Traição política dos militares acontece desde Marechal Deodoro, o 1º presidente do Brasil

Arte: Fellipe Luiz Villas Bôas

Por Guillermo Federico Piacesi

Olhem só essa montagem acima. O bigodudo do lado direito se chama Floriano Peixoto. Ele era Marechal, patente mais alta do Exército Brasileiro (e que não existe mais nos dias de hoje).

Ele era vice-presidente da República, eleito indiretamente pelo Congresso Constituinte (que elaborou a primeira Constituição da República) para o cargo na 1ª eleição para o Executivo na República, ocorrida em 1891.

Na mesma oportunidade, foi eleito para presidente o Marechal Deodoro (o do lado esquerdo na montagem), que havia sido presidente no Governo Provisório. Dois Marechais, portanto.

O problema é que o Deodoro, que havia sido um dos líderes do golpe que botou a Família Imperial para fora, em novembro de 1889 (como aliás o próprio Marechal Floriano havia sido), assim que eleito nessa eleição de 1891, deu outro golpe: dissolveu o Congresso e mandou prender opositores.

Os atos arbitrários provocaram a ira de uma parte da Armada (atual Marinha), que ameaçou bombardear a cidade do Rio de Janeiro caso o Marechal golpista não renunciasse.

O episódio entrou para a História com o nome de REVOLTA DA ARMADA, e tenho certeza que você já ouviu falar dele, lá nas priscas eras quando estava no colégio.

Pois Marechal Deodoro renunciou, e o vice, Marechal Floriano Peixoto, esse cidadão aí da foto, como já falei, assumiu o Posto de presidente.

Tudo bem, ele até reabriu o Congresso, reconheço... Mas seu governo foi marcado por inúmeras crises, por mais insubordinações na caserna (teve outra Revolta da Armada em seu mandato, e um problema no Rio Grande do Sul chamado Revolução Federalista), e até decretação de Estado de Sítio, perseguição a desafetos etc.

O curioso é que foi nessa época que surgiu o remédio jurídico do “habeas corpus”, que Rui Barbosa começou a impetrar em favor de presos nas manifestações contra o Governo, durante o arbitrário Estado de Sítio.

Floriano Peixoto governou até 1894, praticamente até a véspera da sua morte, por cirrose hepática (atenção: não sei se o grande Marechal que virou nome de ruas pelo Brasil bebia muito, para desenvolver cirrose; mas é só consultar o “Dr. Google” que se descobre rapidinho), quando passou a Presidência a Prudente de Moraes, o terceiro presidente do Brasil e o primeiro civil.

O bizarro é que ele, o vice Floriano Peixoto, alegava que o seu Governo foi para “salvar o país”. Aliás, ele mesmo se dizia o “consolidador da República”: então, é esse tipo de república que ele entendia viável no Brasil. É nessa confusão institucional que ele entendia que o lema positivista da “ORDEM E PROGRESSO”, da nova Bandeira do Brasil, viria.

O resto da História não interessa.

O que quero deixar claro é que foi assim, com esse espírito golpista e turbulento, que a República se consolidou no Brasil.

Pelo menos Rui Barbosa, o grande jurista, mas que era um baita de um conspirador e traidor da Pátria, e que participou do golpe de Estado que derrubou o Império, reconheceu a Dom Pedro II, quando esse já estava no exílio, nas suas últimas, o erro que tinha cometido, dizendo mais ou menos assim:

— Me perdoe, Majestade. Se eu soubesse que a República seria assim eu jamais teria apoiado”.

“Mas o que ele quer dizer com tudo isso?” - perguntam-se certamente vocês que até aqui têm a paciência de ler esse escrito.

Respondo eu mesmo: quero mostrar como esses VICES militares pensam, e como eles atrapalham.

Não podemos nunca dar-lhes corda, senão eles acabam nos enforcando a todos.


NOTA:
Escrevi tudo de cabeça, no bloco de notas do celular. Portanto, perdoem-me os puristas, os mais exigentes com dados históricos, mas não conferi nada.

Assim, peço desculpa se tiverem erros e imprecisões históricas no texto; mas eles são irrelevantes para o contexto que quero passar aqui.
Traição política dos militares acontece desde Marechal Deodoro, o 1º presidente do Brasil Traição política dos militares acontece desde Marechal Deodoro, o 1º presidente do Brasil Reviewed by Wilson Oliveira on 23:08:00 Rating: 5

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