Guerra Fria 2.0: Rússia aumenta presença e armamento em Cuba, Nicarágua e Venezuela

Arte: Fellipe Villas Bôas

Por Mamela Fiallo
Publicação original: PanAm Post
Tradução: Redação O Congressista

É uma "ameaça direta" contra a segurança regional, adverte sobre o envio de tropas russas para a Venezuela o oficial de segurança nacional do presidente Donald Trump, John Bolton.

A Rússia está procurando "irritar" os EUA ao se posicionar como um poder e, portanto, uma ameaça, adverte a Casa de América, o Real Instituo Elcano, em seu relatório "Rússia na América Latina: repercussões para a Espanha".

Até agora, neste ano, a Rússia concedeu empréstimos de 38 milhões de euros a Cuba para comprar equipamentos militares russos, e desde 2006 eles têm uma cooperação militar com a ilha. Segundo o relatório, o apoio russo a governos não democráticos, como a Venezuela, que inclui a venda de armas e a cooperação militar com o país, com a Nicarágua e com Cuba "pode ​​desestabilizar" a região.

Apesar da crise humanitária pela qual a Venezuela está passando, a ditadura deste país aloca um orçamento tão grande ao armamento que compra 73% do mercado russo de armas. Também no continente, o México compra 9% e o Peru 8%. Na última década, a Rússia aumentou o comércio com a América Latina em 44%. Além de seu aliado, a China, que aumentou em 210%.

O relatório afirma que, embora Estados Unidos continuem a ser o principal parceiro comercial da região, depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, caiu consideravelmente à medida que se concentrava na guerra contra o terrorismo.

Portanto, o relatório chama a influência russa de "fraca". No entanto, destaca a importância da área. Desde 2008, após a anexação da Crimeia, o sul da Ucrânia e o apoio aos rebeldes pró-russos nos países da região, a Rússia perdeu o comércio no Ocidente em geral.

A este respeito, o responsável pelo relatório, Dr. Mira Milosevich-Juaristi, adverte que a Rússia procura um mundo "pós-ocidental". Isso foi afirmado por Sergey Lavrov em 2017 na conferência de segurança de Munique e reiterado várias vezes por Milosevich. Para conseguir isso, a Rússia busca fortalecer os laços na América Latina.

Rússia procura promover um mundo pós-ocidental

Após a queda da União Soviética, em 1991, a Rússia está executando que é conhecido como a Doutrina Primakov, nomeado pelo ministro das Relações Exteriores no período de Boris Yeltsin. Trata-se de um "multilateralismo" que procura romper a hegemonia política.

Milosevich afirma que eles foram fortalecidos desde que Putin chegou ao poder, quando houve 43 visitas oficiais, das quais 17 foram presidenciais e 26 foram executadas pelo ministro das Relações Exteriores.

De acordo com Dr. Milosevic, "Brasil e México são os maiores parceiros comerciais da Rússia, enquanto o 'triângulo do Caribe Venezuela, Cuba e Nicarágua, com laços políticos e militares estreitos com o Kremlin, promove a penetração geopolítica russa no continente".

A proximidade com Trump do atual governo brasileiro pode afetar o rendimento da Rússia e, assim, agravar a necessidade de reforçar os laços com vizinhos ou reafirmar a estratégia de cooperação para não perder um dos seus principais países parceiros.

Deve-se notar que na Polônia, Donald Trump pediu o resgate do Ocidente e afirmou, na conferência de imprensa dada com Jair Bolsonaro, que os EUA e o Brasil são as maiores democracias e as maiores economias do Ocidente.



De fato, o chanceler do atual governo brasileiro já anunciou que a Rússia deveria retirar suas tropas da Venezuela. Enquanto isso, o relatório afirma que, se o líder da oposição Juan Guaidó se consolida como presidente da Venezuela, a Rússia ficará sozinha com seus históricos aliados da Guerra Fria, o que "limitará ainda mais" sua presença e influência.

Por enquanto, ele adverte que o principal interesse da Rússia é se posicionar como um "poder virtual" e uma das maneiras de conseguir isso é através das telecomunicações.



O Russia Today (RT), um meio que promove as políticas de Putin e seus aliados, está agora disponível em espanhol e é possível ver o canal estatal em toda a América Latina. Da mesma forma, o portal de notícias que leva o nome do primeiro satélite da época soviética, o Sputnik, já foi traduzido para o espanhol e português, o que mostra o forte interesse do governo russo em se consolidar na região.

Rússia cuida de seus interesses: a Venezuela deve 6 bilhões de dólares

Contudo, o Dr. Milosevich não considera que a Rússia pretenda entrar militarmente na Venezuela, mas que cuida de seus interesses para garantir o pagamento da dívida de 6 bilhões de dólares.

Para conseguir isso, ele garante que a Rússia continuará a apoiar Nicolas Maduro com "retórica antiamericana", mas também estabeleceu "certos canais" com a oposição. O "apoio" aos candidatos populistas fornecido pela mídia russa tem sido fundamental, ficando evidente no caso do México.

A mão da Rússia na Nicarágua

Agora, através da diplomacia, a Rússia exerce sua influência. Por exemplo, a porta-voz do Ministério do Exterior russo Maria Zajárova exigiu a cessação das "pressões externas" na Nicarágua. De acordo com a Rússia, a intenção é "desacreditar o governo legítimo do país" centro-americano. "Estamos convencidos de que os nicaraguenses são capazes de resolver seus assuntos internos de forma independente e sem interferências externas", disse Zajárova.

No entanto, Daniel Ortega, o ditador da Nicarágua, implementou as mesmas estratégias que Maduro para permanecer no poder. De eleições fraudulentas, gestão dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, repressão sangrenta contra seus oponentes, violação das liberdades econômicas e individuais, até a realização de negociações com quem conseguir permanecer no poder. Além disso, Ortega se recusa a reconhecer mais da metade das vítimas fatais nas mãos de seus grupos repressivos, bem como dos presos políticos, que já ultrapassaram a cifra de 600.

São 561 mortes registradas por ONGs nicaraguenses, enquanto a ditadura afirma que são 199. Prisioneiros políticos totalizam 802, mas o governo afirma que existem 340. Então, eles seguem os pedidos de observação internacional na ausência de um conselho entre os números apresentados pelos civis e os do governo.

Mas a Rússia diz não, porque seu aliado, Daniel Ortega, alega que os protestos civis que estão se aproximando de um ano sem cessar, nada mais são do que uma tentativa dos EUA para desestabilizar o governo.
Guerra Fria 2.0: Rússia aumenta presença e armamento em Cuba, Nicarágua e Venezuela Guerra Fria 2.0: Rússia aumenta presença e armamento em Cuba, Nicarágua e Venezuela Reviewed by Villas Boas on 21:49:00 Rating: 5

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.

Tecnologia do Blogger.