Esquerda no ensino: emburrecimento dos jovens e incentivo para militância socialista

Arte: Fellipe Luiz Villas Bôas

Por Rafael Andreazza Daros

Vendo certos comentários e relatos sobre as universidades, não deixo de ter a impressão que muitas vezes o que impera dentro da Academia é a cultura do pedantismo e não do conhecimento, onde o que importa é QUEM diz o que, e não O QUE é dito.

Sendo assim, alunos são frequentemente expostos a autores superficiais, confusos e prolixos, quando não meros ideólogos. Na impossibilidade de entender o que dizem, - seja por incompetência ou porque a escrita destes é feita deliberadamente para confundir - os alunos acabam julgando que a incapacidade de compreendê-los se deve às suas limitações intelectuais e não à incompetência dos autores. Resultado: acabam apenas replicando os preconceitos e julgamentos de seus professores.

Suspeito, inclusive, que boa parte dos professores também não tenha entendido esses autores, mas que se veem na necessidade de ensiná-los por inércia, comodismo ou medo do julgamento de seus pares.

Funciona assim: como determinados autores gozam de grande prestígio acadêmico, os professores enxergam o ensino desses autores como uma necessidade na formação de seus alunos, mesmo que não tenham entendido. E, uma vez que não entenderam estes autores, não são capazes de julgar se o prestígio que lhes é conferido é fruto de afinidade ideológica ou de competência.

Seria constrangedor, por exemplo, para um docente do curso de pedagogia admitir que não entendeu Paulo Freire. Que o diga criticá-lo, ainda que de forma construtiva. O efeito disso é que suas aulas se tornam menos o que ele entendeu sobre Paulo Freire, e mais o que ele entendeu da aula de outro professor que lhe ensinou Paulo Freire. O mesmo vale para autores de outras áreas, tais como Marx e Foucault. Iríamos nos espantar com a quantidade de marxistas que não leram Marx se fosse feita uma estatística sobre isso.

Some a tudo isso uma cultura universitária que enxerga a universidade como um símbolo de status social. Muitos alunos parecem encarar como objetivo o diploma, e não o conhecimento, do qual o diploma seria apenas um reconhecimento formal. Os discursos de formatura são uma prova viva disso, tratando os formandos como gente que "venceu na vida", mesmo que não tenham sequer iniciado sua carreira profissional (e muitos provavelmente irão fracassar ou seguir outra linha de atuação). O negócio é tão escancarado que isso pode ser visto até mesmo em discursos de formatura do Ensino Médio. Já ouvi de uma ex-professora universitária que alunos realmente comprometidos com a construção do conhecimento tendem a ser a exceção, e não a regra.

É desse ambiente que depois sairão profissionais que, quando contrariados, pensam que diploma é argumento. Não irão fazer sequer um esboço de refutação ou indicar um livro, apenas comentários pífios achando que "refutaram" determinado argumento porque "tem diploma na área". Muitas vezes, sequer leram outros autores além dos obrigatórios para passar nesses cursos. "Tudo o que eu desconheço está errado", parece ser o mote deles.

O resultado disso é que, como bem observou um conhecido meu, boa parte das universidades parecem ter virado clubinhos para alimentar o ego e a soberba dos docentes, ao invés de lugares realmente comprometidos com a construção de conhecimento genuíno. Não surpreende que a pesquisa acadêmica brasileira não tenha produzido um único prêmio Nobel e fique relegada à irrelevância. Tampouco surpreende a mentalidade estatista de boa parte das pessoas que saem de lá, defendendo reservas de mercado sob o argumento de que "se qualquer um pode fazer esse trabalho sem diploma, fiz faculdade pra que?"
Esquerda no ensino: emburrecimento dos jovens e incentivo para militância socialista Esquerda no ensino: emburrecimento dos jovens e incentivo para militância socialista Reviewed by Wilson Oliveira on 10:15:00 Rating: 5

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