcelo Freixo, do PSOL, partido de Marielle, desfilando pela escola. Após a apresentação, todos cotavam a Mangueira. Na apuração das notas, a vitória mangueirense foi confirmada, com a agremiação recebendo apenas dois 9,9, descartados pela regra de eliminação da menor nota do quesito. Torcedores da escola dedicaram a vitória à vereadora morta há quase um ano. E uma pergunta ecoou em meus pensamentos: “Marielle foi mais importante que todos outros personagens mostrados no desfile?”; “Qual feito histórico dela antes de morrer?”

Tudo bem que ela morreu de forma brutal, mas não justifica essa idolatria toda com ela. A esquerda adora martirizar pessoas que contribuíram pouco ou nada para a sociedade. Ela só foi canonizada pela imprensa, estudantes universitários bobos e membros dos partidos progressistas por que ela era membro desse grupo e não por ser “negra, homossexual, pobre, etc”, como eles ficam gritando por aí. Fernando Holliday, do MBL, é negro, gay, de origem pobre e ninguém fez estardalhaço quando ele foi vítima de uma tentativa de homicídio em São Paulo.

Esse costume da esquerda de supervalorizar alguns “heróis” é muito antigo, às vezes supervalorizam quem não tem nada a ver com a causa, basta ser estudante e ser uma infeliz vítima durante uma manifestação estudantil. Quer ver só: o estudante Edson Luis de Lima Souto, de 18 anos, que foi morto durante uma manifestação no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro, em 28 de março de 1968. Ele não fazia parte de movimento estudantil, era apenas um estudante pobre que fazia bicos arrumando o estabelecimento, acabou sendo alvejado pela PM durante um protesto de estudante e virou mártir da UNE.

Como diz o próprio samba da Mangueira: “Tem sangue retinto, pisado”. É o que a esquerda adora fazer: transformar o cadáver em mártir, discursar, fazer palanque, destacar a “importância” do morto para a sociedade, mesmo que não tenha feito muita coisa. Apenas por ser “companheiro de causa”, o defunto tem que ser elevado ao status de “herói” nacional.
Brasil, meu nego venho te contar... Brasil, meu nego venho te contar... Reviewed by Leo Fernandes on 11:12:00 Rating: 5

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