Ex-coordenador que apoia manifestações do dia 26 dispara: "MBL acabou, tá enterrado"

Arte: Fellipe Luiz Villas Bôas

Por Fellipe Luiz Villas Bôas e Wilson Oliveira

Uma nuvem negra paira sobre as cabeças dos comandantes do Movimento Brasil Livre. Uma nota publicada no perfil do Instagram do MBL revelou a distância que o movimento está do povo que acompanha os acontecimentos políticos do lado de fora. Uma manifestação marcada para o dia 26 de maio (próximo domingo), em todo Brasil, organizada por movimentos conservadores, deseja defender a Reforma da Previdência, o Pacote Anticrime, votação nominal da MP 870 e a Lava Toga. Porém, na visão dos coordenadores nacionais do MBL, nenhum dos seus deve comparecer aos atos, pois eles concluíram a partir de postagens de pessoas desconhecidas, sem nenhuma ligação com os organizadores, que as manifestações seriam para fechar o Congresso e o STF...

O núcleo municipal de Rio Largo, em Alagoas, ousou discordar do núcleo nacional e publicou outra nota, afirmando que concordava com as pautas verdadeiras e que por isso estaria presente. A decisão pegou em cheio a coordenação nacional do MBL, que resolveu suspender o "núcleo desobediente" e desligar o seu coordenador, Adson de Carvalho, que nesta entrevista concedida a O Congressista explica os detalhes do que aconteceu e da sua passagem pelo Movimento Brasil Livre.

O Congressista: Quando vocês se juntaram ao MBL?

Adson de Carvalho: Bom, o MBL é uma instituição, você deve saber a fama, e ela se difundiu em várias correntes, se espalhou pelo país todo. Institucionalmente falando, existe o MBL Alagoas, Bahia, São Paulo, todos os estados e aqui tem o MBL Alagoas que é subordinado ao nacional. O MBL Rio Largo é um núcleo municipal subordinado ao estadual que é o alagoano. Nós somos a segunda gestão desse núcleo municipal. A primeira gestão não deu muito certo e saiu fora, deixando a coordenação do meu município em vacância. E o coordenador estadual do MBL aqui em Alagoas me procurou oferecendo essa proposta. Peguei e posso dizer que fui o melhor do meu estado. A primeira gestão começou em novembro de 2018 e ficou até depois de fevereiro.

OC: Qual era sua expectativa em relação ao movimento?

AC: A minha expectativa era simplesmente a que todo mundo tem. Ser coordenador de um grupo político bacana, que luta por tais pensamentos, legal. Essa foi a minha perspectiva quando entrei. Mas quando a gente entra em si, oficialmente, a gente percebe que não é bem assim. Que existe ali insubordinações, que existe exigências absolutas que não podem ser contestadas. O MBL Rio Largo caiu porque discordou do Nacional.

OC: Você achou a decisão do núcleo nacional do MBL autoritária?

AC: Eu acho que não existe dúvida nenhuma que essas decisões que estão sendo acolhidas pelos núcleos municipais e estaduais, principalmente, são 100% autoritários e fascistas. Fascista porque a censura está enraizada. Não podem discordar de nada do MBL Nacional. O meu ex-coordenador aqui de Alagoas foi quem dissolveu o MBL Rio Largo, que removeu todo mundo do grupo do Whatsapp. Foi puxada a orelha dele. Sabe o que eu falei da subordinação nacional, estadual e municipal? Quem puxa a orelha do estadual é a nacional. Apesar de que ele tentou me defender de certa forma, enfim... É assim que funciona. Autoritarismo, hegemonia...

OC: Por que vocês resolveram comparecer aos atos do dia 26?

AC: A gente decidiu, eu e a minha direção em conjunto, comparecer e apoiar o ato do dia 26 com a perspectiva de mostrar a representatividade do governo Bolsonaro, não defender ele necessariamente, mas defender a governabilidade do governo dele. Quais são as pautas para o dia 26? Primeiro de tudo, apoiar a Reforma da Previdência; segundo, apoiar o Pacote Anticrime; terceiro, apontar o dedo na cara do centrão, que o MBL está se juntando e eu discordo plenamente.


OC: Então, na sua opinião, o MBL nacional optou por se aliar com o centrão?

AC: Como ex-coordenador de núcleo municipal eu posso falar para você que houve um mal entendido. Se você pegar a nota que eles publicaram no Instagram deles, falando que eles não são a favor do ato do dia 26, vai ver que a justificativa que eles usam é que existem algumas hashtags "autoritárias" dizendo que é para fechar o Congresso, invadir o Congresso. Se for olhar por esse lado, foram casos isolados que eles usaram como justificativa para não apoiar.

OC: Você acredita que eles perceberam o erro cometido?

AC: O que eu acho é que eles estão se arrependendo amargamente. Estão se arrependendo muito simplesmente pelo fato que estão perdendo muitos inscritos. Existe uma campanha que é de zerar, o que não vai acontecer, mas vai diminuir bastante os inscritos no canal do MBL Nacional.

OC: Após essa atitude, como você vê o futuro do MBL?

AC: Acabou! Eles podem se dizer enterrados ali. É nítido, entre no perfil do Instagram do MBL e olhe as postagens. O que estava acontecendo antes deles publicarem a nota. A média de curtidas deles era de oito mil, cinco mil, sete mil curtidas. Depois da nota, não existe nada que não seja xingando o MBL. Ou seja, a população está ao lado da manifestação. O que o MBL quer? Ele quer representar quem? Não é Movimento Brasil Livre? Ele quer representar que Brasil? O geográfico? Ele quer separar as montanhas? Eu acho que não, ele quer libertar o povo para o povo mudar o Brasil, o cenário político, econômico e social. O que eles estão fazendo indo na contramão do povo? Porque acho que eles não são cegos para não ver que quem está querendo a manifestação é o próprio povo. Basta olhar os comentários das publicações deles, vai ver que o desagravo é enorme. E como nós estamos sendo recebidos pelo povo, nós da antiga gestão do então enterrado núcleo municipal do MBL Rio Largo.

OC: O núcleo de Rio Largo corre o risco de ser suspenso pelo núcleo nacional?

AC: Não foi o nacional que acabou com o núcleo, mas quem na prática resolveu isso foi o núcleo estadual, seguindo o tratado de subsidiariedade. Mas quem pediu foi a galera do nacional, já foi confirmado. Até ele mesmo fala abertamente: foi o nacional que não concordou com tal ato. Eu posso até falar, de todos os coordenadores de cada estado brasileiro, apenas dois ou três ficaram ao nosso lado. O resto foi todo a favor que trocassem a coordenação do MBL Rio Largo, porque segundo eles nós fomos rebeldes e autoritários.
Ex-coordenador que apoia manifestações do dia 26 dispara: "MBL acabou, tá enterrado" Ex-coordenador que apoia manifestações do dia 26 dispara: "MBL acabou, tá enterrado" Reviewed by Wilson Oliveira on 21:49:00 Rating: 5

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